DISCOCRACIA 21 -  ("ODES ANACREÔNTICAS" ) -  Dia 15/06/2018

Hendrix, o mago das seis cordas era avesso a tocar para grandes públicos. O Woodstock, no máximo da sua lotação atingiu os 400.000, numa média de 200.000 pessoas a assistir aos concertos que começaram no dia 15 de Agosto. O músico decidiu abdicar do horário que lhe haviam escolhido no cartaz, à meia-noite, e aguardar que o recinto fosse “esvaziando”.
Assim, pelas 08h00 da manhã de 18 de Agosto, de 1969, Jimi Hendrix subiu a palco para encerrar aquele que é, para muitos, o maior festival de música da história. Já “poucos” festivaleiros resistiam e, dos 400.000, restavam cerca de 40.000. Perto do final da sua setlist, Hendrix criou um dos momentos mais lendários na história da guitarra eléctrica, do rock, da música e mesmo da política.
O guitarrista interpretou o hino nacional norte-americano, o “Star Spangled Banner”, numa versão carregada de feedback, com abuso da alavanca de vibrato, distorção e sustain, para procurar evocar ataques aéreos e as explosões dos bombardeamentos de napalm, numa alusão ao conflito no Vietname.
O hino serviu de cama à neblina Púrpura, Purple Haze, e encerrou o espectáculo antes dos encores, com o enigmático instrumental Villanova Junction, memorável.
Purple Haze é uma terminação usada para descrever uma variedade específica de canábis. Esta terminação foi originalmente dada para descrever um tipo de LSD que se vendia nos anos 60 e 70 impregnado num papel seco de cor púrpura. Mais tarde esta variedade de marijuana adquiriu popularmente o mesmo nome devido à sua alta potência e grande concentração de cristais. Mas isso é outra história.
Interessante é o facto da melodia do hino americano, ser dum cluble anacreôntrico inglês do século XVIII e composta para ser cantada em tabernas. A letra de “To Anecreon in Heaven” foi para muitos, adulterada numa infeliz adaptação.
Anacreonte foi um poeta grego, do século VI a.C. e a sua poesia teve como tema o amor, a bebida e a sátira e foi denominada de erótica. Em Portugal temos em Manoel Maria Barbosa du Bocage, um dos seus mais genuínos seguidores.
Uma petição na plataforma digital “Change.Org” exigiu recentemente a troca do hino americano pelo clássico “War Pigs”, faixa do álbum “Paranoid”, de 1970 dos míticos Black Sabbath.
“O hino atual serviu a América com orgulho durante muitos anos. Mas é tempo de retirar o que é velho e escolher algo que represente a América e as suas atuais politicas” sugeriam os promotores. Enfim mais uma anedota a juntar a tantas outras.
Vem tudo isto a propósito de nacionalismos, cimeiras, guerra, paz, festas, festivais, alucinações e Escadas para o Céu. Bethel é o nome da localidade onde se realizou o Woodstock e é também o nome da cidade bíblica onde Jacob teve a célebre visão da Escada, por onde os anjos desciam e subiam ao céu.
Curioso, também o facto de em hebraico Bethel significar “Casa do Senhor” e de Woodstock depois de muitos negas, se ter realizado na quinta do judeu de origem russa, Max Yasgur, o qual apesar de ser um homem de princípios conservadores, acreditava firmemente na liberdade de expressão.
Mas voltemos à festa e aos festivais, para falar do Mimo o qual vai fazer 15 anos e já saiu há muito da cidade de Olinda no Brasil. Olinda é uma cidade colonial na costa nordeste do Brasil, perto da cidade do Recife. Fundada em 1535 pelos portugueses, foi construída em encostas íngremes e distingue-se pela arquitetura do século XVIII, com igrejas barrocas, conventos, mosteiros e casas de cores vivas. Originalmente um centro da indústria da cana-de-açúcar, é agora conhecida como uma colónia de artistas, com diversas galerias, oficinas e museus.
O Mimo, que não se fica por uma só cidade, ultrapassou no Brasil um milhão de visitantes no Rio, internacionalizou-se e chegou à cidade de portuguesa de Amarante em 2016. E o melhor de tudo pessoal... é à borla, e faz jus ao nome do Woodstock, 3 dias de Música e Feira de Artes (Woodstock Music & Art Fair ).

GOGO PENGUIN – A HUMDRUM STAR (50:42)
Lançamento: 09 Fevereiro 2018 / Label: Blue Note
O trio inglês de Manchester, composto pelo pianista Chris Illingworth, pelo baixista Nick Blacka e pelo baterista Rob Turner, editou recentemente A Humdrum Star, na mítica morada jazz, da Blue Note Records.
Classificar A Humdrum Star, não é tarefa fácil. Aterra tranquilamente nas mãos do jazz, do neo-clássico, do hip-hop, da música experimental, do rock mais ou menos post e da música electrónica – seja ele o break beat, o ambient ou o tecno, sem estar ligada a nenhuma tomada, sem computadores, processadores ou outros maquinais objectos criadores.

 

JACK DEJOHNETTE, LARRY GRENADIER, JOHN MEDESKI, JOHN SCOFIELD - HUDSON (1.11:46)
Lançamento: 09 Junho 7 / Label: Mótema
O que acontece quando quatro dos maiores instrumentistas do mundo unem seus talentos musicais? Um supergrupo de jazz chamado Hudson, com o baterista Jack DeJohnette, o baixista Larry Grenadier, o guitarrista John Scofield e o pianista John Medeski.
Neste primeiro álbum, a banda revisita clássicos dos anos 60 e aposta numa composição original, "Hudson", faixa que homenageia uma região de Nova York. Nas recreações, os músicos trazem “Lay Lady Lay”, de Bob Dylan, “Wait Until Tomorrow”, de Jimi Hendrix, “Up on Cripple Creek”, dos The Band, entre outros clássicos identificáveis logo nos primeiros acordes.


DISCOCRACIA 20 -  ("gOD save the qUEEN… and anybody ELSE" ) -  Dia 01/06/2018

Passaram 41 anos num ápice.
God Save the Queen e os Sex Pistols, atacavam então o conformismo social da sociedade britânica e a sua submissão à coroa.
God Save the Queen dos Sex Pistols foi lançado em 1977, durante as comemorações dos vinte e cinco anos de ascensão da Rainha Elizabeth II ao trono da Grã-Bretanha e das outras 15 nações que compõem os Reinos da Comunidade das Nações, com o Canadá e a Austrália à cabeça. 
A letra da música e a capa do single, causaram bastante polêmica à época e provavelmente ainda hoje teria o mesmo desfecho. Quanto ao single, tanto a BBC, quanto a Autoridade Independente de Radiodifusão recusaram-se a pô-lo no ar. A banda foi posteriormente, não só proibida de actuar em solo britânico, como foram expulsos da editora.
Os Sex Pistols, tal como os entendemos, acabaram em 1978, mas graças a eles e ao movimento punk então gerado, a maior epidemia de pandemónio moral estava em marcha.
Vem tudo isto a propósito do recente e muito badalado “casamento do ano”, dos Windsor, das polémicas reptilianas e Illuminati e de uns quantos escândalos, os quais na verdade só servem para entreter as massas e promover o turismo, uma das principais fontes de receita da “Firma”.
E vem tudo isto, também a propósito de “Your Queen is a Reptile”, último trabalho de “Sons of Kemet”, da descoberta das suas rainhas e dos novos sons do underground londrino.

SONS OF KEMET – YOUR QUEEN IS A REPTILE (55:26) 
Lançamento: 30 Março 2018 / Label: Impulse!
Neste álbum, o saxofonista Shabaka Hutchings, sediado em Londres e de origens caribenhas é o principal motor de arranque de um som que multiplica a agilidade do call-and-response.
A dinâmica com a tuba de Theon Cross deixa preponderante um som grave, só que de maneira paulatina, intensificado pela percussão e bateria selvagens de Eddie Hick e Tom Skinner.
Nesse sentido, os solos do sax-alto de Shabaka tornam-se o elemento norteador de uma viagem que esboça o imaginário coletivo de indivíduos que compartilham das mesmas influências. Não à toa, os heróis – ou, corrigindo, as heroínas – são todas precedidas pelo termo “My Queen is”.

VARIOUS – WE OUT HERE (54:34)
Lançamento: 09 Fevereiro 2018 / Label: Brownswood Recordings
A Brownswood Recordings, com a curadoria de Gilles Peterson, apresenta "We Out Here". Um sumário da nova cena jazzística de Londres, esta compilação reúne uma coleção de alguns dos seus talentos mais afiados. Com um conjunto de nove faixas recém-gravadas, "We Out Here" captura momentos em que as etiquetas e o enquadramento em géneros musicais importaram menos que a energia crua que atravessou as sessões. Gravado em três dias num estúdio da capital britânica, os resultados falam por si mesmo: uma autêntica janela para o futuro risonho do underground musical de Londres.
O álbum contém algumas das ideias e temas vitais que emanam deste movimento em expansão. Um reflexo de como a música influenciada pelo jazz de Londres alcançou novos espaços. Há uma infinidade de cruzamentos entre cada um destes nomes que "We Out Here" apresenta. 
Ezra Collective, Nubya Garcia, Joe Armon-Jones, Shabaka Hutchings, são alguns dos nomes aqui presentes.

DISCOCRACIA 19 -  (A insutentavel leveza do ser ) -  Dia 25/05/2018

A Insustentável leveza do ser, é antes de tudo o mais um excelente título.
A Insustentável Leveza do Ser, a obra prima do escritor Checo Milan Kundera, nada mais é do que um tratado para o alcance da plena liberdade. Não ter com que se preocupar, não ter a quem dar satisfações, não ter nada que nos prenda, em lugar algum. Vemos então que o Peso, conceito considerado negativo à priori, é mais do que necessário, é indispensável para dar sentido à vida.
A natureza humana, necessita de peso para estar consciente de sua própria existência.
A lembrança do titulo vem a propósito do Eurofestival e do Veto presidencial à lei sobre a autodeterminação da identidade de género.


LINEKER – LINEKER (37:54)
Lançamento: 08 Novembro 2016 / Label: Tratore Music
LINEKER é o terceiro álbum do cantor, bailarino e Performer Lineker.
Produzido pelo próprio, em parceria com o pianista e produtor musical Chicão,
o disco alinha com a pop experimental contemporâneo e é o primeiro trabalho
de Lineker enquanto autor.
Neste álbum a voz do cantor desdobra-se em coros, contrapontos e ostinatos
que se somam a formações instrumentais, as quais variam entre baixo, bateria,
clarinetes, clarones, guitarras, kalimba, teclados, violas e programações
eletrônicas.
Seus grandesmentores na música são mulheres: a principal delas, Elis Regina,
além de Clara Nunes, Maria Betânia, e mais recentemente a cantora e
compositora islandesa Björk, por quem, segundo o próprio, anda um pouco
"obcecado".

AS BAHIAS E A COZINHEIRA MINEIRA – BIXA (32:16)
Lançamento: 01 Setembro 2017 / Label: Pommelo
Para as Bahias e a Cozinheira Mineira, Neste seu último trabalho, Bixa, o ponto de partida foi Caetano Veloso e seu Bicho, disco de 1977.
Pelas palavras de Raquel Virgínia uma das cantoras transexuais da banda “Olhamos para a música brasileira como um baú, que a gente abre e é muito rico”.
“Em relação ao Bicho do Caetano, entendemos que nosso disco também trazia alegorias com o reino animal, que havia uma ligação entre os dois trabalhos. Não é algo saudosista, é uma digestão, uma absorção orgânica. Bixa reverencia a obra do Caetano, mas não é presa a ela”.
Em Bixa, a bandeira da diversidade é hasteada sem deixar a música para segundo plano.

JOHNNY HOOKER – CORAÇÃO (39:25)
Lançamento: 23 Julho 2017 / Label: Jdm Music
Nascido John Vicent Donovan, Johnny Hooker é descendente de irlandeses e nunca escondeu suas referencias artísticas e musicais. Do pop ao tropicalismo, sempre exibiu uma predileção por David Bowie e Caetano Veloso. Referências essas que de facto ficam ainda mais nítidas em Coração.
Levando à risca um projeto musical diverso, o cantor continua a apresentar neste trabalho, uma variada gama de ritmos. 
Um misto de crueza, drama e bom humor, é fórmula que nos acompanha durante toda a audição da obra.

DISCOCRACIA 18 -  (A Importância de se chamar Ernesto ) -  Dia 11/05/2018

A Importância de se chamar Ernesto, é uma peça do escritor/dramaturgo/poeta irlandês Oscar Wilde. Hoje considerada uma obra-prima teatral, estreou nos palcos londrinos por volta de 1895
A comédia começa pelo título, que no original é The Importance of Being Earnest.
Por “earnest” entendemos “honesto”, o que em si é um termo homófono a “Ernest”, nome próprio pelo qual se ficou a tradução, isto é, em português Ernesto, o nome do protagonista. 
Má escolha da tradução, desvirtuou a essência da coisa.
Vem tudo isto a propósito, da importância da escolha dos nomes e do seu significado.
Escolher o melhor título para um disco desempenha um papel importante na definição do álbum. Seja ele uma frase aleatória, um título de uma canção do álbum, ou um título do mesmo nome da banda (homónimo).
A propósito de álbuns homónimos, a discussão está em aberto, mas tendencialmente, estes são os melhores álbuns das bandas. A explicação talvez seja simples. Têm mais a ver com a essência da coisa. São genuínos.

LINDA MARTINI – LINDA MARTINI (45:22) 
Lançamento: 16 Fevereiro 2018 / Label: Sony Music
2018 traz-nos agora o novo álbum da banda, homónimo. Pesado, duro e arriscado, Linda Martini reflecte as melhores capacidades da banda: composição, talento musical e capacidade de arriscar. 
Apesar do crescimento a nível nacional, os Linda Martini mantém a mesma identidade, algo que pode ser testemunhado da primeira à última faixa.
Os Linda Martini estão a conseguir outra coisa: elevar os estilos musicais que sempre foram de nichos a um patamar universal, cruzando a música tipicamente portuguesa com o que de melhor se faz por esse mundo fora, criando uma nova identidade musical.

X-WIFE – X-WIFE (38:50)
Lançamento: 06 Abril 2018 / Label: Blackout Records
A banda de João Vieira, Rui Maia e Fernando Sousa lançou recentemente um álbum homónimo, o seu 5º de originais. Com 15 anos de estrada, os X-Wife continuam a surpreender com uma sonoridade electrizante e temas cuidadosamente trabalhados em estúdio.
A cultura pop está entranhada neles, continuam com a cabeça cheia de discos (os Suicide, os Roxy Music, os Kraftwerk, o Bowie, os LCD Soundsystem, entre tantos outros).

DISCOCRACIA 17 -  (O EXPERIMENTAR ) -  Dia 27/04/2018

Edição de DISCOCRACIA é dedicado à memória de Alan Turing.
Ao Punk é normalmente atribuído o conceito de subversão, mas haverá coisa mais (perigosa) no mundo, de que, “o experimentar”?
Por vezes, a música eletrónica ainda enfrenta algum preconceito quando é subestimada pela aparência “menos verdadeira” da sua génese maquinal.
Na Música Contemporânea, a combinação entre clássica e eletrónica está tão proximamente interligada que é difícil, determinar o que é o quê.


10000 RUSSOS – DISTRESS DISTRESS (39.26) 
Lançamento: 24 Novembro 2017 / Label: Fuzz Club Records
Não é nada fácil misturar psych, com industrial, post punk e algum experimentalismo e dai resultar algo atraente e agradável aos ouvidos. 
São seis os percursos que compõem esta viagem. São faixas compridas e complexa. A sua densidade acompanha atmosferas negras, pesadas e distorcidas. A voz de fundo surge em contrabalanço com a intensidade que o corpo sente ao saborear cada ritmo e acorde.
Estes 10000 Russos são vertigem eléctrica, ruído xamânico conjurando o espírito dos Neu! e dos Spacemen 3.

CITIZEN:KANE & HOBO – LO-FI EXPEDITIONS (42:36)
Lançamento: 29 Maio 2017 / Label: Fungo.pt
A Obra une dois produtores, Marco Guerra, como Citizen:kane e Zé Diogo Mateus, como Hobo. Os 2 gravitam em volta do trabalho persistente e meritório da promotora e editora Fungo.
Esta colaboração resulta numa música alienígena, fascinante e mais indicada para a contemplação extática (e estática) do que para as pistas de dança.

 

DISCOCRACIA 16 -  (Era uma vez um país) -  Dia 20/04/2018

No dia 25 de Abril de 1974 Portugal terminava definitivamente com meio século de opressão, medo e atraso.No dia anterior a rádio foi a “senha” para o arranque simultâneo dos militares que decidiram acabar de uma vez por todas com uma ditadura que definhava o País. 

A "senha", constituída pela canção Grândola, Vila Morena, de José Afonso, foi para o ar no programa Limite da Rádio Renascença, à meia-noite e vinte, antecedida da leitura da sua primeira quadra.
Era o arranque sincronizado e irreversível das forças do MFA (Movimento das Forças Armadas).
O Rádio Clube Português é ocupado por militares e transformado no posto de comando do «Movimento das Forças Armadas» - por este motivo a emissora fica conhecida como a “Emissora da Liberdade”.
Portugal foi, nessa altura, um verdadeiro laboratório de análises sociais e políticas. 
Lugar de fascínio para uns, mas também de fortes receios para outros, atendendo à nossa especial posição geopolítica e geo-estratégica, fomos, naqueles breves, mas intensos e exaltantes meses, notícia de primeira página um pouco por todo o mundo, mas sobretudo na Europa, nessa velha Europa que, no dizer de Eduardo Lourenço, "queríamos revolucionar e que, diga-se de passagem, julgou que ia revolucionar-se connosco”.

Utopia ou não! Talvez um dia!..

SÉRGIO GODINHO – NAÇÃO VALENTE (33.30) 
Lançamento: 26 Janeiro 2018 / Label: Universal Music Portugal
Nação Valente, o novo álbum de Sérgio Godinho, para o qual foram convidados músicos como David Fonseca, Márcia e José Mário Branco, assina em Nação Valente, todas as letras, excepto Delicado, um original de Márcia, mas apenas duas músicas, sendo as restantes escritas por Hélder Gonçalves, David Fonseca, José Mário Branco, Nuno Rafael, Filipe Raposo e Pedro da Silva Martins. 
Esta diversidade será mérito de Sérgio, que se apropria das canções de forma a torná-las suas, no som e na forma, mesmo a de Márcia, mas também de Nuno Rafael, que garante com excelentes resultados a produção e a direcção musical do disco. 
Ouvir Nação Valente torna-se, por isso, viciante: cada tema, ainda que nos soe como novidade, parece pertencer há muito a um lote de canções eleitas. Poucos discos o conseguem.

DEAD COMBO – ODEON HOTEL (47:23)
Lançamento: 13 Abril 2018 / Label: Sony Music
Uma das características que salta a à vista neste trabalho, é o recurso à bateria como instrumento principal, o que faz de Odeon Hotel "um álbum muito mais rock", como o caracteriza Tó Trips. 
Outra das novidades, é a inclusão de um vocalista, nada mais nada menos do que o cantor americano Mark Lanegan, convidado para interpretar o tema I Know, I Alone, feito a partir de um poema, com o mesmo nome, da autoria de Fernando Pessoa.
Para o músico, o facto de os Dead Combo, serem apenas uma banda de dois elementos "acaba por tornar o trabalho mais limitado", mas também "torna mais fácil essa abertura para a mudança". A grande dificuldade da continuidade, afinal, passa mesmo por inovar em algo que já se faz há muitos anos. 
"Todas as bandas passam por isto, e é saudável, especialmente em projetos como o nosso, que criam uma identidade muito própria, poder vir alguém de fora para nos alargar horizontes. Ter uma identidade é importante, mas com o tempo isso também acaba por funcionar como um muro que não nos deixa ir mais além", defende Tó Trips.

PAUS – MADEIRA (32:17)
Lançamento: 06 Abril 2018 / Label: Sony Music
Hélio Morais, Makoto Yagyu, Fábio Jevelim e Quim Albergaria são os PAUS. Um baixo, teclados e uma bateria siamesa.
Madeira, a ideia de uma ilha que flutua e não tem sítio certo na geografia, uma ilha esquecida por um continente e de tão feliz por estar esquecida que se encontra na interceção das Américas, África e Europa, pareceu-lhes naturalmente um retrato preciso do som que estavam a ouvir. 
Um mapa com fronteiras apagadas, uma ilha que se deixa levar e gosta de quem quer e está sempre à espera do barco é a forma como os PAUS olham para a Madeira e para si próprios, enquanto plataforma criativa.

DISCOCRACIA 15 -  (Noite de espanto) -  Dia 13/04/2018

Espanto, susto ou assombro?
Espanto! Enquanto susto, pavor, temor…medo
O medo que nos fascina.
Dizem ser uma Emoção Universal. 
Assim que o Ser Humano nasce, o Medo vem agarrado à sua mente, pronto a entrar em ação a qualquer momento. 
Só precisa de um pretexto, de um pequeno pretexto…Sem qualquer manual de instrução ou interpretação o Ser Humano toma contacto com esta emoção e sem saber o que lhe está a acontecer tenta balancear a mesma, procurando a sua zona de conforto ou pensando em algo mais prazeroso. 
O Medo é tão válido e essencial como qualquer outra emoção. 
O Medo é capaz de nos levar ás profundezas da nossa mente, mas também de nos levar ao encontro do nosso Eu criativo. Sem o Medo a vida não teria o mesmo valor, o mesmo sabor…
Por isso tenham Medo…

O espanto enquanto assombro, pasmo, fascínio…admiração 
Na origem do pensamento está o espanto.
Segundo Sócrates É absolutamente de um filósofo esse sentimento: espantar-se. A filosofia não tem outra origem…

Na teoria da banalidade do mal, a filosofa alemã Hannah Arendt baseada no julgamento de Adolf Eichmann, o carrasco nazi, concluiu, que a trivialização da violência corresponde ao vazio de pensamento.
Para Arendt, o mal de nosso tempo, está naqueles que não se espantam com mais nada.

Espanto, enquanto assombro ou susto? Tanto faz é fascínio!
Espantem-se. Sempre!

MOONSPELL – 1755 (51.12) 
Lançamento: 03 Novembro 2017 / Label: Napalm Records
A cumprir com a tradição de surpreender os fãs, os Moonspell lançaram um álbum que nos enche o coração e estremece a alma, 1755, obra lançada a 03 de Novembro de 2017, faz ecoar no espaço nacional, todas as vozes que não foram ouvidas no trágico terramoto de 1 de Novembro de 1755.
A Banda nacional, composta por, Fernando Ribeiro, Ricardo Amorim, Pedro Paixão e Aires Pereira, dispensa apresentações em território Lusitano.
1755, conta o relato do terramoto de Lisboa de uma forma nunca antes pensada. Se achamos que a versão ensinada nos livros de história tinha impacto, este albúm vem revolucionar o nosso pensamento. Lê-se na critica especializada.

BIZARRA LOCOMOTIVA – ALBUM NEGRO (58:21)
Lançamento: 13 Outubro 2017 / Label: Rastilho Records
A Rastilho Records reeditou em 2017 o já considerado clássico "Álbum Negro" de 2009, dos Bizarra Locomotiva. 
Angustiante, este “Álbum Negro” simboliza a eterna e sombria claustrofobia dos Bizarra Locomotiva; uma negritude arrepiante que percorre de um estranho prazer as 14 faixas do disco. Quase sempre de uma densidade furiosa, “Álbum Negro” acentua a posição de charneira dos Bizarra Locomotiva no panorama da electrónica industrial nacional. O ódio e a dor estão de volta, com uns Bizarra Locomotiva iguais a si mesmos. Pujantes. Lia-se na critica especializada em 2009.

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DISCOCRACIA 14 -  (HOJE, NÃO HÁ MISSA, NÃO HÁ HOMILIA) -  Dia 30/03/2018

Sabia, que Na Igreja Católica, a missa pode ser celebrada todos os dias, excepto na Sexta-feira Santa.
A DISCOCRACIA embora não comungando, respeita e consagra a Sexta Feira da Paixão, a duas excelentes e recente obras musicais, que estão a marcar música contemporânea.
Estas duas obras foram apresentadas na integra e sem comentários.

LAURIE ANDERSON & KRONOS QUARTET – LANDFALL (1:09:34)
Lançamento: 16 Fevereiro 2018 / Label: Nonesuch
Laurie Anderson e os Kronos Quartet apresentam-nos uma obra essencialmente instrumental, densamente povoada de ambientes electroacústicos.
Enquanto, os Kronos Quartet elevam a sua arte orquestral a níveis épicos, Laurie Anderson está por detrás do restante e aqui o restante é o quase tudo: Voz, Violino, Keyboards, Samplers, Percussões e Programação.
É bem provável, que Lou Reed, tal como no seu documentário de Heart of a Dog esteja aqui a ser evocado. Faz sentido.

W. A. MOZART: REQUIEM EM RÉ MENOR, K626 (45:55)
Lançamento: 27 Outubro 2017 / Label: Harmonia Mundi
Sophie Karthauser, Marie-Claude Chappuis, Maximilian Schmitt e Johannes Weisser (vozes solistas)
Freiburger Barockorchester, RIAS Kammerchor, René Jacobs, direcção
(45:55)
Lançamento: 27 Outubro 2017 / Label: Harmonia Mundi
Este álbum recentemente lançado, oferece uma nova leitura de uma das mais célebres obras que o genial compositor austríaco não chegou a concluir.
O trabalho que Sussmayr empreendeu ao terminar a partitura de Mozart foi agora refeita pelo jovem arranjador Pierre-Henri Dutron.
O resultado final foi uma orquestração mais ligeira e actual, aqui com a assinatura interpretativa do contratenor e maestro Flamengo, René Jacobs.

DISCOCRACIA 13 -  (NÃO DESISTE, NEGRA, NÃO DESISTE!) -  Dia 23/03/2018

Mariella Franco, assassinada "por ser preta, mulher, lésbica, favelada" e "ousar ocupar o lugar das elites" é agora "a bandeira" da luta pelos direitos humanos. A emissão de Discocracia é dedicada a esta mulher, as balas não podem calar a democracia, é preciso dar voz a quem não a tem. E porque é preciso gritar bem alto: 
"Não desiste, negra, não desiste!"

PRETA RARA – AUDÁCIA (34:51)
Lançamento: 21 Setembro 2015 / Label: OQProduções
Preta Rara vem de Santos. Preta Rara vem do rap. Preta Rara é mulher, e mulher negra. Com o dom da palavra e da poesia do “repente-do-rap”, Preta-Rara, no alto de seus 30 anos, ingressa na carreira solo, trazendo consigo a acidez que mergulha nas entranhas que escondem nossas mais puras mazelas – e preconceitos.
Audácia é um nome muito propício ao disco. Depois de 7 anos no grupo feminino Tarja Preta, Joyce Fernandes, a Preta-Rara, seguiu o valioso incentivo de Criolo, que a instruiu a seguir carreira a solo. Produzido por Iuri Stocco, do estúdio CoisaSimples, Audácia contém oito músicas e dois poemas. Nele, Preta Rara apresenta relatos bem sinceros sobre ser mulher e negra em um país onde, apesar de predominantemente negro e feminino, ela é ensinada a viver à margem do mundo, quase como um corpo estranho.

ELZA SOARES – O FIM DO MUNDO (42:40)
Lançamento: 23 Junho 2017 / Label: Mais Um Discos
O Fim do Mundo (Remixes) é um presente da muito acarinhada Elza Soares, a grande diva do jazz brasileiro.
Foi preciso chegar aos 80 anos de idade para ser ouvida pelo mundo.
Esta é a expressão de uma pessoa oprimida pela violência doméstica e não só.
A música do álbum original, foi remisturada por 14 artistas, entre eles DJ Marfox e Nídia Minaj, da Príncipe Discos.
No meio dos diferentes recriadores d’A Mulher do Fim do Mundo encontramos também outros nomes conhecidos como o do francês Gilles Peterson e o brasileiro Kiko Dinucci, guitarrista da Elza Soares, que lançou este ano a longa duração Cortes Curtos. Para descoberta sobram Omulu, Laraaji e Marginal Men, também eles protagonistas de excelentes remisturas.

MC CAROL – BANDIDA (26:16)
Lançamento: 28 Outubro 2016 / Label: Heavy Baile
MC Carol, nome artístico de Carolina de Oliveira Lourenço tornou-se conhecida por juntar, à sua música, poesia com temáticas sociais feministas e canções de duplo sentido onde o sexo é abordado de forma explícita.
Bandida é o nome do seu 1º trabalho.
“Eu conheci o inferno, conheci a invisibilidade, conheci pessoas que se aproveitam do seu sofrimento para te pisar mais um pouquinho, conheci pessoas que te oferecem drogas para usar e vender. Eu optei a bebida.”
Assim é Carol, Nua e Crua.

DISCOCRACIA 12 -  (DUM DIVERSAS) -  Dia 16/03/2018

"Amável Donzela", "Boa Intenção", "Brinquedo dos Meninos", "Caridade", "Feliz Destino", "Feliz Dias a Pobrezinhos", "Graciosa Vingativa", "Regeneradora", são alguns dos nomes dos barcos de negreiros portugueses. Mas será que para além deste nomes de mau gosto, "terão contribuído os portugueses, decisivamente para o surgimento da música negra?" A esta pequena provocação, o Mano Jorge respondeu ao longo da edição 12 de DISCOCRACIA. No final, talvez se conclua, que "os seres humanos não vivem sem esperança, mas também não vivem sem arte".

YOUNG FATHERS – COCOA SUGAR (36:48)
Lançamento: 09 Março 2018 / Label: Ninja Tune
Cocoa Sugar é o 3º album dos escoceses Young Fathers.
Vencedores do Mercury Prize, prémio que consagra o melhor álbum do Reino Unido e Irlanda, em 2014 com Dead, as suas raízes estão ligadas ao Hip-Hop e lembram os momentos aúreos do Trip-Hop, embora os Young Fathers possuam uma estética própria, um Soul mais industrial e electrizante, com incursões na electrónica experimental.
Cocoa Sugar está fora dos cânones estruturais da música actual e é um hino à liberdade criativa.

THUNDERCAT – DRUNK (51:24)
Lançamento: 24 Fevereiro 2017 / Label: Brainfeeder
1 – Lava Lamp
Drunk é o terceiro álbum do baixista, produtor e compositor californiano, Stephen Bruner, mais conhecido por Thundercat.
O álbum tem 23 faixas de curta duração e conta com as participações de nomes consagrados, como Kendrick Lamar, Pharrell Williams, Wiz Khalifa, Michael McDonald e Kenny Loggins.
A produção é de Thundercat em parceria com Flying Lotus
Thundercat, trouxe para Drunk, todas as complexidades do jazz e do soul, numa música carregada de humanidade.
Estamos perante um disco virtuoso.

DISCOCRACIA 11 -  (TEODORO VAMOS AO SONORO) -  Dia 09/03/2018

O medo à mudança, nos tempos iniciais do cinema, tem expressão numa canção, cantada por Corina Freire e que fez parte do Teatro de Revista “O Mexilhão”: “ Teodoro Não Vás ao Sonoro”. Nesta edição de DISCOCRACIA, Mano Jorge partiu da ideia, que afinal o cinema nunca foi totalmente mudo.

THE HELIOCENTRICS – THE SUNSHINE MAKERS (46:02) 

Lançamento: 30 Junho 2017 / Label: Soundway
The Sunshine Makers é um documentário sobre os químicos Tim Scully e Nick Sand.
Scully e Sand não são nomes conhecidos do grande público, mas o produto que eles criaram há pouco mais de 50 anos é um dos mais famosos da famosa contracultura: o Orange Sunshine, o ácido lisérgico mais conhecido dos anos 1960.
Para compor a banda sonora do documentário, The Sunshine makers, foi convidado o Colectivo britanico, The Heliocentrics.
Os seus acordes psicodélicos, misturando funk, jazz e acid-rock, não podiam estar mais em sintonia com a temática do filme, a história do LSD no seio da “Contracultura” americana dos anos 60.

PREVENGE (ORIGINAL SOUNTRACK) – MUSIC BY TOYDRUM (46:14)
Lançamento: 24 Fevereiro 2017 / Label: Because Music
Alice Lowe é a protagonista, argumentista e estreia-se como realizadora em Prevenge, um filme sanguinário sobre uma mãe que obedece aos desejos macabros e psicóticos do feto que carrega no ventre.
Toydrum, dupla de música eletrónica, foi formada em 2011 pelos membros da banda Unkle, Pablo Clements e James Griffith.
A dupla editou, Distant Focus Vol 1 em 2014 e Evangelist em 2015.
Para a paisagem sónica de Prevenge, a dupla Toydrum traz uma qualidade apropriadamente desconcertante à ação, conseguindo ilustrar musicalmente o estado psíquico da anti-heroína do filme.

DISCOCRACIA 10 -  (AUTOMEDICAÇÃO) -  Dia 02/03/2018

MINT FIELD – PASAR DE LAS LUCES (1.04:13)
Lançamento: 23 Fevereiro 2018 / Label: Innovative Leisure
Estrela Sanchez e Amor Amezcua têm vinte e um anos e são oriundas de Tijuana, no México. Saltaram o muro e gravaram o seu álbum de estreia, Pasar De Las Luces, do outro lado da fronteira, em Detroit, no Michigan, para a editora Innovative Leisure.
O Album foi produzido por Christopher Koltay, produtor independente e membro do grupo de rock experimental Akron/Family.
As treze faixas deste álbum, Pasar De Las Luces, abrangem sons facilmente conectados com o universo psicadélico, post-rock, shoegaze e krautrock e evidenciam um talento musical, que se aprende com os antigos mestres, embora não se refugie no passado.
Os sintetizadores de Amezcua e os vocais de Sanchez criam a banda sonora perfeita para mergulharmos, limpar a cabeça de preocupações terrenas e flutuarmos através do universo interminável das emoções humanas.

THE LIMIÑANAS – SHADOW PEOPLE (39:10)
Lançamento: 19 Janeiro 2018 / Label: Because Music
The Limiñanas são uma banda Francesa de Perpignan, composta pelo multi-instrumentista Lionel e por Marie Limiñana na bateria e vocais. Conheceram-se aos 17 anos, apaixonaram-se e não mais se separaram. A sua cumplicidade alargou-se à música.
Em Shadow People, no seu quinto álbum de originais, os The Limiñanas, continuam a utilizar as fórmulas que já tomam como suas desde 2010, ano em gravaram o seu homónimo e 1º álbum de originais.
Poderia ser um argumento contra a sua qualidade, mas há todo um universo a explorar dentro do grande género onde se inserem, o Rock Psicadélico com tonalidades de hipster francês.

DISCOCRACIA 09 -  (PÓS SATURAÇÃO) -  Dia 23/02/2018

DO MAKE SAY THINK – STUBBORN PERSISTENT ILLUSINS (1.00:47)

Lançamento: 19 Maio 2017 / Label: Constellation

Ao fim de 8 anos de ausência os canadianos “Do Make Say Think” estão de regresso com um excelente álbum instrumental, “Stubborn Persistent Illusions”.

Nele podemos encontrar toda a dramaticidade cinematográfica do amor e do ódio, da violência e da paz, sempre presentes ao logo da Obra, bem assim como os elementos musicais essenciais do Post-Rock, baseados no Rock Alternativo e Jazz. A música dos “Do Make Say Think” aqui sentida, transmite a sensação de que, algo de grandioso está por acontecer.

Não é por acaso que a capa do álbum nos faz lembrar as descobertas no “Novo Mundo”.

SLOWDIVE – SLOWDIVE (45:56)

Lançamento: 05 Maio 2017 / Label: Dead Oceans

Os Ingleses “Slowdive”, banda de culto dos anos 90, estão de regresso após 22 anos de inactividade discográfica e de uma longa espera para todos nós. Com eles estão de volta os profundos mergulhos na melancolia, que aconchegam sem entristecer.

Os Slowdive estão de volta. Resta-nos disfrutar do momento. Basta penetrar no seu intenso e denso universo, pleno catalisador de emoções.

DISCOCRACIA 08 -  (IDADE MAIOR) -  Dia 26/01/2018

Idade Maior 1 Thurston Moore Rock n roll Consciousness

THURSTON MOOREROCK N ROLL CONSCIOUSNESS (42:56)

Lançamento: 28 Abril 2017 / Label: Caroline

THURSTON MOORE – ROCK N ROLL CONSCIOUSNESS (42:56)
Lançamento: 28 Abril 2017 / Label: Caroline

É quase impossível, falar de Thurston Moore sem falar nos Sonic Youth, um dos grupos mais influentes do rock das últimas décadas.
Neste trabalho de 2017, 2 dos elementos essenciais, da construção musical de Thurston, a guitarra e voz, rementem-nos para os “Sonic”, mas a estrutura e dimensão das composições, são abordadas de um modo diferente, e as letras são marcadamente de teor intimista.
O modo de iniciar, e acabar as músicas, também soa aqui de um modo diferente. Ficamos a saber como inicia a viagem, não sabemos, quando, e como vai terminar.

Idade Maior 2 Afghan Whigs In Spades

AFGHAN WHIGS – IN SPADES (36:20)
Lançamento: 05 Maio 2017 / Label: Sub Pop

É impossível falar dos “Afghan Whigs” sem falar do seu líder Greg Dulli, um dos mais eloquentes “frontment” do rock, devido ao seu provocante comportamento em palco e não só!..
Dulli, descreve este último trabalho de 2017 “In Spades” como «assustador» e como a vida e a memória podem num ápice colidir.
Nunca a música dos “Afghan Whigs” serviu tão bem o lado “noir” de Dulli, como neste “In Spades”.

Idade Maior 3 Mark Lanegan Band Gargoyle

MARK LANEGAN – GARGOYLE (41:12)
Lançamento: 28 Abril 2017 / Label: Heavenly, PIAS
Mark Lanegan vai-se aprimorando com a idade. Este “Gargoyle” tem a força e a serenidade interpretativa, para que se possa ir associando o seu nome, a ícones como Nick Cave ou Tom Waits.
Mark revelou recentemente, que embora escreva melhor do que há 15 anos atrás, prefere trabalhar as suas canções em colaboração com outros músicos. “Quando vejo as coisas sob a perspectiva de outras pessoas é bem mais excitante para mim, do que deixar-me estar a trabalhar sozinho”.
E ainda bem, porque neste álbum, fazem parte nomes como Josh Homme dos “QotSA” e Greg Dulli dos “Afghan Whigs”.

DISCOCRACIA  07 -  (SONS DA FRENTE) -  Transmitido a 19/01/2018

Som da Frente 1 Shame Songs of Praise

Songs of Praise é o álbum de estreia dos britânicos Shame.
Se Londres foi o berço do punk europeu, o distrito de Brixton foi e continua a ser o seu centro espiritual.
Os Shame pertencem a esse apelidado Bairro do Povo em Londres e são uma prova de que a música analógica, feita com base no velho som das guitarras não está morta.
Songs Of Praise é simultaneamente uma estreia impetuosa e ousada, de uma banda, que pode ter algo de novo a dizer, no mundo musical.

 Som da Frente 2 Jeff Rosenstock Post

JEFF ROSENSTOCK – POST (40:06)
Lançamento: 02 Janeiro 2018 / Label: Polyvinyl Record Company

Post, é o mais recente trabalho de Jeff Rosenstock, músico e compositor norte americano de Long Island.
Power Pop na sua essência musical, o álbum é um manifesto politico introspectivo.
As letras incendiadas e os ritmos revoltos, assumem uma atitude política proeminente evocando em silencio, não só a personagem americana mais incontornável do último ano, mas também a multidão queo elegeu.
Post funciona como catarse para Rosenstock. Tentar perceber o que pensa, o que faz e porque o faz, quem se cruza connosco anonimamente e depois como viver o dia a dia em sociedade, é um desafio permanente.

Som da Frente 3 Veenho Veeenho

VEENHO – VEEENHO (16:33)
Lançamento: 05 Novembro 2017 / Label: Xita Records

Os Veenho com 2 e’s são, António Eça, Martim Brito, Xixo e Pedro Valera.
Este 2º EP Veeenho com 3 e’s, foi produzido por Gonçalo Formiga e gravado para a editora independente Xita Records.
Os Veenho são a prova viva de que o rock alternativo com som de garagem, não morreu em Portugal. A estética e a atitude punk andam por aqui, em Lisboa.

 

DISCOCRACIA 6 -  (A ESTÉTICA DA FALHA) -  Transmitido em 12/01/2018

ARCA – ARCA (43:10)
Lançamento: 07 Abril 2017 / Label: XL Recordings

O músico e produtor venezuelano, Alexandro Ghersi (vulgo Arca), tem sido o principal impulsionador das aventuras mais experimentalista de Kanye West, Kelela ou Bjork.
Neste seu terceiro álbum, aventura-se (e ainda bem) na vocalização.
Este é um álbum feito de oposições, confrontos e extremamente rico em substância criativa.
O seu conteúdo, cria um temático e intenso “suspense” sonoro.
A sua audição é um desafio aos sentidos.

BJÖRK – UTOPIA (1.11:38)
Lançamento: 24 Novembro 2017 / Label: One Little Indian

Dois anos depois de um álbum “Vulnicura”, que simbolizava o cepticismo, a islandesa renasce com a preciosa ajuda de Arca.
Neste novo álbum ouvem-se flautas, pássaros, coros celestiais e ruído industrial, as fotos mostram Björk em avatar híbrido mulher-homem-planta-animal-cerâmica-kitsch-brinquedo-fetichista (já lhe chamaram avant drag). Utopia faz parte de um processo de transformação, ou transmutação, em que Björk quer celebrar a vida e a natureza, o amor e sexo, dar vida a uma fantasia telúrico-tecnológica com fundamentos políticos.

DISCOCRACIA 5 - (FILOSOFIA CÓSMICA) - Transmitido em 05/01/2018

THE COMET IS COMING – CHANNEL THE SPIRITS; SPECIAL EDITION (1:10:55)
Lançamento: 23 Agosto 2017 / Label: Leaf

Esta edição especial de Channel the Spirits, reúne o Album de 2016, Channel the Spirits, o EP de 2015 Prophecy e 3 faixas nunca antes editadas, as Ancient Tapes.
Aqui, o jazz, enquanto indomável força de exploração sónica, ao incorporar elementos de Funk, Electrónica, Rock Psicadélico e Afrobeat, encontra nestes géneros musicais, as suas possibilidades de expansão.
Channel the siprits é considerado pela imprensa especializada, um álbum revolucionário e pela editora Leaf, um “Documento Profético”.

Filosofia Csmica 2 Hieroglyphic Being Sarathy Korwar Shabaka Hutchings A.R.E. Project 2017

HIEROGLYPHIC BEING, SHARATY KORVAR & SHABAKA HUTCHINGS – A.R.E. PROJECT (25:12)
Lançamento: 05 Agosto 2017 / Label: Technicolour

Provavelmente um dos músicos mais prolíficos e inspiradores do Reino Unido, Shabaka Hutchings emprestou o seu toque de saxofone a uma série de projectos de jazz cósmico/psicadélico.
A.R.E. Project, é uma colaboração improvisada e única entre Hutchings, Hieroglyphic Being e Sarathy Korwar.
Este EP foi gravado, durante uma performance ao vivo de duas horas, a bordo de um navio, ancorado no Tamisa.
As notas do saxo cósmico, fundem-se com a música folclórica indonésia e com a musica eletrónica da era espacial, daqui resultando, um som verdadeiramente único.

DISCOCRACIA 4 (AS BESTAS NÃO SONHAM) - Transmitido em 29/12/2017

THE NATIONAL – SLEEP WELL BEAST (57:40)
Lançamento: 08 setembro 2017 / Label: 4AD

Sleep Well Beast é o sétimo álbum de originais dos The National.
É o trabalho mais maduro e experimental da carreira da banda norte americana.
As canções mesmo falando de amor, acabam por ter teor político.
Os National não “conseguem separar a política das emoções” porque segundo os próprios, a primeira afecta a segunda e as letras deste trabalho, refletem a instabilidade que se vive na era Trump. A banda apoiou Barack Obama e Hillary Clinton na corrida à presidência dos EUA, não está satisfeita com o atual Presidente e o descontentamento moldou este disco.
O desconforto confortável está de volta

LCD SOUNDSYSTEM – AMERICAN DREAM (1.08:55)
Lançamento: 01 setembro 2017 / Label: DFA

American Dream, marca o regresso aos discos dos LCD Soundsystem, após 7 anos de pausa premeditada.
O álbum, sempre bem compassado e sublimemente produzido, é profundamente marcado por uma atmosfera negra que, de resto, remete para ambientes contíguos àqueles que Bowie introduziu no seu último Blackstar.
Não é, aliás, por acaso que a faixa que encerra o disco - Black Screen - é, na verdade, uma homenagem ao cantor britânico, como também não será inocente o facto de haver uma colagem óbvia de Call the Police ao universo de Bowie.
American Dream abre as portas a um admirável mundo novo de canções surpreendentes.

 

DISCOCRACIA 3 (SUBVERSÕES) - Transmitido em 22/12/2017

 

ALGIERS – THE UNDERSIDE OF POWER (44:24)

Lançamento: 23 junho 2017 / Label: Matador

Os Algiers aconselham a desconfiar do poder, mas com esperança.
O nome da Banda é uma homenagem a um local histórico, chave da luta anticolonial, simbolizando um espaço idealista onde, a violência, o racismo, a religião, a resistência e a esperança se misturam.
Os Algiers combinam elementos pós-punk e no wave com blues e gospel, com passagens pela música industrial.
The underside of Power de 2017, é um álbum fascinante, com forte mensagem política.

ALAN VEGA - IT (52:16)
Lançamento: 14 Julho 2017 / Label: Fader Label

IT é a herança que Alan Vega nos delega.
Em IT, Album Póstumo de 2017, o ex-Suicide que nos deixou em 2016 com 78 anos, aborda como sempre, o pesadelo americano na sua verdadeira essência.
IT é o testemunho musical do Proto-punk, que influenciou mais do que vendeu.
Vega deixa-nos com uma crónica do medo, da violência e do terror do quotidiano.
Inquietante.

 

DISCOCRACIA 2 (PEREGRINAÇÕES) - Transmitido em 15/12/2017

 ANTOLOGIA DE MÚSICA ATÍPICA PORTUGUESA (42:58)

VOLUME 1, O trabalho. 

Lançamento: 27 Janeiro 2017 / Label: Discrepant

O espírito de Michael Giacometti anda por aqui, cruzado com os olhares contemporâneos, vindos do jazz, do noise e da electrónica.
Gonçalo F. Cardoso, Negra Branca, Live Low, Calhau!, Peter Forest, EITR, Luar Domatrix, Gonzo, Tiago Morais Morgado, Filipe Felizardo, colaboraram neste projecto, editado em 2017.
O mote é a desconstrução musical do trabalho

LIVE LOW- TOADA (39:00)

Lançamento: 17 Outubro 2016 / Label: Lovers & Lollypops

“TOADA” é o longa duração de estreia em 2017 do projecto portuense “LIVE LOW”. 
Os Live Low que também colaboraram na Antologia Atípica, procuram o que resta da música tradicional, à luz da electrónica exploratória. Têm como ponto de partida, não só as recolhas da tradição musical portuguesa feitas por Giacometti, mas também a herança musical daqueles que a trabalharam condignamente como Fausto ou José Afonso.

JOÃO HASSELBERG & PEDRO BRANCO – “FROM ORDER TO CHAOS” (26:10)

Lançamento: 17 Outubro 2016 / Label: Clean Feed

E depois de “Toada” dos “Live Low”, viramos as agulhas para a próxima peregrinação:
o contrabaixista João Hasselberg e o guitarrista Pedro Branco.
“From Order to Chaos” é um pequeno grande álbum de 2017, com pouco mais de 26 minutos e foi gravado no Auditório Municipal do Seixal. Recheado de excelentes músicos, exemplo do agora muito badalado, pianista e compositor de jazz, Luís Figueiredo, criador dos arranjos de “Amar Pelos Dois”, “From Order to Chaos” deambula entre o Jazz e o Pop/Rock, criando uma atmosfera sensorial apelativa.

DISCOCRACIA 1 (SONS DO SAHEL) - Transmitido em 8/12/2017

GIRMA BÈYÈNÈ, AKALÉ WUBÉ – MISTAKES ON PURPOSE (1.06:33)
Lançamento: 13 Janeiro 2017 / Label: Heavenly Sweetness

O cantor e pianista Girma Bèyènè, regressa ao mundo da música ao lado do quinteto Akalé Wubé, com o álbum “Mistakes on purpose”.
O álbum integra a famosa coleção “Ethiopiques”, da era de Ouro da música etíope moderna.
Girma compositor de Adis Abeba, surgiu na década de 1960 e foi um dos mais criativos e activos da sua geração. O álbum imortaliza a sua reaparição, após 25 anos de afastamento dos palcos.

TINARIWEN – ELWAN (46:07)
Lançamento: 10 Fevereiro 2017 / Label: ANTI

Os Tinariwen são hoje um dos mais conhecidos grupos da World Music.
Em Elwan elevam a fasquia, colaborando com Kurt Vile, Mark Lannegan, entre outros instrumentistas para criar um dos mais belos álbuns de Tishoumaren, o estilo musical que mistura blues com folk da África Ocidental.
Elwan é um álbum poderoso, fala sobre os valores de ascendência, unidade e companheirismo, impulsionados pelos sons cíclicos da guitarra.

 

 

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