Voz Online
O recital que Bernardo Sassetti e Beatriz Batarda criaram para "Menina do Mar", de Sophia de Mello Breyner Andresen, já se encontra disponivel. Trata-se do registo ao vivo de um recital que o pianista e a atriz fizeram em 2011, no Teatro Municipal São Luiz, em Lisboa.
O recital foi estreado em 2010, a convite do Festival das Artes, em Coimbra, andou por outros palcos, mas "nasceu de uma intimidade", no espaço familiar da atriz, do compositor e das filhas de ambos.
"Menina do Mar", publicado em 1958, é a primeira obra de Sophia de Mello Breyner Andresen para a infância e tem sido sucessivamente reeditada, com novas ilustrações, e revisitado em palco, para os mais novos, nomeadamente pelo pianista Filipe Raposo com a atriz Carla Galvão.
A edição de "Menina do Mar" inicia no corrente mês uma intensa programação da Casa Bernardo Sassetti para celebrar a vida artística do músico, que nasceu a 24 de junho de 1970 e morreu em 2012.
12 de junho, o Teatro Municipal São Luiz exibirá "Maria do Mar", filme mudo de 1930 de Leitão de Barros, para o qual Bernardo Sassetti compôs música original. A sessão contará com interpretação ao vivo da Orquestra Sinfonietta de Lisboa, com o pianista Francisco Sassetti e a cantora Filipa Pais.

A 13 de junho, o músico Salvador Sobral irá interpretar temas de Sassetti, com novos arranjos de Luís Figueiredo e letras de Luísa Sobral. Em palco estará "um ensemble invulgar", como afirmou Inês Laginha, com um sexteto de cordas, o guitarrista Pedro Branco, o trompetista Diogo Duque e o baterista Bruno Pedroso.
A 24 de junho, dia de aniversário de Sassetti, acontecerá um concerto no Hot Clube de Portugal, em Lisboa, com João Paulo Esteves da Silva (piano), Alexandre Frazão (bateria) e Carlos Barretto (contrabaixo).
A 26 de junho, está previsto um recital ao ar livre no centro de artes de Belgais (Castelo Branco), com Maria João Pires, Mário Laginha, Pedro Burmester, João Paulo Esteves da Silva, Filipe Melo, Daniel Bernardes, João Pedro Coelho e Luís Figueiredo.
Não se trata de uma novidade, mas a inclusão deste primeiro de dois novos álbuns dos Weezer publicados este ano, na lista de álbuns da Voz Online, justifica esta breve nota.
“OK Human”, é o 14º álbum de estúdio da carreira da banda americana Weezer. Com 12 canções, incluindo o primeiro single “All My Favorite Songs” e é com um título que nos transporta imediatamente para o álbum dos Radiohead “OK Computer”, dada a analogia, o novo disco dos Weezer teve como fonte de inspiração artistas como Harry Nilsson , Serge Gainsbourg e Pet Sounds.
Segundo a banda, “OK Human” é um contraste completo em relação a “Van Weezer”, o segundo álbum de estúdio da banda publicado este ano, a 7 de maio.
“Os filmes foram maioritariamente realizados por homens. Os chamados ‘clássicos de cinema’ foram maioritariamente realizados por homens. Mas, durante 13 décadas, e nos seis continentes onde se faz cinema, também milhares de mulheres realizaram filmes. Alguns dos melhores filmes.” As palavras são da actriz Tilda Swinton, uma das narradoras, e dão início a este documentário de 14 horas dividido em 14 capítulos, assinado por Mark Cousins. Cousins, reconhecido crítico e historiador de cinema, usa cerca de mil excertos de obras de 183 realizadoras para guiar os espectadores através da cinematografia feminina. Faz uma análise da forma como escrevem, filmam e montam os seus filmes e de que modo representam o mundo e a si próprias. Para além de Swinton, “As Mulheres Fazem Cinema” tem também narração de Jane Fonda, Adjoa Andoh, Sharmila Tagore, Kerry Fox, Thandie Newton e Debra Winger.
Estreia em Portugal: 3-Junho-2021
FICHA TÉCNICA
Título original : Women Make Film: A New Road Movie Through Cinema
Género : DOCUMENTÁRIO
Ano : 2018
Realizador(es) : Mark Cousins
Elenco : Mania Akbari, Adjoa Andoh, Clio Barnard
País(es) : Reino Unido
Duração : 14h 00m
"RAPTURE" EXPOSIÇÃO DE AI WEIWEI | CORDOARIA NACIONAL - 4 de junho a 28 novembro
Ai Weiwei, o artista contemporâneo e ativista chinês, vem pela primeira vez a Portugal com uma exposição inédita: Rapture, a realizar na Cordoaria Nacional a partir de 4 de junho de 2021.
Eleito o artista mais popular do mundo em 2020 pelo The Art Newspaper, Ai Weiwei é mundialmente reconhecido pelo seu forte engajamento político e por conectar a arte a questões sociais e de direitos humanos. Com curadoria do brasileiro Marcello Dantas, a mostra apresentará alguns dos trabalhos mais icónicos do artista, assim como obras originais produzidas em Portugal que exploram técnicas tradicionais revisitadas.
A palavra Rapture, em inglês, tem assumidamente várias leituras: 1. O momento transcendente que conecta a dimensão terrena e a dimensão espiritual, 2. O sequestro dos direitos e liberdades de cada um. 3. A ligação entre o entusiasmo sensorial com o êxtase.
Para Ai Weiwei, Rapture é um pouco de todas essas ideias tomando forma numa exposição inédita que propõe apresentar as duas dimensões criativas de um artista ícone dos nossos tempos: realidade e fantasia.
Se, por um lado, Ai Weiwei é um notório ativista político, símbolo da resistência à opressão e defensor dos direitos civis e da liberdade de expressão, com uma ampla produção artística que marcou a luta nas últimas décadas; por outro também é um articulador das raízes culturais mais profundas da humanidade, em especial das tradições e iconografia chinesas, perdidas ou esquecidas desde a Revolução Cultural de Mao Tsé-Tung (1966 – 1976). Essa dimensão mais fantástica, mística e espiritual é um elemento forte, porém menos notório na sua obra.
A pesquisa por materiais, técnicas e elementos simbólicos de outros tempos é um trabalho de arqueologia cultural que faz parte da busca pela identidade que a China perdeu e atualmente sofre pela desconexão com as suas raízes.
A exposição divide-se em dois núcleos/flancos: um é o lado da fantasia, onde essa origem é explorada; e o outro incide sobre a realidade e a emergência de assuntos que transbordam nas nossas vidas com o agravamento das condições humanas no planeta. Seja por razões políticas, ambientais ou sociais. Ai Weiwei oferece-nos uma visão atenta a questões essenciais que afligem todos os povos, tais como de onde viemos e o que estamos a aqui a fazer.
Algumas das obras históricas que estarão expostas são Snake Ceiling (2009), uma grande instalação em forma de serpente constituída por centenas de mochilas de crianças, em memória aos estudantes mortos no terremoto de Sichuan, em 2008; Circle of Animals (2010), na qual o artista revisita uma série de esculturas composta por doze cabeças de animais do zodíaco chinês que adornavam uma fonte no jardim Yuanming Yuan, nos arredores de Pequim, durante a dinastia Qing; e Law of the Journey (Prototype C) (2016), que consiste num barco insuflável de 16 metros de comprimento com figuras humanas e faz alusão a um dos temas mais recorrentes na obra do artista: a crise global de refugiados.
No decorrer da exposição, haverá um ciclo de documentários sobre a vida e trabalho de Ai Weiwei.