DISCOCRACIA 16 -  (Era uma vez um país) -  Dia 20/04/2018

No dia 25 de Abril de 1974 Portugal terminava definitivamente com meio século de opressão, medo e atraso.No dia anterior a rádio foi a “senha” para o arranque simultâneo dos militares que decidiram acabar de uma vez por todas com uma ditadura que definhava o País. 

A "senha", constituída pela canção Grândola, Vila Morena, de José Afonso, foi para o ar no programa Limite da Rádio Renascença, à meia-noite e vinte, antecedida da leitura da sua primeira quadra.
Era o arranque sincronizado e irreversível das forças do MFA (Movimento das Forças Armadas).
O Rádio Clube Português é ocupado por militares e transformado no posto de comando do «Movimento das Forças Armadas» - por este motivo a emissora fica conhecida como a “Emissora da Liberdade”.
Portugal foi, nessa altura, um verdadeiro laboratório de análises sociais e políticas.
Lugar de fascínio para uns, mas também de fortes receios para outros, atendendo à nossa especial posição geopolítica e geo-estratégica, fomos, naqueles breves, mas intensos e exaltantes meses, notícia de primeira página um pouco por todo o mundo, mas sobretudo na Europa, nessa velha Europa que, no dizer de Eduardo Lourenço, "queríamos revolucionar e que, diga-se de passagem, julgou que ia revolucionar-se connosco”.

Utopia ou não! Talvez um dia!..

SÉRGIO GODINHO – NAÇÃO VALENTE; DEAD COMBO – ODEON HOTEL; PAUS – MADEIRA


 

DISCOCRACIA 15 -  (Noite de espanto) -  Dia 13/04/2018

Espanto, susto ou assombro?
Espanto! Enquanto susto, pavor, temor…medo
O medo que nos fascina.
Dizem ser uma Emoção Universal. 
Assim que o Ser Humano nasce, o Medo vem agarrado à sua mente, pronto a entrar em ação a qualquer momento. 
Só precisa de um pretexto, de um pequeno pretexto…Sem qualquer manual de instrução ou interpretação o Ser Humano toma contacto com esta emoção e sem saber o que lhe está a acontecer tenta balancear a mesma, procurando a sua zona de conforto ou pensando em algo mais prazeroso. 
O Medo é tão válido e essencial como qualquer outra emoção. 
O Medo é capaz de nos levar ás profundezas da nossa mente, mas também de nos levar ao encontro do nosso Eu criativo. Sem o Medo a vida não teria o mesmo valor, o mesmo sabor…
Por isso tenham Medo…

O espanto enquanto assombro, pasmo, fascínio…admiração 
Na origem do pensamento está o espanto.
Segundo Sócrates É absolutamente de um filósofo esse sentimento: espantar-se. A filosofia não tem outra origem…

Na teoria da banalidade do mal, a filosofa alemã Hannah Arendt baseada no julgamento de Adolf Eichmann, o carrasco nazi, concluiu, que a trivialização da violência corresponde ao vazio de pensamento.
Para Arendt, o mal de nosso tempo, está naqueles que não se espantam com mais nada.

Espanto, enquanto assombro ou susto? Tanto faz é fascínio!
Espantem-se. Sempre!

MOONSPELL – 1755 (51.12) 
Lançamento: 03 Novembro 2017 / Label: Napalm Records
A cumprir com a tradição de surpreender os fãs, os Moonspell lançaram um álbum que nos enche o coração e estremece a alma, 1755, obra lançada a 03 de Novembro de 2017, faz ecoar no espaço nacional, todas as vozes que não foram ouvidas no trágico terramoto de 1 de Novembro de 1755.
A Banda nacional, composta por, Fernando Ribeiro, Ricardo Amorim, Pedro Paixão e Aires Pereira, dispensa apresentações em território Lusitano.
1755, conta o relato do terramoto de Lisboa de uma forma nunca antes pensada. Se achamos que a versão ensinada nos livros de história tinha impacto, este albúm vem revolucionar o nosso pensamento. Lê-se na critica especializada.

BIZARRA LOCOMOTIVA – ALBUM NEGRO (58:21)
Lançamento: 13 Outubro 2017 / Label: Rastilho Records
A Rastilho Records reeditou em 2017 o já considerado clássico "Álbum Negro" de 2009, dos Bizarra Locomotiva. 
Angustiante, este “Álbum Negro” simboliza a eterna e sombria claustrofobia dos Bizarra Locomotiva; uma negritude arrepiante que percorre de um estranho prazer as 14 faixas do disco. Quase sempre de uma densidade furiosa, “Álbum Negro” acentua a posição de charneira dos Bizarra Locomotiva no panorama da electrónica industrial nacional. O ódio e a dor estão de volta, com uns Bizarra Locomotiva iguais a si mesmos. Pujantes. Lia-se na critica especializada em 2009.

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DISCOCRACIA 14 -  (HOJE, NÃO HÁ MISSA, NÃO HÁ HOMILIA) -  Dia 30/03/2018

Sabia, que Na Igreja Católica, a missa pode ser celebrada todos os dias, excepto na Sexta-feira Santa.
A DISCOCRACIA embora não comungando, respeita e consagra a Sexta Feira da Paixão, a duas excelentes e recente obras musicais, que estão a marcar música contemporânea.
Estas duas obras foram apresentadas na integra e sem comentários.

LAURIE ANDERSON & KRONOS QUARTET – LANDFALL (1:09:34)
Lançamento: 16 Fevereiro 2018 / Label: Nonesuch
Laurie Anderson e os Kronos Quartet apresentam-nos uma obra essencialmente instrumental, densamente povoada de ambientes electroacústicos.
Enquanto, os Kronos Quartet elevam a sua arte orquestral a níveis épicos, Laurie Anderson está por detrás do restante e aqui o restante é o quase tudo: Voz, Violino, Keyboards, Samplers, Percussões e Programação.
É bem provável, que Lou Reed, tal como no seu documentário de Heart of a Dog esteja aqui a ser evocado. Faz sentido.

W. A. MOZART: REQUIEM EM RÉ MENOR, K626 (45:55)
Lançamento: 27 Outubro 2017 / Label: Harmonia Mundi
Sophie Karthauser, Marie-Claude Chappuis, Maximilian Schmitt e Johannes Weisser (vozes solistas)
Freiburger Barockorchester, RIAS Kammerchor, René Jacobs, direcção
(45:55)
Lançamento: 27 Outubro 2017 / Label: Harmonia Mundi
Este álbum recentemente lançado, oferece uma nova leitura de uma das mais célebres obras que o genial compositor austríaco não chegou a concluir.
O trabalho que Sussmayr empreendeu ao terminar a partitura de Mozart foi agora refeita pelo jovem arranjador Pierre-Henri Dutron.
O resultado final foi uma orquestração mais ligeira e actual, aqui com a assinatura interpretativa do contratenor e maestro Flamengo, René Jacobs.

DISCOCRACIA 13 -  (NÃO DESISTE, NEGRA, NÃO DESISTE!) -  Dia 23/03/2018

Mariella Franco, assassinada "por ser preta, mulher, lésbica, favelada" e "ousar ocupar o lugar das elites" é agora "a bandeira" da luta pelos direitos humanos. A emissão de Discocracia é dedicada a esta mulher, as balas não podem calar a democracia, é preciso dar voz a quem não a tem. E porque é preciso gritar bem alto: 
"Não desiste, negra, não desiste!"

PRETA RARA – AUDÁCIA (34:51)
Lançamento: 21 Setembro 2015 / Label: OQProduções
Preta Rara vem de Santos. Preta Rara vem do rap. Preta Rara é mulher, e mulher negra. Com o dom da palavra e da poesia do “repente-do-rap”, Preta-Rara, no alto de seus 30 anos, ingressa na carreira solo, trazendo consigo a acidez que mergulha nas entranhas que escondem nossas mais puras mazelas – e preconceitos.
Audácia é um nome muito propício ao disco. Depois de 7 anos no grupo feminino Tarja Preta, Joyce Fernandes, a Preta-Rara, seguiu o valioso incentivo de Criolo, que a instruiu a seguir carreira a solo. Produzido por Iuri Stocco, do estúdio CoisaSimples, Audácia contém oito músicas e dois poemas. Nele, Preta Rara apresenta relatos bem sinceros sobre ser mulher e negra em um país onde, apesar de predominantemente negro e feminino, ela é ensinada a viver à margem do mundo, quase como um corpo estranho.

ELZA SOARES – O FIM DO MUNDO (42:40)
Lançamento: 23 Junho 2017 / Label: Mais Um Discos
O Fim do Mundo (Remixes) é um presente da muito acarinhada Elza Soares, a grande diva do jazz brasileiro.
Foi preciso chegar aos 80 anos de idade para ser ouvida pelo mundo.
Esta é a expressão de uma pessoa oprimida pela violência doméstica e não só.
A música do álbum original, foi remisturada por 14 artistas, entre eles DJ Marfox e Nídia Minaj, da Príncipe Discos.
No meio dos diferentes recriadores d’A Mulher do Fim do Mundo encontramos também outros nomes conhecidos como o do francês Gilles Peterson e o brasileiro Kiko Dinucci, guitarrista da Elza Soares, que lançou este ano a longa duração Cortes Curtos. Para descoberta sobram Omulu, Laraaji e Marginal Men, também eles protagonistas de excelentes remisturas.

MC CAROL – BANDIDA (26:16)
Lançamento: 28 Outubro 2016 / Label: Heavy Baile
MC Carol, nome artístico de Carolina de Oliveira Lourenço tornou-se conhecida por juntar, à sua música, poesia com temáticas sociais feministas e canções de duplo sentido onde o sexo é abordado de forma explícita.
Bandida é o nome do seu 1º trabalho.
“Eu conheci o inferno, conheci a invisibilidade, conheci pessoas que se aproveitam do seu sofrimento para te pisar mais um pouquinho, conheci pessoas que te oferecem drogas para usar e vender. Eu optei a bebida.”
Assim é Carol, Nua e Crua.

DISCOCRACIA 12 -  (DUM DIVERSAS) -  Dia 16/03/2018

"Amável Donzela", "Boa Intenção", "Brinquedo dos Meninos", "Caridade", "Feliz Destino", "Feliz Dias a Pobrezinhos", "Graciosa Vingativa", "Regeneradora", são alguns dos nomes dos barcos de negreiros portugueses. Mas será que para além deste nomes de mau gosto, "terão contribuído os portugueses, decisivamente para o surgimento da música negra?" A esta pequena provocação, o Mano Jorge respondeu ao longo da edição 12 de DISCOCRACIA. No final, talvez se conclua, que "os seres humanos não vivem sem esperança, mas também não vivem sem arte".

YOUNG FATHERS – COCOA SUGAR (36:48)
Lançamento: 09 Março 2018 / Label: Ninja Tune
Cocoa Sugar é o 3º album dos escoceses Young Fathers.
Vencedores do Mercury Prize, prémio que consagra o melhor álbum do Reino Unido e Irlanda, em 2014 com Dead, as suas raízes estão ligadas ao Hip-Hop e lembram os momentos aúreos do Trip-Hop, embora os Young Fathers possuam uma estética própria, um Soul mais industrial e electrizante, com incursões na electrónica experimental.
Cocoa Sugar está fora dos cânones estruturais da música actual e é um hino à liberdade criativa.

THUNDERCAT – DRUNK (51:24)
Lançamento: 24 Fevereiro 2017 / Label: Brainfeeder
1 – Lava Lamp
Drunk é o terceiro álbum do baixista, produtor e compositor californiano, Stephen Bruner, mais conhecido por Thundercat.
O álbum tem 23 faixas de curta duração e conta com as participações de nomes consagrados, como Kendrick Lamar, Pharrell Williams, Wiz Khalifa, Michael McDonald e Kenny Loggins.
A produção é de Thundercat em parceria com Flying Lotus
Thundercat, trouxe para Drunk, todas as complexidades do jazz e do soul, numa música carregada de humanidade.
Estamos perante um disco virtuoso.

DISCOCRACIA 11 -  (TEODORO VAMOS AO SONORO) -  Dia 09/03/2018

O medo à mudança, nos tempos iniciais do cinema, tem expressão numa canção, cantada por Corina Freire e que fez parte do Teatro de Revista “O Mexilhão”: “ Teodoro Não Vás ao Sonoro”. Nesta edição de DISCOCRACIA, Mano Jorge partiu da ideia, que afinal o cinema nunca foi totalmente mudo.

THE HELIOCENTRICS – THE SUNSHINE MAKERS (46:02) 

Lançamento: 30 Junho 2017 / Label: Soundway
The Sunshine Makers é um documentário sobre os químicos Tim Scully e Nick Sand.
Scully e Sand não são nomes conhecidos do grande público, mas o produto que eles criaram há pouco mais de 50 anos é um dos mais famosos da famosa contracultura: o Orange Sunshine, o ácido lisérgico mais conhecido dos anos 1960.
Para compor a banda sonora do documentário, The Sunshine makers, foi convidado o Colectivo britanico, The Heliocentrics.
Os seus acordes psicodélicos, misturando funk, jazz e acid-rock, não podiam estar mais em sintonia com a temática do filme, a história do LSD no seio da “Contracultura” americana dos anos 60.

PREVENGE (ORIGINAL SOUNTRACK) – MUSIC BY TOYDRUM (46:14)
Lançamento: 24 Fevereiro 2017 / Label: Because Music
Alice Lowe é a protagonista, argumentista e estreia-se como realizadora em Prevenge, um filme sanguinário sobre uma mãe que obedece aos desejos macabros e psicóticos do feto que carrega no ventre.
Toydrum, dupla de música eletrónica, foi formada em 2011 pelos membros da banda Unkle, Pablo Clements e James Griffith.
A dupla editou, Distant Focus Vol 1 em 2014 e Evangelist em 2015.
Para a paisagem sónica de Prevenge, a dupla Toydrum traz uma qualidade apropriadamente desconcertante à ação, conseguindo ilustrar musicalmente o estado psíquico da anti-heroína do filme.

DISCOCRACIA 10 -  (AUTOMEDICAÇÃO) -  Dia 02/03/2018

MINT FIELD – PASAR DE LAS LUCES (1.04:13)
Lançamento: 23 Fevereiro 2018 / Label: Innovative Leisure
Estrela Sanchez e Amor Amezcua têm vinte e um anos e são oriundas de Tijuana, no México. Saltaram o muro e gravaram o seu álbum de estreia, Pasar De Las Luces, do outro lado da fronteira, em Detroit, no Michigan, para a editora Innovative Leisure.
O Album foi produzido por Christopher Koltay, produtor independente e membro do grupo de rock experimental Akron/Family.
As treze faixas deste álbum, Pasar De Las Luces, abrangem sons facilmente conectados com o universo psicadélico, post-rock, shoegaze e krautrock e evidenciam um talento musical, que se aprende com os antigos mestres, embora não se refugie no passado.
Os sintetizadores de Amezcua e os vocais de Sanchez criam a banda sonora perfeita para mergulharmos, limpar a cabeça de preocupações terrenas e flutuarmos através do universo interminável das emoções humanas.

THE LIMIÑANAS – SHADOW PEOPLE (39:10)
Lançamento: 19 Janeiro 2018 / Label: Because Music
The Limiñanas são uma banda Francesa de Perpignan, composta pelo multi-instrumentista Lionel e por Marie Limiñana na bateria e vocais. Conheceram-se aos 17 anos, apaixonaram-se e não mais se separaram. A sua cumplicidade alargou-se à música.
Em Shadow People, no seu quinto álbum de originais, os The Limiñanas, continuam a utilizar as fórmulas que já tomam como suas desde 2010, ano em gravaram o seu homónimo e 1º álbum de originais.
Poderia ser um argumento contra a sua qualidade, mas há todo um universo a explorar dentro do grande género onde se inserem, o Rock Psicadélico com tonalidades de hipster francês.

DISCOCRACIA 09 -  (PÓS SATURAÇÃO) -  Dia 23/02/2018

DO MAKE SAY THINK – STUBBORN PERSISTENT ILLUSINS (1.00:47)

Lançamento: 19 Maio 2017 / Label: Constellation

Ao fim de 8 anos de ausência os canadianos “Do Make Say Think” estão de regresso com um excelente álbum instrumental, “Stubborn Persistent Illusions”.

Nele podemos encontrar toda a dramaticidade cinematográfica do amor e do ódio, da violência e da paz, sempre presentes ao logo da Obra, bem assim como os elementos musicais essenciais do Post-Rock, baseados no Rock Alternativo e Jazz. A música dos “Do Make Say Think” aqui sentida, transmite a sensação de que, algo de grandioso está por acontecer.

Não é por acaso que a capa do álbum nos faz lembrar as descobertas no “Novo Mundo”.

SLOWDIVE – SLOWDIVE (45:56)

Lançamento: 05 Maio 2017 / Label: Dead Oceans

Os Ingleses “Slowdive”, banda de culto dos anos 90, estão de regresso após 22 anos de inactividade discográfica e de uma longa espera para todos nós. Com eles estão de volta os profundos mergulhos na melancolia, que aconchegam sem entristecer.

Os Slowdive estão de volta. Resta-nos disfrutar do momento. Basta penetrar no seu intenso e denso universo, pleno catalisador de emoções.

DISCOCRACIA 08 -  (IDADE MAIOR) -  Dia 26/01/2018

Idade Maior 1 Thurston Moore Rock n roll Consciousness

THURSTON MOOREROCK N ROLL CONSCIOUSNESS (42:56)

Lançamento: 28 Abril 2017 / Label: Caroline

THURSTON MOORE – ROCK N ROLL CONSCIOUSNESS (42:56)
Lançamento: 28 Abril 2017 / Label: Caroline

É quase impossível, falar de Thurston Moore sem falar nos Sonic Youth, um dos grupos mais influentes do rock das últimas décadas.
Neste trabalho de 2017, 2 dos elementos essenciais, da construção musical de Thurston, a guitarra e voz, rementem-nos para os “Sonic”, mas a estrutura e dimensão das composições, são abordadas de um modo diferente, e as letras são marcadamente de teor intimista.
O modo de iniciar, e acabar as músicas, também soa aqui de um modo diferente. Ficamos a saber como inicia a viagem, não sabemos, quando, e como vai terminar.

Idade Maior 2 Afghan Whigs In Spades

AFGHAN WHIGS – IN SPADES (36:20)
Lançamento: 05 Maio 2017 / Label: Sub Pop

É impossível falar dos “Afghan Whigs” sem falar do seu líder Greg Dulli, um dos mais eloquentes “frontment” do rock, devido ao seu provocante comportamento em palco e não só!..
Dulli, descreve este último trabalho de 2017 “In Spades” como «assustador» e como a vida e a memória podem num ápice colidir.
Nunca a música dos “Afghan Whigs” serviu tão bem o lado “noir” de Dulli, como neste “In Spades”.

Idade Maior 3 Mark Lanegan Band Gargoyle

MARK LANEGAN – GARGOYLE (41:12)
Lançamento: 28 Abril 2017 / Label: Heavenly, PIAS
Mark Lanegan vai-se aprimorando com a idade. Este “Gargoyle” tem a força e a serenidade interpretativa, para que se possa ir associando o seu nome, a ícones como Nick Cave ou Tom Waits.
Mark revelou recentemente, que embora escreva melhor do que há 15 anos atrás, prefere trabalhar as suas canções em colaboração com outros músicos. “Quando vejo as coisas sob a perspectiva de outras pessoas é bem mais excitante para mim, do que deixar-me estar a trabalhar sozinho”.
E ainda bem, porque neste álbum, fazem parte nomes como Josh Homme dos “QotSA” e Greg Dulli dos “Afghan Whigs”.

DISCOCRACIA  07 -  (SONS DA FRENTE) -  Transmitido a 19/01/2018

Som da Frente 1 Shame Songs of Praise

Songs of Praise é o álbum de estreia dos britânicos Shame.
Se Londres foi o berço do punk europeu, o distrito de Brixton foi e continua a ser o seu centro espiritual.
Os Shame pertencem a esse apelidado Bairro do Povo em Londres e são uma prova de que a música analógica, feita com base no velho som das guitarras não está morta.
Songs Of Praise é simultaneamente uma estreia impetuosa e ousada, de uma banda, que pode ter algo de novo a dizer, no mundo musical.

 Som da Frente 2 Jeff Rosenstock Post

JEFF ROSENSTOCK – POST (40:06)
Lançamento: 02 Janeiro 2018 / Label: Polyvinyl Record Company

Post, é o mais recente trabalho de Jeff Rosenstock, músico e compositor norte americano de Long Island.
Power Pop na sua essência musical, o álbum é um manifesto politico introspectivo.
As letras incendiadas e os ritmos revoltos, assumem uma atitude política proeminente evocando em silencio, não só a personagem americana mais incontornável do último ano, mas também a multidão queo elegeu.
Post funciona como catarse para Rosenstock. Tentar perceber o que pensa, o que faz e porque o faz, quem se cruza connosco anonimamente e depois como viver o dia a dia em sociedade, é um desafio permanente.

Som da Frente 3 Veenho Veeenho

VEENHO – VEEENHO (16:33)
Lançamento: 05 Novembro 2017 / Label: Xita Records

Os Veenho com 2 e’s são, António Eça, Martim Brito, Xixo e Pedro Valera.
Este 2º EP Veeenho com 3 e’s, foi produzido por Gonçalo Formiga e gravado para a editora independente Xita Records.
Os Veenho são a prova viva de que o rock alternativo com som de garagem, não morreu em Portugal. A estética e a atitude punk andam por aqui, em Lisboa.

 

DISCOCRACIA 6 -  (A ESTÉTICA DA FALHA) -  Transmitido em 12/01/2018

ARCA – ARCA (43:10)
Lançamento: 07 Abril 2017 / Label: XL Recordings

O músico e produtor venezuelano, Alexandro Ghersi (vulgo Arca), tem sido o principal impulsionador das aventuras mais experimentalista de Kanye West, Kelela ou Bjork.
Neste seu terceiro álbum, aventura-se (e ainda bem) na vocalização.
Este é um álbum feito de oposições, confrontos e extremamente rico em substância criativa.
O seu conteúdo, cria um temático e intenso “suspense” sonoro.
A sua audição é um desafio aos sentidos.

BJÖRK – UTOPIA (1.11:38)
Lançamento: 24 Novembro 2017 / Label: One Little Indian

Dois anos depois de um álbum “Vulnicura”, que simbolizava o cepticismo, a islandesa renasce com a preciosa ajuda de Arca.
Neste novo álbum ouvem-se flautas, pássaros, coros celestiais e ruído industrial, as fotos mostram Björk em avatar híbrido mulher-homem-planta-animal-cerâmica-kitsch-brinquedo-fetichista (já lhe chamaram avant drag). Utopia faz parte de um processo de transformação, ou transmutação, em que Björk quer celebrar a vida e a natureza, o amor e sexo, dar vida a uma fantasia telúrico-tecnológica com fundamentos políticos.

DISCOCRACIA 5 - (FILOSOFIA CÓSMICA) - Transmitido em 05/01/2018

THE COMET IS COMING – CHANNEL THE SPIRITS; SPECIAL EDITION (1:10:55)
Lançamento: 23 Agosto 2017 / Label: Leaf

Esta edição especial de Channel the Spirits, reúne o Album de 2016, Channel the Spirits, o EP de 2015 Prophecy e 3 faixas nunca antes editadas, as Ancient Tapes.
Aqui, o jazz, enquanto indomável força de exploração sónica, ao incorporar elementos de Funk, Electrónica, Rock Psicadélico e Afrobeat, encontra nestes géneros musicais, as suas possibilidades de expansão.
Channel the siprits é considerado pela imprensa especializada, um álbum revolucionário e pela editora Leaf, um “Documento Profético”.

Filosofia Csmica 2 Hieroglyphic Being Sarathy Korwar Shabaka Hutchings A.R.E. Project 2017

HIEROGLYPHIC BEING, SHARATY KORVAR & SHABAKA HUTCHINGS – A.R.E. PROJECT (25:12)
Lançamento: 05 Agosto 2017 / Label: Technicolour

Provavelmente um dos músicos mais prolíficos e inspiradores do Reino Unido, Shabaka Hutchings emprestou o seu toque de saxofone a uma série de projectos de jazz cósmico/psicadélico.
A.R.E. Project, é uma colaboração improvisada e única entre Hutchings, Hieroglyphic Being e Sarathy Korwar.
Este EP foi gravado, durante uma performance ao vivo de duas horas, a bordo de um navio, ancorado no Tamisa.
As notas do saxo cósmico, fundem-se com a música folclórica indonésia e com a musica eletrónica da era espacial, daqui resultando, um som verdadeiramente único.

DISCOCRACIA 4 (AS BESTAS NÃO SONHAM) - Transmitido em 29/12/2017

THE NATIONAL – SLEEP WELL BEAST (57:40)
Lançamento: 08 setembro 2017 / Label: 4AD

Sleep Well Beast é o sétimo álbum de originais dos The National.
É o trabalho mais maduro e experimental da carreira da banda norte americana.
As canções mesmo falando de amor, acabam por ter teor político.
Os National não “conseguem separar a política das emoções” porque segundo os próprios, a primeira afecta a segunda e as letras deste trabalho, refletem a instabilidade que se vive na era Trump. A banda apoiou Barack Obama e Hillary Clinton na corrida à presidência dos EUA, não está satisfeita com o atual Presidente e o descontentamento moldou este disco.
O desconforto confortável está de volta

LCD SOUNDSYSTEM – AMERICAN DREAM (1.08:55)
Lançamento: 01 setembro 2017 / Label: DFA

American Dream, marca o regresso aos discos dos LCD Soundsystem, após 7 anos de pausa premeditada.
O álbum, sempre bem compassado e sublimemente produzido, é profundamente marcado por uma atmosfera negra que, de resto, remete para ambientes contíguos àqueles que Bowie introduziu no seu último Blackstar.
Não é, aliás, por acaso que a faixa que encerra o disco - Black Screen - é, na verdade, uma homenagem ao cantor britânico, como também não será inocente o facto de haver uma colagem óbvia de Call the Police ao universo de Bowie.
American Dream abre as portas a um admirável mundo novo de canções surpreendentes.

 

DISCOCRACIA 3 (SUBVERSÕES) - Transmitido em 22/12/2017

 

ALGIERS – THE UNDERSIDE OF POWER (44:24)

Lançamento: 23 junho 2017 / Label: Matador

Os Algiers aconselham a desconfiar do poder, mas com esperança.
O nome da Banda é uma homenagem a um local histórico, chave da luta anticolonial, simbolizando um espaço idealista onde, a violência, o racismo, a religião, a resistência e a esperança se misturam.
Os Algiers combinam elementos pós-punk e no wave com blues e gospel, com passagens pela música industrial.
The underside of Power de 2017, é um álbum fascinante, com forte mensagem política.

ALAN VEGA - IT (52:16)
Lançamento: 14 Julho 2017 / Label: Fader Label

IT é a herança que Alan Vega nos delega.
Em IT, Album Póstumo de 2017, o ex-Suicide que nos deixou em 2016 com 78 anos, aborda como sempre, o pesadelo americano na sua verdadeira essência.
IT é o testemunho musical do Proto-punk, que influenciou mais do que vendeu.
Vega deixa-nos com uma crónica do medo, da violência e do terror do quotidiano.
Inquietante.

 

DISCOCRACIA 2 (PEREGRINAÇÕES) - Transmitido em 15/12/2017

 ANTOLOGIA DE MÚSICA ATÍPICA PORTUGUESA (42:58)

VOLUME 1, O trabalho. 

Lançamento: 27 Janeiro 2017 / Label: Discrepant

O espírito de Michael Giacometti anda por aqui, cruzado com os olhares contemporâneos, vindos do jazz, do noise e da electrónica.
Gonçalo F. Cardoso, Negra Branca, Live Low, Calhau!, Peter Forest, EITR, Luar Domatrix, Gonzo, Tiago Morais Morgado, Filipe Felizardo, colaboraram neste projecto, editado em 2017.
O mote é a desconstrução musical do trabalho

LIVE LOW- TOADA (39:00)

Lançamento: 17 Outubro 2016 / Label: Lovers & Lollypops

“TOADA” é o longa duração de estreia em 2017 do projecto portuense “LIVE LOW”. 
Os Live Low que também colaboraram na Antologia Atípica, procuram o que resta da música tradicional, à luz da electrónica exploratória. Têm como ponto de partida, não só as recolhas da tradição musical portuguesa feitas por Giacometti, mas também a herança musical daqueles que a trabalharam condignamente como Fausto ou José Afonso.

JOÃO HASSELBERG & PEDRO BRANCO – “FROM ORDER TO CHAOS” (26:10)

Lançamento: 17 Outubro 2016 / Label: Clean Feed

E depois de “Toada” dos “Live Low”, viramos as agulhas para a próxima peregrinação:
o contrabaixista João Hasselberg e o guitarrista Pedro Branco.
“From Order to Chaos” é um pequeno grande álbum de 2017, com pouco mais de 26 minutos e foi gravado no Auditório Municipal do Seixal. Recheado de excelentes músicos, exemplo do agora muito badalado, pianista e compositor de jazz, Luís Figueiredo, criador dos arranjos de “Amar Pelos Dois”, “From Order to Chaos” deambula entre o Jazz e o Pop/Rock, criando uma atmosfera sensorial apelativa.

DISCOCRACIA 1 (SONS DO SAHEL) - Transmitido em 8/12/2017

GIRMA BÈYÈNÈ, AKALÉ WUBÉ – MISTAKES ON PURPOSE (1.06:33)
Lançamento: 13 Janeiro 2017 / Label: Heavenly Sweetness

O cantor e pianista Girma Bèyènè, regressa ao mundo da música ao lado do quinteto Akalé Wubé, com o álbum “Mistakes on purpose”.
O álbum integra a famosa coleção “Ethiopiques”, da era de Ouro da música etíope moderna.
Girma compositor de Adis Abeba, surgiu na década de 1960 e foi um dos mais criativos e activos da sua geração. O álbum imortaliza a sua reaparição, após 25 anos de afastamento dos palcos.

TINARIWEN – ELWAN (46:07)
Lançamento: 10 Fevereiro 2017 / Label: ANTI

Os Tinariwen são hoje um dos mais conhecidos grupos da World Music.
Em Elwan elevam a fasquia, colaborando com Kurt Vile, Mark Lannegan, entre outros instrumentistas para criar um dos mais belos álbuns de Tishoumaren, o estilo musical que mistura blues com folk da África Ocidental.
Elwan é um álbum poderoso, fala sobre os valores de ascendência, unidade e companheirismo, impulsionados pelos sons cíclicos da guitarra.

 

 

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