DISCOCRACIA 33 -  (“BLACKOUT”) - Dia 5/10/2018

A Discocracia irá provocar hoje aqui e agora e ao vivo um blackout nos próximos 90 minutos.

Não se preocupem, não vamos anunciar nenhum cataclismo ou uma nova era das trevas.

Bem pelo contrário, vamos e em 1ª mão, anunciar um novo programa de rádio diário. A Rádio Voz Online está a ultimar os preparativos para vos poder proporcionar diariamente, um concerto ao vivo.

Ao soar as 12 badaladas, início de um novo dia, traremos até vós o registo de um concerto. Daqueles concertos que já fazem parte do nosso imaginário  e do extraordinário acervo musical da Humanidade. Daqueles Concertos memoráveis e que nos têm sido legados, por excelentes músicos e compositores, ao longo dos últimos 100 anos.

Bom, e o que é que tudo isso tem a ver com o Blackout anunciado? Resposta simples, tudo e nada.

Welcome To The Blackout (Live London '78) é um álbum ao vivo, que apresenta performances gravadas no Earls Court, em Londres, em 30 de junho e 1 de julho de 1978, durante a touné "Isolar 2" de David Bowie. O registo foi lançado em vinil triplo-LP, estritamente limitado para o Record Store Day 2018.

Tony Visconti, que co-produziu uma dúzia de álbuns de estúdio para Bowie ao longo de sua carreira, gravou o concerto de 1978 o qual mais tarde em 79 foi misturado por Bowie e David Richards num estúdio de Montreux.

Originalmente filmado como um filme para concertos, Bowie abandonaria a idéia por estar insatisfeito com o resultado final. Talvez tivesse razão, mas mesmo assim trata-se de um concerto de Bowie, ainda por cima numa época de culto. Muitas edições piratas daqui saíram.

O set foca naturalmente as músicas dos dois álbuns que Bowie lançou em 1977 - Low e “Heroes”, assim como outros destaques da carreira à data como “Fame”, “Ziggy Stardust”, “The Jean Genie” e “Station To Station”. A performance ao vivo de “Sound And Vision”, incluída neste set, foi estréia ao vivo.

Com Welcome To The Blackout, e sem disvirtuar a essência da Discocracia, fazemos também um piscar de olhos ao novo programa de concertos ao Vivo da Rádio Voz Online.

DAVID BOWIE – WELCOME TO THE BLACKOUT (LIVE LONDON ’78) (1.47:17)

Lançamento: 21 Abril 2018 / Label: Parlophone

Welcome To The Blackout (Live London '78) é um álbum ao vivo, que apresenta performances gravadas no Earls Court, em Londres, em 30 de junho e 1 de julho de 1978, durante a touné "Isolar 2" de David Bowie. O registo foi lançado em vinil triplo-LP, estritamente limitado para o Record Store Day 2018.

Tony Visconti, que co-produziu uma dúzia de álbuns de estúdio para Bowie ao longo de sua carreira, gravou o concerto de 1978 o qual mais tarde foi misturado por Bowie e David Richards.

O set foca naturalmente as músicas dos dois álbuns que Bowie lançou em 1977 - Low e “Heroes”, assim como outros destaques da carreira à data como “Fame”, “Ziggy Stardust”, “The Jean Genie” e “Station To Station”. A performance ao vivo de “Sound And Vision”, incluída neste set, foi estréia ao vivo.

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DISCOCRACIA 32 -  (“COMBATE ROCK”) - Dia 21/09/2018

A madrugada de 3 de março de 1991 foi trágica para a Califórnia. Depois de uma perseguição, a polícia espancou o negro que tinha recusado parar. A agressão a Rodney King foi o rastilho para os motins mais violentos da história de Los Angeles.
E este cenário de tensão social foi o pretexto que Zack de La Rocha, mexicano, e Tom Morello, negro, precisavam para pôr mãos à obra. Com a imagem de um monge budista a arder contra a guerra do Vietname na capa e um single com a palavra «fuck» repetida dezassete vezes, Rage Against the Machine não era o disco mais fácil de promover, mas isso também não era importante.
Acabariam de vender 500 mil cópias sem promoção e combatendo o establishment.
Sem alinharem numa digressão de grande escala, desde então os Rage já foram proibidos de tocar pela polícia num protesto em Minnesota, juntaram-se ao movimento Ocuppy Wall Street, promoveram um boicote ao Arizona em resposta à implementação de leis que autorizavam a polícia a identificar pessoas consoante a cor da pele, e participaram em várias ações contra as torturas em Guantánamo.
Os Rage Against the Machine, passaram a ser reconhecidos pelas suas posições revolucionárias. Os Rage, empunharam o rock como arma política.
Felizmente, não estão sós em Combate.

IDLES – JOY AS AN ACT OF RESISTENCE (42:23)
Lançamento: 31 Agosto 2018 / Label: Partisan Records
Joy As An Act of Resistance impressiona pelo grau de proximidade que estabelece entre grupo e ouvintes (a última palavra que se ouve no disco é Unity).
O registo é uma demonstração clara de que a música também pode ser um veículo privilegiado não só de contestação, mas também de provocação no ouvinte, para que este também reflita sobre aquilo que ouve e se sinta motivado a passar à ação.
O mundo em que vivemos hoje e o marasmo geral bem precisam de bandas como os Idles para que a agitação pacífica, mas profunda aconteça e este álbum é uma excelente banda sonora para servir de ignição.

PARQUET COURTS – WIDE AWAKE! (38:37)
Lançamento: 18 Maio 2018 / Label: Rough Trade
Em Wide Awake!, os Parquet Courts exortam-nos à acção. Somos constantemente bombardeados com estímulos que acreditamos despertar-nos, mas que na verdade nos distraem, deixando-nos menos atentos às coisas genuinamente importantes, como as alterações climáticas ou a escalada da violência. A faixa-título usa precisamente as armas daquilo que nos distrai, sobrepondo camadas sónicas, numa junção de vários estímulos perfeitamente produzidos, para nos chamar a atenção. A questão é que o faz em prol da nossa consciência. Aqui não há estímulos para a estupidificação.
Com Wide Awake!, os norte-americanos Parquet Courts oferecem-nos um livro de anotações críticas, zangadas e diretamente direcionadas a uma sociedade que consideram individualista, opressiva e injusta. Se antes andavam a brincar com pistolas de água nas tardes preguiçosas de verão, agora estão a mexer no gatilho e estão prestes a disparar. Tudo a acordar pessoal de bem.

PROTOMARTYR – CONSOLATION (14:07)
Lançamento: 15 Junho 2018 / Label: Domino 05:57
Os Protomartyr são descritos como uma mistura da “sonoridade temperamental e atmosférica do pós-punk do Reino Unido dos anos 1970, com a sensibilidade crua do garage rock de seus antepassados de Detroit”. Com quatro álbuns já lançados, o quarteto constrói uma trajetória interessante, misturando poesia beat, críticas ácidas e rock alternativo.
Este último lançamento, Consolation E.P., é como uma amostra da qualidade dos músicos e de suas personalidades marcantes; composto por quatro faixas, conta com a participação de Kelley Deal (The Breeders) e Mike Montgomery (Ampline), além dos músicos Jocelyn Hatch, Evan Ziporyn e Lori Goldston, tocando instrumentos inusitados para o gênero, respectivamente, viola, clarinete e cello.

PROTOMARTYR/SPARY PAINT – IRONY PROMPTS A PARTY RAT (07:04)
Lançamento: 17 Agosto 2018 / Label: Monofonus Press
Os Protomartyr e os Spray Paint já tocaram juntos várias vezes, e agora, editaram um single colaborativo, onde ambas as bandas tocam nas duas músicas. Irony Prompts a Party Rat saiu em 17 de agosto via editora Monofonus Press.
No lado A “Corinthian Leather”, os instrumentais são dos Spray Paint e a parte vocal é de Joe Casey do Protomartyr.
No lado B, “Bags and Cans”, o Protomartyr gravou os instrumentais e o Spray Paint forneceu os vocais.

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DISCOCRACIA 31 -  (“QUERIDO MÊS DE AGOSTO”) - Dia 24/08/2018

“GIRLS INVENTED PUNK ROCK”

“As mulheres são anarquistas e revolucionárias naturais, porque elas sempre foram cidadãs de segunda classe e tiveram que fazer o seu próprio caminho” - Kim Gordon.


Kim Gordon, conhecida pela tal da t-shirt “Girls Invented Punk Rock, Not England” foi a baixista, guitarrista e vocalista dos extintos, Sonic Youth.
O corpo da mulher sempre foi um campo de batalha. Num mundo estruturado pelos homens, reinventaram a revolta, os direitos humanos e a revolução. Uma mulher com um microfone ou um instrumento na mão é um acto político. Especialmente se olharmos a misoginia presente na indústria da música por gerações. 
Mesmo com o machismo dentro da música, o punk aliado a outros gêneros de protesto, rompem padrões, fomentam o empoderamento social e potencializam a conscientização civil sobre os direitos sociais. Esta consciência possibilita a aquisição da emancipação individual e também da consciência coletiva, necessária para a superação da dependência social e dominação política.
Patti Smith demonstrou que punk e poesia podem combinar muito bem e serem importantes símbolos de protesto. À frente da banda, The Patti Smith Group, compõe músicas com poesia cheia de pensamentos feministas. Em 2010, lançou o livro “Apenas Miúdos”, onde conta o seu percurso na arte e na música antes da fama e descreve toda a ebulição cultural de Nova York nas décadas de 60 e 70.
Patti ficou conhecida como "poetisa do punk", trouxe um lado feminista e intelectual à música punk, tornou-se uma das mulheres mais influentes do rock e de alguns movimentos seus associados. 
O minuto 53 da última final do campeonato do mundo na Rússia, ficou marcado por uma invasão pacífica de campo, reivindicado pelas Pussy Riot. "Libertem todos os presos políticos, não prendam pessoas por causa de gostos, parem as detenções ilegais durante as manifestações, permitam competições políticas no país, não fabriquem acusações criminais e não mantenham pessoas presas sem motivos” 
A ação mais conhecida das Pussy Riot remonta a fevereiro de 2012 quando, numa catedral de Moscovo, cantaram uma oração punk contra Vladimir Putin. Na altura três membros do grupo, foram condenados devido a "vandalismo motivado pelo ódio religioso"

A banda russa na verdade é muito mais que uma banda, têm a sua ideologia assente num movimento internacional, as Riot grrrl (ou riot girl), criado nos anos 90 nos Estados Unidos, com o principal intuito de informar as mulheres de seus direitos e incentivá-las a reivindicá-los. Uma das principais formas de expressão, além dos protestos, foi o recurso à cultura punk. 
O conceito de rock só para machos e das guitarras como símbolo fálico, foi entretanto desaparecendo. A pouco e pouco, há cada vez mais mulheres a tocar ou liderar bandas ou projectos a solo.
Conseguirão salvar o rock?

COURTNEY BARNETT – TELL ME HOW YOU REALLY FEEL (37:18)
Lançamento: 18 Maio 2018 / Label: Mom + Pop
Courtney Barnett, já considerada por muitos como uma das mais dotadas compositoras da sua geração.
Entre o indie-punk e a balada século XXI, Tell Me How You Really Feel é um segundo álbum de quem sabe bem qual é o seu caminho. São 10 canções movidas a sarcasmo e muita psicologia associada.
Álbum repleto de alusões ao desentendimento e ao lado menos radiante do amor, Tell Me How You Really Feel terá como importante propósito mostrar que a vida pode tornar-se num caminho sinuoso, mas que percorrer essa estrada não tem de ser algo vivido em permanente inquietude e depressão, desde que os fantasmas sejam exorcizados no momento certo.

SNAIL MAIL – LUSH (38:16)
Lançamento: 01 Junho 2018 / Label: Matador
Snail Mail é um projeto de indie pop vintage liderado pela americana Lindsey Jordan e acaba de se estrear nos lançamentos discográficos com Lush. São 10 canções editadas pela Matador Records, que nos oferecem de uma forma impressiva uma viagem no tempo, até aquele rock de cariz eminentemente lo fi, que agitou multidões e fez escola no final do século passado.
Para gravar Lush, Lindsey pegou na sua voz e na guitarra, mas também contou com a preciosa contribuição de Ray Brown na bateria e Alex Bass no baixo.
Emocionalmente inteligente, com uma evidente força interior, musicalmente clarividente e, curiosamente, cheio de pistas acerca de quais poderão ser as próximas coordenadas sonoras de quem se dedicar à exploração do espetro sonoro já descrito, Lush é um registo com uma linguagem muito própria, eminentemente urbana e que espalha as agruras de uma jovem de dezoito anos que, com uma fender numa mão e um microfone na outra, parece ser a única pessoa sensata e racional no mundo que a rodeia.
MITSKI – BE THE COWBOY (32:28)
Lançamento: 17 Agosto 2018 / Label: Dead Oceans
Para além de ter criado um corpo musical muito mais composto e harmonioso que nos seus anteriores trabalhos em Be the Cowboy, Mitski conseguiu condensar em faixas curtas e intensas quase todas as suas melhores ideias e pensamentos sobre a vida em geral. Funciona como um impressionante manual de como reagir com humor às pedras do caminho.
Se anteriormente parecia que Mitski apenas andava a destilar desordenadamente o seu talento, dando dezenas e dezenas de concertos em que cantava literalmente para ninguém “Be the Cowboy” é o momento em que a cantora coloca a sua bandeira no planeta terra e declara ser este o seu domínio.
O seu novo álbum de originais é a representação meio cínica meio sofrida de uma felicidade idealizada para outras pessoas, construído em cima de histórias que podem acontecer a qualquer um, mas que na voz simultaneamente forte e frágil de Mitski podia com franqueza ser uma das suas desventuras enquanto vivia por esse mundo fora, subtraída e deslocada de uma vida social normal, sem amigos ou relacionamentos duradouros.
“Não quero ficar conhecida como a pessoa a quem se recorre para ouvir uma guitarra com distorção. Quero ser mais complexa e humana do que isso”, dizia Mitski numa entrevista.

DISCOCRACIA 30 -  (“QUERIDO MÊS DE AGOSTO”) - Dia 24/08/2018

Agosto, do latim augustus, oitavo mês do ano, assim chamado por decreto em honra do imperador César Augusto.

Agosto é por excelência o mês das férias.

Em termos nacionais e mundiais, agosto é ainda, o mês com o maior número de festivais de música e não só. Existem festivais para todos os gostos… na praia, na cidade, na floresta, em parques, em lagos, em fábricas desativadas, e imaginem só, em Chernobyl, Ucrânia.

Nada de mais natural, já na antiguidade, festival era sinónimo de festa, eventos para se entrelaçarem e desenvolverem laços de amizade.

O maior festival de artes do mundo é o Fringe, que decorre no mês de agosto na cidade escocesa de Edimburgo. O Fringe junta artistas de rua com talentos fora do normal. Desde comediantes, acrobatas, equilibristas, actores, músicos, podemos encontrar de tudo um pouco. Além destas performances, decorre em paralelo um festival de literatura e uma boa oferta de comida e bebida de rua.

Outro festival, o Burning Man, é um dos festivais de culto a nível internacional. Nem tanto pelos convidados, mas por toda a filosofia e envolvência, já que acontece no deserto do Nevada, EUA, sob temperaturas escaldantes. Cerca de 50 mil pessoas ali acorrem todos os anos em busca de uns dias de liberdade absoluta.

Outro ainda e mais antigo, o Bestival levado a cabo na ilha britânica de Wight, é um dos festivais mais divertidos. mistura vários estilos musicais, do indie á eletrônica e do underground ao pop. Além da música, o festival acolhe programações de arte, performances, workshops e… máscaras.

Exemplos de festas e festivais em agosto, também não faltam cá pelo burgo. Até porque, parte significativa da produção musical lhe é direcionada. Na maior parte dos casos, estes eventos, alguns de gosto bem duvidoso, são sem sombra de dúvida o seu principal factor de sustentabilidade.

Existem, no entanto, projectos nacionais, que pela sua natureza não têm o conceito festivaleiro como leitmotiv, merecem ser escutados.

SEÑORITAS – AS SAUDADES QUE EU NÃO TENHO (33:44)

Lançamento: 04 Maio 2018 / Label: Rastilho Records

Señoritas é o nome do projeto de Mitó Mendes e Sandra Baptista, conhecidas pelos seus trabalhos nas bandas, A Naifa e Sitiados. Señoritas era, precisamente, o título de uma das canções mais populares do grupo A Naifa.

As Saudades que Eu não Tenho, surge dois anos depois do 1º Album "Acho que é meu dever não gostar” e repetem o mesmo trabalho de composição, com a primeira a dar voz e interpretação às letras escritas pela segunda. Ambas tocam ainda baixo, guitarra, e contam, neste novo registo, com o baterista Samuel Palitos, nas programações.

Mitó Mendes e Sandra Baptista assumem ainda a produção de “As Saudades que eu Não Tenho” com apoio de António Bragança, técnico de som, e preparam visualmente um novo espectáculo, por causa das novas canções. "Temos consciência de que Señoritas é um registo muito específico. Somos só duas pessoas, a linha é muito direta, é muito real e não há propriamente um espaço no meio musical em que haja uma comparação com o nosso registo, e sei que isso é um caminho difícil", admitiram.

"O nosso objetivo não é vender mil discos, não é tocar não sei quantos espectáculos. É mais de chegar às pessoas e fazer com que elas tenham uma outra alternativa, um outro espaço de música e de espectáculo, outra forma de entretenimento", sublinharam.

PAULO BRAGANÇA – CATIVO (38:01)

Lançamento: 01 Janeiro 2018 / Label: Alma Mater Records

Paulo Bragança apresenta o seu novo EP "Cativo", 17 anos depois do seu último álbum, "Lua Semi-Nua".

Paulo Bragança é "o anjo caído do Fado". O Fadista Punk, o Homem que descalço se perdeu e se encontrou pelo mundo. Em exílio “espiritual e artístico” durante mais de uma década, eis que regressa para retomar um caminho que está longe de ter concluído. Em 1992 edita o seu primeiro disco e espanta Portugal. Do choque à adoração foi um ápice. "Amai" vê a luz do dia dois anos depois, em 1994. Percorre o mundo, pela mão de David Byrne (Talking Heads/Luaka Bop). Edita ainda Mistério do Fado (1996), Lua Semi-Nua (2001) e desaparece.

Ressurge em Dublin, como licenciado em Filosofia e actor de cinema. No regresso a Portugal assina uma colaboração lunar com os Moonspell, no tema In Tremor Dei, do disco 1755 da banda de Metal gótico, dedicado ao Terramoto de Lisboa.

 TIPO – NOVAS OCUPAÇÕES (33:01)

Lançamento: 16 Março 2018 / Label: Pataca Discos

Salvador Menezes escolheu chamar-se Tipo por ser uma palavra com várias referências no dicionário, mas também para se distanciar de si próprio, enquanto arquiteto e membro dos You Can't Win Charlie Brown. Tipo é hoje nome de um músico a solo, mas no futuro poderá alargar-se para uma banda, disse.

Co-produzido por Afonso Cabral, Luís Nunes e Salvador Menezes e contando também com alguns convidados, nomeadamente Tomás Sousa na bateria, Novas Ocupações é uma solarenga mas também intrincada demanda pela mente de um dos mais proficuos músicos da pop nacional atual.

Ao longo das dez canções do registo conferimos um sentido conjunto de quadros sonoros pintados com belíssimos arranjos de cordas, mas também sintetizadores capazes de fazer espevitar o espírito mais empedernido e imponentes doses eletrificadas de fuzz e distorção, que se saúdam amplamente, tudo adornado por uma secção vocal contagiante, que proporciona ao ouvinte uma assombrosa sensação de conforto e proximidade.

DISCOCRACIA 29 -  (“A ALEGORIA DA CAVERNA”) - Dia 17/08/2018

A sociedade tem a tendência de nos moldar para aquilo que quer de nós, ou seja, aceitarmos somente o que nos tem para oferecer.

Na Alegoria da Caverna, uns quantos homens encontram-se aprisionados numa caverna desde a infância. Nesse lugar não se conseguem mover, em virtude das correntes que os mantém imobilizados.

O que aconteceria se um desses homens, que estava acorrentado conseguir escapar e ser surpreendido com uma nova realidade. Permanecer fora habituando-se a essa nova realidade ou voltar para libertar os companheiros, dizendo o que havia descoberto no exterior é esse o seu grande desafio.

Provavelmente os companheiros não acreditariam no seu testemunho, já que para eles, o verdadeiro era o que conseguiam perceber da sua vivência na caverna.

Na alegoria da Caverna, Platão revela a importância da educação e da aquisição do conhecimento, sendo esse o instrumento que permite aos homens estar a par da verdade e estabelecer o pensamento crítico.

NICK CAVE & THE BAD SEEDS – LOVELY CREATURES (1:53:09)

Lançamento: 05 Maio 2017 / Label: Mute

Nick Cave servindo-se da sua voz cavernosa, escreve sobre amor e sexo, religião e morte, conseguindo como poucos, ter uma facilidade incrível para nos transmitir as suas vivências de iluminado.

Editado em 2017, Lovely Creatures é uma colectânea que reúne canções de Nick Cave gravadas com os Bad Seeds entre 1984 e 2014.

Num comunicado Nick explicou o porquê da Obra: "Há pessoas que não sabem por onde começar a ouvir os Bad Seeds. Outra conhecem melhor o nosso catálogo do que eu! Este disco pretende ser uma porta de entrada [num catálogo de] três décadas de música. É muita canção. As que escolhemos são aquelas que, por uma razão ou outra, se aguentaram. Algumas são as obrigatórias dos concertos. Outras são menos conhecidas e nossas favoritas. Outras são demasiado grandes e têm demasiada história para podermos deixá-las de fora. E ainda há as que não conseguiram entrar, coitadinhas. Essas terão de as descobrir sozinhos".

DISCOCRACIA 28 -  (“A MORSA E O CARPINTEIRO”) - 2ª parte - Dia 10/08/2018

Tschernobyl, Harrisburgh
Sellafield, Hiroshima
Stop radioactivity
Is in the air for you and me
Stop radioactivity
Discovered by Madame Curie
Radioactivity, 1975 os alemães Kraftwerk, em plena guerra fria.
E é então, que a Morsa e o Carpinteiro decidem dar início ao jantar. As ostras,
desconfiadas gritaram: " Vão nos devorar?
A Morsa começa a chorar, mas ao mesmo tempo puxa as maiores
ostras para o seu lado. E o poema de Lewis Carroll chega ao fim desta forma:
“Ó ostras”, disse o Carpinteiro.
Que tal correr de volta para casa?”
Mas nenhuma resposta foi ouvida...
E não era de estranhar, porque
Ostra por ostra tinha sido comida. 
É neste ponto que Alice diz que gosta mais da Morsa, pois pelo menos ela
teve pena das ostras, mas Tweedledee diz que ela, na verdade, comeu mais que o
Carpinteiro. 
Sendo assim, Alice diz que gosta mais do Carpinteiro, mas Tweedledee, diz que ele comeu o mais que pôde.

Para a menina aquilo era perturbador, pois na estória não há distintamente um personagem bom e um mau e ela acaba por chegar à conclusão de que “Eram ambos muito desagradáveis...”

Na década de 60, a identidade musical alemã dividia-se em dois extremos: os insípidos cantores populares, que davam a ideia de uma felicidade forçada e a música do compositor Karlheinz Stockhausen, cuja música circulava pelos meios académicos que iriam incendiar a realidade política e social europeias antes do final da década.

O compositor alemão, convidado a dar palestras na califórnia sobre música experimental, ao invés de desprezar a nova música que por lá se fazia, foi a um concerto dos Jefferson Airplane no Filmore West e terá afirmado, que a música o tinha arrasado completamente. Os jovens músicos alemães estavam atentos, Stockhausen abraçara as possibilidades da experiência psicadélica.
Após o maio de 68, a mais radical juventude alemã não se poupou a esforços para sacudir, quaisquer resquícios de passado, que a geração dos seus pais lhes tivesse imposto, por um lado, e, por outro, a inventar uma identidade própria que pudesse distanciá-la da cultura das forças ocupantes que se posicionaram na Alemanha dividida em dois blocos após a Segunda Guerra Mundial. 
A imprensa musical britânica, alinhada com a mentalidade vencedora do maior conflito do século XX, criou o termo krautrock com uma clara intenção de menosprezo, mas a verdade é que a música criada por um conjunto de extraordinárias bandas como os Can, Neu!, Faust, Popol Vuh, Ash-Ra Tempel, Amon Duul II, Cluster, Tangerine Dream e Kraftwerk, se afirmou pela sua profunda originalidade e rigorosa qualidade técnica, com polos criativos como Berlim ou Colónia e Dusseldorf a atraírem depois músicos britânicos e americanos em busca do caráter distinto que por ali parecia borbulhar. Com David Bowie e Iggy Pop à cabeça.
Pairava no ar, uma ideia de futuro.

HOOKWORMS – MICROSHIFT (46:32)
Lançamento: 02 Fevereiro 2018 / Label: Domino

Em Microshift, o terceiro álbum de estúdio dos Hookworms, a banda Inglesa de
Leeds afasta-se propositadamente do garage-rock-psicodélico, testado nos 2
trabalhos antereriores. Trata-se de um imenso labirinto sensorial e nostálgico,
como um olhar curioso para a música, conceitos e experiências que abasteceram
o cenário musical nos anos 1970.
Feito para ser ouvido sem cortes ou possíveis interrupções, da primeira à ultima
faixa, o registro faz de cada composição um precioso alicerce para a música
seguinte. Partindo de uma arquitetura pré-definida, os sintetizadores e as
guitarras posicionam-se de uma forma complementar e ritmada, guiando a
nossa experiência sensorial.
O quinteto britânico, testa em Microshift, não só uma série de ambientações
etéreas e temas melódicos, como recorre também a pequenas variações rítmicas,
trazendo-nos à memória parte do material produzido por Eno, Kraftwerk, Neu!
e ainda de outros grandes nomes da música concebida há mais de quatro
décadas.

MAMUTHONES – FEAR ON THE CORNER (42:56)
Lançamento: 30 Março 2018 / Label: Rocket Recordings
Depois de um EP, "Symphony For The Devil" e um outro EP, a meias com os
Evil Blizard, chamado "Collisions 04", eis que os Mamuthones, a banda Italiana,
da Sardenha, oferece-nos este ano o seu primeiro trabalho de longa duração
para a editora Rocket Recordings, intitulado "Fear On The Corner".
De acordo com o press-release este disco assenta em dois importantes registos
"Fear of Music" dos Talking Heads e "On The Corner" de Miles Davis. E não há
duvida que conseguiram captar a sua influência, pois entre wah-wahs
psicadélicos, percussões étnicas, motorik, e electrónica a tender para o disco, a
banda italiana acaba por soar aos Can cruzados com Six Finger Satellite, o que
não deixa de ser entusiasmante.

É claro que neste trabalho, para além do Kraut, se notam outros géneros
musicais, inclusive a percussão africana, mas tudo é banhado e trabalhado no
espirito do funk/free jazz. Algumas das bandas ligadas ao Krautrock dos anos
dourados 60/70, já o tinham testado com êxito, provando que o movimento
alemão, era tudo menos hermético.
"Fear On The Corner" é uma excelente estreia da banda Italiana Mamuthones.

DISCOCRACIA 27 -  (“A MORSA E O CARPINTEIRO”) - 1ª parte - Dia 3/08/2018

 "I Am The Walrus" é para a história da música, uma das músicas mais marcantes, de toda a carreira dos The Beatles. Data de 1967 e faz parte do álbum Magical Mystery Tour, por sinal o seu maior fiasco comercial. 
Quando John Lennon, criou a letra de “I Am The Walrus” (Eu Sou a Morsa), logo catalogada de análise impossível e de marcado “nonsense”, estava tão somente a desafiar o professor de inglês, da escola onde em jovem tinha estudado, o qual tinha por hábito dissecar, com os seus jovens alunos, as letras da banda de Liverpool. 
Na verdade, a canção é o resultado da junção de três músicas distintas, que Lennon escreveu sob o efeito de drogas. São manifestações de inspirações tão distintas como, uma sirene da polícia, outra quando sentado num jardim e finalmente uma outra sem qualquer sentido, sentado em cima de flocos de cereais.
Quanto à personagem principal, o dito "Walrus", ou morsa, é outra história. É inspirado num poema de Lewis Carroll, o autor de "Alice no País das Maravilhas", chamado de "A Morsa e o Carpinteiro", de 1871.
Tendo em conta o imaginário surrealista fantástico de Carroll, as ideias mirabolantes e psicadélicas de Lennon adquirem um novo sentido (mesmo com as drogas...).
O poema conta que a Morsa e o Carpinteiro estavam a caminhar pela areia de uma praia num dia quente e ensolarado. a Morsa vestida como um burocrata inglês, usando fraque, monóculo e fumando um charuto; e o carpinteiro vestido com um uniforme de trabalhador com um martelo numa das mãos. 
Ambos famintos encontram uma família de ostras descansando à beira do mar. Muito corteses, a Morsa e o Carpinteiro conseguem persuadir as presas a irem passear até à sua cabana para “almoçarem”. 
As ostras com a melhor das intenções lá os seguem e… são comidas pelos dois. Carrol quis aqui escrever, através de um conto infantil, uma pesada crítica à religiosidade e a fragilidade humana perante os símbolos religiosos: A Morsa pode representar Buda ou até mesmo Ganesha, os deuses mais venerados pelos budistas e hindus respectivamente, e o Carpiteiro representa Jesus, ou melhor, o Cristianismo. As ostras representam a inocente humanidade. 
Significa então que para Carrol, a religião atrai, para em seguida devorar os seus fiéis seguidores. O que não deixa de ser extraordinário, não tanto pela época, mas se atendermos ao facto de que estamos a falar de um reverendo anglicano. 
Já Marx em 1844, muito antes deste episódio das ostras, tinha sintetizado e publicado, 0 pensamento, que estava presente na maioria dos autores e pensadores do século XVIII, “A Religião é o Ópio do Povo”.
“I Am The Walrus”, ficou para sempre ligada à história da música, não pela morsa, não pelo carpinteiro, nem pelas ostras, mas pelo músico alemão Holger Czukay.
Holger Czukay, aluno de Stockhausen e ele próprio professor, mostrava obras do seu mestre a alunos em 1968. Um deles, Michael Karoli, respondeu na mesma moeda e tocou uma gravação de “I Am The Walrus” dos Beatles numa aula. Czukay, até aí imerso no universo erudito, teve uma revelação, e juntamente com Irmin Schmidt e o tal aluno Michael Karoli, formou uma banda de rock, que se iria tornar de culto, os Can.
Holger Czukay, entretanto falecido em 2017, foi considerado um dos pioneiros do “sampling e uma das principais figuras do movimento alemão krautrock.
Continua na próxima semana.

 

BEAK> – L.A. PLAYBACK (44:58) 
Lançamento: 13 Abril 2018 / Label: Temporary Residence Ltd.
A banda Beak>, formada em 2009 e actualmente composta por Geoff Barrow (dos Portishead), Billy Fuller (Robert Plant) e Will Young (Moon Gangs), que substituiu Matt Williams (MXLX, Fairhorns) em 2016, é na sua verdadeira essência, uma mistura de krautrock e portentoso pós-punk.
O grupo krautrock de Geoff Barrow Beak> B-sides e rarities, L.A. Playback faz parte do novo contrato da banda com a Temporary Residence, que também quer reeditar os 2 primeiros álbuns da banda, Beak> e >>. 
L.A. Playback, é composto essencialmente, por lados B e raridades, e por muitas das músicas que não foram lançadas anteriormente em determinados países (ex: EUA). 
Enquanto não nos chega o 3º Album de estúdio, temos então 11 músicas (para muitos inéditas) para disfrutar.
SUUNS – FELT (45:59) 
Lançamento: 02 Março 2018 / Label: Secretly Canadian
Dois anos depois do excelente Hold/Still, um compêndio de onze canções com a chancela da Secretly Canadian que fez furor à época, o projeto Suuns, um quarteto oriundo de Montreal, no Canadá, está de regresso aos lançamentos discográficos com Felt. 
Os Suuns apareceram em 2007 pela mão do vocalista e guitarrista Ben Shemie e do baixista Joe Yarmush, aos quais se juntaram, pouco depois, o baterista Liam O'Neill e o teclista Max Henry.
Felt confirma que definitivamente estamos na presença de um grupo especial e distinto no panorama indie e alternativo atual, fortemente influenciados pelo Krautrock dos mestres germânicos.

DISCOCRACIA 26 -  (“CHEZ LES YÉ-YÉ”) -  Dia 27/07/2018

Chez les yé-yé, Serge Gainsbourg em 1963, teve a ousadia de cantar esta canção em directo na TV com uma faca na mão e foi um dos primeiros a abraçar a nova vaga musical, injectando doses consideráveis de perversidade e ambiguidade no conteúdo inocente da música que emergia em França na década de 60.
A expressão yé-yé, segundo rezam as crónicas, vem do refrão “Yeah, yeah, yeah!” da canção “She Loves You”, dos Beatles, e era aplicada, nos anos 60, quer à música pop da altura, quer aos jovens que a ouviam, os yé-yés. 
Além de Inglaterra com a Pop e dos EUA com o Rock, a França foi com o yé-yé, um dos principais expoentes máximos de transformação social, nesses anos em que a cultura adolescente, começou a manifestar-se pela primeira vez, sobretudo através da música.
Abundavam então, as versões convertidas para francês, dos maiores sucessos ingleses e americanos. Interessava também ao yéyé, o cruzamento entre o rock"n"roll e a pop com uma sensibilidade francesa, “la Chanson” já apurada há décadas. Eram muitas vezes, os já consagrados compositores, como Gainsbourg ou Robert Gall, pai de France, autor de letras para Aznavour ou Piaf, que davam música às jovens e nalguns casos, ingénuas estrelas. 
Exemplo disso mesmo, foi a forma como em “Les Sucettes”, France Gall cantou a doçura de um chupa-chupa de anis, sem perceber que nas entrelinhas, era de sexo oral que falava, a letra de Gainsbourg.

Françoise Hardy, que se tornou-se à época, uma estrela global, admirada por todos e desejada por nomes como, Bob Dylan, David Bowie ou Brian Jones, confessou anos mais tarde, "Espero simplesmente ter sido impudica... com pudor".
Então, quando tudo se tornou mais sério e declaradamente político, a inocência real ou dissimulada do yé-yé, perdeu o seu lugar transformador da cultura francesa. 
Não era possível, aquela fantasia nas barricadas do maio de 68.
Ficou a música.

DEAFHEAVEN – ORDINARY CORRUPT HUMAN LOVE (1.01:36) 
Lançamento Vinil: 13 Julho 2018 / Label: Anti-

De São Francisco vem uma das bandas mais inovadoras e ousadas de todo o cenário musical. Depois de ganharem notoriedade com Sunbather de 2013, os Deafheaven expandiram um pouco mais suas ondas sonoras em New Bermuda de 2015. 
Este, Ordinary Corrupt Human Love, recentemente editado, encontra novas formas de desafiar os limites do “Metal” ao misturá-lo com o “Shoegaze” e Post-Rock, naquilo que já é conhecido como Blackgaze, 
Em Ordinary Corrupt Human Love, os Deafheaven continuam a não falar de demónios nas suas letras e nem sequer se apresentam em palco com corpse paint, a clássica pintura de cadáver, ou em trajes mais ou menos fantasiosos. 
Do Black Metal, o que sobra mesmo é o vocal gutural de George Clarke. Os blast beats do baterista Daniel Tracy, são escassos ao longo do álbum, mas em grande medida, a sonaridade depressiva feita pela banda, continua a ser indigesta para a maior parte do público. Ainda não é desta que a banda vai dar um passo para dentro do mainstream. Esperemos que assim continue.
Seja para amar ou odiar, os Deafheaven continuam a fazer, aquilo que melhor sabem, músicas boas e tristes.
MØL – JORD (41:32) 
Lançamento: 13 Abril 2018 / Label: Holy Roar Records
Jord, é o álbum de estreia da banda dinamarquesa Møl, editado pela Holy Roar Records, focada essencialmente em Hardcore e Punk. 
Mais do que uma banda capaz de captar e explorar a mistura de ideias entre os lados mais pesados e dinâmicos do Metal com momentos imersivos guiados por atmosferas cintilantes e oníricas, o álbum consegue criar uma atmosfera única, emocionalmente esmagadora e capaz de nos inspirar a todo o momento.
Jord, está recheado de vocais guturais, carregados de emoção e que nos remetem para dentro do que ocorre numa onda sonora repleta de guitarras vibrantes e uma atmosfera espessa e capaz de deixar a mente em estado delirante. 
O álbum acaba por ser um excelente veículo para dar a conhecer o movimento Blackgaze ou Post Black Metal.

DISCOCRACIA 25 -  (“UNDER A LOVELY BLACK SKY”) -  Dia 20/07/2018

Quando a rotina corrói duramente
E as ambições são pequenas
E o ressentimento voa alto
Mas as emoções não crescerão
E vamos mudando nossos caminhos
Apanhando estradas diferentes
Então, o amor, o amor vai nos separar, outra vez
O amor, o amor vai nos separar, outra vez
Love Will Tear Us Apart, os Joy Division em 1980. O single, na altura, não editado em LP, teve a sua edição, 1 mês após o suicídio de Ian Curtis.
Olá a Todos!
Bem-vindos a mais uma sessão de “DISCOCRACIA”.
Num período hostil e adverso, que reside em muito dos países europeus, onde a sociedade contemporânea atravessa uma crise de valores, os Joy Division tornaram-se objecto de culto, servindo de inspiração a novos conceitos musicais.
Exemplo mais recente, é o do Blackgaze ou Post Black Metal, movimento que surgiu na última década
Para o Blackgaze, a ousadia está em misturar sonoridades distantes entre si, separadas por contextos e alguns conceitos, levando-as a passearem juntas em melodias e arranjos que impressionam, mas há diferenças, digamos, quase inconciliáveis, entre Dream Pop e, vá lá, Black Metal ou algo no gênero.
Os puristas do Black Metal rejeitam esta incursão, até porque o género é direcionado para um público bastante restrito e empenha-se em ser inacessível aos não iniciados. Nada mais natural, até porque o Black Metal é frequentemente recebido com hostilidade pela cultura mainstream.
Em 2005, a banda francesa Alcest lança o EP Le Secret, com duas longas composições que mostraram o resultado da brilhante ideia que o guitarrista e compositor Neige, teve em juntar ao seu Black Metal depressivo, vocais limpos e doces, juntamente com melodias etéreas, típicas do Shoegaze. Le Secret mais parecia uma colaboração entre Cocteau Twins e Burzum, uma analogia ao contrataste entre o atmosférico e reflexivo dos britânicos e o cru e depressivo da banda norueguesa.
Estava a ser inaugurado ali em le Secret o Blackgaze e não foi por acaso, que os Amesoeurs, outra das bandas de Neige, dedicaram o ep de 2006, Ruine Humaines a Ian Curtis.
Sessão dedicada a todos aqueles que se consideram espíritos livres e têm audácia para explorar novos caminhos.

DEAFHEAVEN – ORDINARY CORRUPT HUMAN LOVE (1.01:36) 
Lançamento Vinil: 13 Julho 2018 / Label: Anti-

De São Francisco vem uma das bandas mais inovadoras e ousadas de todo o cenário musical. Depois de ganharem notoriedade com Sunbather de 2013, os Deafheaven expandiram um pouco mais suas ondas sonoras em New Bermuda de 2015. 
Este, Ordinary Corrupt Human Love, recentemente editado, encontra novas formas de desafiar os limites do “Metal” ao misturá-lo com o “Shoegaze” e Post-Rock, naquilo que já é conhecido como Blackgaze, 
Em Ordinary Corrupt Human Love, os Deafheaven continuam a não falar de demónios nas suas letras e nem sequer se apresentam em palco com corpse paint, a clássica pintura de cadáver, ou em trajes mais ou menos fantasiosos. 
Do Black Metal, o que sobra mesmo é o vocal gutural de George Clarke. Os blast beats do baterista Daniel Tracy, são escassos ao longo do álbum, mas em grande medida, a sonaridade depressiva feita pela banda, continua a ser indigesta para a maior parte do público. Ainda não é desta que a banda vai dar um passo para dentro do mainstream. Esperemos que assim continue.
Seja para amar ou odiar, os Deafheaven continuam a fazer, aquilo que melhor sabem, músicas boas e tristes.
MØL – JORD (41:32) 
Lançamento: 13 Abril 2018 / Label: Holy Roar Records
Jord, é o álbum de estreia da banda dinamarquesa Møl, editado pela Holy Roar Records, focada essencialmente em Hardcore e Punk. 
Mais do que uma banda capaz de captar e explorar a mistura de ideias entre os lados mais pesados e dinâmicos do Metal com momentos imersivos guiados por atmosferas cintilantes e oníricas, o álbum consegue criar uma atmosfera única, emocionalmente esmagadora e capaz de nos inspirar a todo o momento.
Jord, está recheado de vocais guturais, carregados de emoção e que nos remetem para dentro do que ocorre numa onda sonora repleta de guitarras vibrantes e uma atmosfera espessa e capaz de deixar a mente em estado delirante. 
O álbum acaba por ser um excelente veículo para dar a conhecer o movimento Blackgaze ou Post Black Metal.

DISCOCRACIA 24 -  (“UMA NOITE NO ESPAÇO”) -  Dia 13/07/2018

Em 4 de Outubro de 1957, a União Soviética lançou o Sputnik 1, o qual se tornou o primeiro satélite artificial a orbitar a Terra. O primeiro voo espacial tripulado ocorreu na missão Vostok 1 em 12 de Abril de 1961, na qual o cosmonauta soviético Yuri Gagarin executou uma órbita ao redor da Terra. 
Depois deste feito empreendido sob as ordens da União Soviética, foi apelidado de "Colombo do Cosmos". As suas impressões sobre aquilo que viu e presenciou a bordo da Vostok 1, deixam transparecer palavras cheias de poesia, beleza, relacionadas com o escuro do céu e as suas estrelas cintilantes. 
Com Yuri Gagarin transformado em herói nacional, os norte-americanos tiveram de aceitar a ideia de que os russos os tinham ultrapassado na corrida ao espaço.
O presidente Americano Donald Trump, ordenou recentemente a criação de uma nova "força espacial", prometendo não só o "domínio americano" na exploração da Lua e de Marte, mas também numa eventual guerra pelo espaço. Os "Estados Unidos serão sempre os primeiros no espaço “afirmou”. 

Trump, que não especificou os detalhes nem o papel específico desta força espacial, insiste no desenvolvimento do setor espacial desde que chegou ao poder. Fez aumentar o orçamento da Nasa, e em dezembro último ordenou que a agência espacial americana volte à Lua pela primeira vez desde 1972 e que prepare missões a Marte.
O setor espacial americano está em alta, mas a Nasa mudou o seu papel em relação à época das missões Apollo. gora é mais um cliente, que um operador. Desde 2012, que a agência tem um contrato com duas empresas, SpaceX e Orbital ATK, para aprovisionar a estação espacial internacional. Não envia astronautas desde 2011, e depende das naves russas Soyuz.
A corrida pelo domínio do Cosmos promete novos desenvolvimentos, mas… o que eles não sabem nem sonham, é que o sonho, é tela, é cor, é pincel, é retorta de alquimista, mapa de mundo distante, caravela quinhentista, passarela voadora e é desembarque em foguetão na superfície lunar, em busca de outras “estranhas formas de vida”.
Emissão para viajar e explorar, em total liberdade, a imensidão do espaço Sideral.

O “Nosso”!!!

UTURE SOUND OF LONDON – LIFEFORMS (1.32:19) 
Lançamento Vinil: 25 Janeiro 2018 / Label: Universal Music
Originalmente editado em 1994

Os anos 90 foram palco para inúmeras investidas pelos territórios da música electrónica. Mais do que procurar apenas texturas ou novas encenações para a exploração de padrões rítmicos assimilados entre as mais recentes tendências da música “de dança”, exploravam-se as potencialidades das novas tecnologias num processo que abarcou, para além da música, a criação de imagens e também a exploração de novas linhas de transmissão de som a grande distância. 
Os Future Sound Of London (FSOL), um duo constituído por Gary Cobain e Brian Dougans foram um entre os mais ativos pólos de experimentação das electrónicas na primeira metade dos noventas, formando com nomes como os de Pete Namlook, The Orb ou Aphex Twin, um espaço de invenção que então deu frutos e cativou atenções.
Lifeforms, editado em 1994, é um clássico maior das electrónicas dos anos 90. O disco acaba de conhecer, finalmente, uma edição em vinil.
É um disco duplo, feito de uma sucessão de quadros interligados e formas em permanente evolução. O álbum acolheu colaborações de figuras como Elisabeth Frazer (dos Cocteau Twins), Toni Halliday (dos Curve), Robert Fripp (The King Crimson) ou Talvin Singh produtor e compositor ligado à electrónica e ao Trip Hop.


XOR Gate – CONIC SECTIONS (30:30) 
Lançamento: 13 Abril 2018 / Label: Tresor

E após estas estranhas formas de vida, vamos ficar nos próximos 30 minutos e meio com XOR Gate, isto é com o electro Gerald Donald.
Gerald que é mais conhecido no duo Drexciya, e ainda através dos seus apelidos Dopplereffekt e Arpanet, une-se novamente ao selo Tresor para o seu álbum de estreia como XOR Gate. 
Composto por oito "temas" misturados numa só faixa, Conic Sections é uma visão de paisagens sonoras eletrônicas futuristas. Toda a orientação do groove parece encaminhar-se nesse sentido, mas as sequências navegam no Espaço sem necessidade de apoio terrestre. Quase toda a acção em “Conic Sections” é concentrada na ilustração fictícia de momentos-chave de descobertas científicas, colorindo o som apenas o suficiente, sem excessos. Pura emoção sintética, se tal for concebível, soa por vezes a Kraftwerk.
Conic Sections, é um excelente disco de electro, sem ter uma única batida.

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DISCOCRACIA 23 -  (“OM, O SOM DO UNIVERSO”) -  Dia 06/07/2018

 OM RAMA

O Om ou Aum (ॐ) é o mantra mais importante do hinduísmo. Diz-se que ele contém o conhecimento e é considerado o corpo sonoro do Absoluto. O Om é o som do universo.

Os seus três sons, a, u e m, são os três primeiros estados de consciência: vigília, sono e sonho.

A espiritualidade é um termo muito vago, para definir a obra e a vida de Alice Coltrane.

Mulher de John Coltrane, Alice «Turiya» Coltrane, faleceu em 2007 e era uma das raras harpistas do Jazz. A sua música, inspirada na fase de A Love Supreme de Trane, era mística, espiritual, intensa, procurando a beleza e a quietude.

Alice teve estudos clássicos e mais tarde de Jazz com Bud Powell, um dos ícones do piano bop. Em 1966, pouco antes do desaparecimento de John Coltrane, substituiu McCoy Tyner no piano do seu grupo. A sua música tornou-se quase lendária. Alice, por opção, saiu do circuito comercial e descobriu através da música, como atingir a espiritualidade sem religião.

Om Rama, é a prova disso. Extraída do disco Infinity Chants, a canção tem a força da devoção e da festividade ritualística.

O Jazz na sua génese é uma manifestação artístico-musical originária das comunidades negras de New Orleans, Memphis, Kansas, St. Louis. O estilo surgiu oficialmente no final do século XIX, mas as suas raízes são muito mais antigas. Desenvolveu-se a partir das tradições religiosas herdadas de povos africanos.

Mesmo com a proibição de manifestações musicais entre os negros escravizados, a tradição africana assimilou elementos da cultura norte-americana, adicionando ritmo, emoção e a liberdade do uso de palavras.

Clássicos, como John Coltrane, Alice Coltrane, Herbie Hancock, além do compositor, pianista e poeta Sun Ra, um dos pilares do Afrofuturismo e da Psicodelia Cósmica, são os grandes nomes do Jazz Espiritual, o estilo que talvez melhor reflita o jazz na sua verdadeira essência – tradição e espiritualidade.

Quando Kendrick Lamar, fez de “To Pimp a Butterfly” uma banda sonora feita de matéria negra, recolhida no jazz e no funk, rodeou-se de alguns dos nomes, que agora reinventam a manifestação artístico-musical.

Entre este grupo restrito de iluminados, salienta-se Kamasi Washington, saxofonista de Los Angeles, com a escola Miles Davis, John Coltrane e dos mestres da fusão Weather Report.

KAMASI  WASHINGTON – HEAVEN and EARTH (2.24:32)

Lançamento: 22 Junho 2018 / Label: Young Turks Recordings

Lançado recentemente, pelo selo inglês Young Turks, o disco representa a consolidação do inovador trabalho deste músico, que revolucionou o mundo do jazz na sua estreia, com o triplo álbum The Epic, em 2015.

“O mundo em que minha mente vive, vive na minha mente”, esse é o mantra que orienta as composições do novo álbum do saxofonista Kamasi Washington Heaven and Earth.

Apesar da linguagem zen e meio exotérica, Kamasi Washington não está falando em transformar o mundo somente de uma perspectiva espiritual. A filosofia do álbum está expressa pela música que abre a 1ª parte, Earth.

Fits of Fury é o tema do filme, A Fúria do Dragão (Fit of Fury de 1972), sucesso de Bruce Lee. A letra ressalta a fúria dos punhos contra a injustiça e ganha conotação politica, com a militância de Kamasi, no movimento Black Lives Matter.

Heaven and Earth é um álbum duplo, totalizando 146 minutos, mais condensado que o seu primeiro trabalho, que durava 172 minutos. Nele estão os mesmos elementos que caracterizam a proposta musical de Kamasi Washington, o famoso muro sonoro, formado por uma grande orquestra, um coro, e o duplo conjunto de jazz, com dois teclados, dois baixos, duas baterias, além dos sopros. Uma sonoridade envolvente, que nos conduz encantados, durante a viagem.

Kamasi Washington explica que em Heaven and Earth ele tenta refletir sobre a dualidade do ser. “Earth representa o mundo, tal como eu o identifico externamente e Heaven, é a utopia, tal como eu experimento o mundo internamente. Criamos a realidade com o que pensamos e com o que acreditamos. Isso nos dá o poder de transformar o mundo naquilo que queremos que ele seja”.

DISCOCRACIA 22 -  ("FUMO" ) -  Dia 29/06/2018

Fomos todos para Montreux
Às margens do lago Genebra
Para gravarmos um disco num estúdio móvel
Não tínhamos muito tempo
O Frank Zappa e o The Mothers of Invention
Estavam no melhor lugar por lá
Mas algum idiota com um sinalizador
Queimou o local até o chão
Fumo sobre a água, fogo no céu
Fumo sobre a água
A 4 de Dezembro de 1971, Montreux, na Suíça, ficou definitivamente associada à história do rock. Um incêndio no casino, durante um concerto de Frank Zappa e os Mothers of Invention, inspirou o clássico dos Deep Purple, Smoke on the Water.
Os Mothers of Invention executavam King Kong quando, durante um solo de sintetizador de Don Preston, alguém, entre o público, lançou um sinalizador que atingiu o tecto de madeira e as chamas rapidamente se propagaram.
Não há registo de vítimas mortais. Frank Zappa faleceu no dia 4 de Dezembro de 1993, precisamente 22 anos após o incêndio que destruiu o edifício e motivou os Deep Purple que estavam na assistência, a editar aquela que é a sua música mais mítica.
O Festival de Jazz de Montreux foi fundado em 1967 por Claude Nobs, O funky Claude referenciado na letra de smoke on the water.
A primeira edição foi realizada no Montreux Casino, o tal que ardeu completamente, e teve a duração de três dias, contando exclusivamente com músicos de jazz. 
A partir da década de 1970, passou a incorporar gêneros musicais como blues, soul e rock, além de música brasileira. Cresceu consideravelmente durante a década de 1980 e, apesar de continuar a dar destaque ao jazz, ampliou ainda mais sua variedade de gêneros, apresentando diversos artistas pop e rock. 
Continua a expandir-se desde então. O crescimento forçou a sua mudança para o Convention Centre, com o número de visitantes subindo de 75.000 em 1980 para 120.000 em 1994. Atualmente dura cerca de duas semanas e atrai um público estimado de duzentas mil pessoas.
Claude Nobs planeou, desde o início gravar todas as apresentações realizadas no festival. Como resultado, um número expressivo de registos em áudio e vídeo dos concertos em Montreux encontra-se em acervo. 
O arquivo recebeu em 2013, o estatuto de património da UNESCO.
Em Portugal, um dos Festivais que pretende ter algumas semelhanças é o Cool Jazz. A verdade é que, polémicas à parte sobre o local da sua realização, têm vindo a este festival, alguns nomes que figuram e outros que podem perfeitamente vir a figurar, no tal arquivo de Montreux património da Unesco.

JORDAN RAKEI – WALLFLOWER (45:36) 
Lançamento: 22 Setembro 2017 / Label: Ninja Tune

 Jordan Rakei nasceu na Nova Zelândia, cresceu em Brisbane, Austrália, e fez-se artista em Londres. O multi-instrumentista aproximou-se de nomes como Tom Misch e Disclosure, começando a espalhar o seu nome antes de explodir a solo. 

Jordan Rakei é uma mesclagem de inspirações, sonoridades, sentimentos e culturas, um verdadeiro poeta que se aventura, desbrava fronteiras e que está sempre buscando refrescar seu repertório. 
Wallflower impressiona a forma majestosa, simples e complexa, com que Jordan desabrocha e consegue transcrever as emoções e compartilhá-las com o público. As músicas são construídas de forma primorosa, com um lirismo extenso mas de fácil interpretação, incrementadas de honestidade e nobreza.

BADBADNOTGOOD – LATE NIGHT TALES (1.08:19)
Lançamento: 27 Julho 2017 / Label: LateNightTales
A série britânica Late Night Tales foi criada em 2001 com o intuito de convidar artistas dos mais variados gêneros musicais para compilar bandas sonoras que inspirassem aquilo que seria, por definição, uma “madrugada perfeita”
Os BadBadNotGood, aceitaram o desafio, e o resultado não poderia ser melhor. 
Numa época em que todos nós criamos playlists e os discos novos são absolutamente descartáveis numa semana, o quarteto canadiano conseguiu deixar uma espécie de assinatura do próprio som dos BadBadNotGood.
Ao longo das faixas, edilicamente misturadas, desde Erasmo Carlos à belíssima Don’t Talk (Put Your Head On My Shoulder), da fase áurea dos Beach Boys, passando por raridades do soul-jazz, da música africana e do boogie com leveza e sofisticação. No final e em tom de provocação, está reservada uma pequena surpresa, You, Me And Jim Beam de Lydia Lunch, propositadamente fora do contexto e da mistura.

DISCOCRACIA 21 -  ("ODES ANACREÔNTICAS" ) -  Dia 15/06/2018

Hendrix, o mago das seis cordas era avesso a tocar para grandes públicos. O Woodstock, no máximo da sua lotação atingiu os 400.000, numa média de 200.000 pessoas a assistir aos concertos que começaram no dia 15 de Agosto. O músico decidiu abdicar do horário que lhe haviam escolhido no cartaz, à meia-noite, e aguardar que o recinto fosse “esvaziando”.
Assim, pelas 08h00 da manhã de 18 de Agosto, de 1969, Jimi Hendrix subiu a palco para encerrar aquele que é, para muitos, o maior festival de música da história. Já “poucos” festivaleiros resistiam e, dos 400.000, restavam cerca de 40.000. Perto do final da sua setlist, Hendrix criou um dos momentos mais lendários na história da guitarra eléctrica, do rock, da música e mesmo da política. 
O guitarrista interpretou o hino nacional norte-americano, o “Star Spangled Banner”, numa versão carregada de feedback, com abuso da alavanca de vibrato, distorção e sustain, para procurar evocar ataques aéreos e as explosões dos bombardeamentos de napalm, numa alusão ao conflito no Vietname.
O hino serviu de cama à neblina Púrpura, Purple Haze, e encerrou o espectáculo antes dos encores, com o enigmático instrumental Villanova Junction, memorável.
Purple Haze é uma terminação usada para descrever uma variedade específica de canábis. Esta terminação foi originalmente dada para descrever um tipo de LSD que se vendia nos anos 60 e 70 impregnado num papel seco de cor púrpura. Mais tarde esta variedade de marijuana adquiriu popularmente o mesmo nome devido à sua alta potência e grande concentração de cristais. Mas isso é outra história. 
Interessante é o facto da melodia do hino americano, ser dum cluble anacreôntrico inglês do século XVIII e composta para ser cantada em tabernas. A letra de “To Anecreon in Heaven” foi para muitos, adulterada numa infeliz adaptação.
Anacreonte foi um poeta grego, do século VI a.C. e a sua poesia teve como tema o amor, a bebida e a sátira e foi denominada de erótica. Em Portugal temos em Manoel Maria Barbosa du Bocage, um dos seus mais genuínos seguidores.
Uma petição na plataforma digital “Change.Org” exigiu recentemente a troca do hino americano pelo clássico “War Pigs”, faixa do álbum “Paranoid”, de 1970 dos míticos Black Sabbath.
“O hino atual serviu a América com orgulho durante muitos anos. Mas é tempo de retirar o que é velho e escolher algo que represente a América e as suas atuais politicas” sugeriam os promotores. Enfim mais uma anedota a juntar a tantas outras.
Vem tudo isto a propósito de nacionalismos, cimeiras, guerra, paz, festas, festivais, alucinações e Escadas para o Céu. Bethel é o nome da localidade onde se realizou o Woodstock e é também o nome da cidade bíblica onde Jacob teve a célebre visão da Escada, por onde os anjos desciam e subiam ao céu. 
Curioso, também o facto de em hebraico Bethel significar “Casa do Senhor” e de Woodstock depois de muitos negas, se ter realizado na quinta do judeu de origem russa, Max Yasgur, o qual apesar de ser um homem de princípios conservadores, acreditava firmemente na liberdade de expressão. 
Mas voltemos à festa e aos festivais, para falar do Mimo o qual vai fazer 15 anos e já saiu há muito da cidade de Olinda no Brasil. Olinda é uma cidade colonial na costa nordeste do Brasil, perto da cidade do Recife. Fundada em 1535 pelos portugueses, foi construída em encostas íngremes e distingue-se pela arquitetura do século XVIII, com igrejas barrocas, conventos, mosteiros e casas de cores vivas. Originalmente um centro da indústria da cana-de-açúcar, é agora conhecida como uma colónia de artistas, com diversas galerias, oficinas e museus.
O Mimo, que não se fica por uma só cidade, ultrapassou no Brasil um milhão de visitantes no Rio, internacionalizou-se e chegou à cidade de portuguesa de Amarante em 2016. E o melhor de tudo pessoal... é à borla, e faz jus ao nome do Woodstock, 3 dias de Música e Feira de Artes (Woodstock Music & Art Fair ).

GOGO PENGUIN – A HUMDRUM STAR (50:42) 
Lançamento: 09 Fevereiro 2018 / Label: Blue Note
O trio inglês de Manchester, composto pelo pianista Chris Illingworth, pelo baixista Nick Blacka e pelo baterista Rob Turner, editou recentemente A Humdrum Star, na mítica morada jazz, da Blue Note Records.
Classificar A Humdrum Star, não é tarefa fácil. Aterra tranquilamente nas mãos do jazz, do neo-clássico, do hip-hop, da música experimental, do rock mais ou menos post e da música electrónica – seja ele o break beat, o ambient ou o tecno, sem estar ligada a nenhuma tomada, sem computadores, processadores ou outros maquinais objectos criadores.

 

JACK DEJOHNETTE, LARRY GRENADIER, JOHN MEDESKI, JOHN SCOFIELD - HUDSON (1.11:46)
Lançamento: 09 Junho 7 / Label: Mótema
O que acontece quando quatro dos maiores instrumentistas do mundo unem seus talentos musicais? Um supergrupo de jazz chamado Hudson, com o baterista Jack DeJohnette, o baixista Larry Grenadier, o guitarrista John Scofield e o pianista John Medeski. 
Neste primeiro álbum, a banda revisita clássicos dos anos 60 e aposta numa composição original, "Hudson", faixa que homenageia uma região de Nova York. Nas recreações, os músicos trazem “Lay Lady Lay”, de Bob Dylan, “Wait Until Tomorrow”, de Jimi Hendrix, “Up on Cripple Creek”, dos The Band, entre outros clássicos identificáveis logo nos primeiros acordes.

DISCOCRACIA 20 -  ("gOD save the qUEEN… and anybody ELSE" ) -  Dia 01/06/2018

Passaram 41 anos num ápice.
God Save the Queen e os Sex Pistols, atacavam então o conformismo social da sociedade britânica e a sua submissão à coroa.
God Save the Queen dos Sex Pistols foi lançado em 1977, durante as comemorações dos vinte e cinco anos de ascensão da Rainha Elizabeth II ao trono da Grã-Bretanha e das outras 15 nações que compõem os Reinos da Comunidade das Nações, com o Canadá e a Austrália à cabeça. 
A letra da música e a capa do single, causaram bastante polêmica à época e provavelmente ainda hoje teria o mesmo desfecho. Quanto ao single, tanto a BBC, quanto a Autoridade Independente de Radiodifusão recusaram-se a pô-lo no ar. A banda foi posteriormente, não só proibida de actuar em solo britânico, como foram expulsos da editora.
Os Sex Pistols, tal como os entendemos, acabaram em 1978, mas graças a eles e ao movimento punk então gerado, a maior epidemia de pandemónio moral estava em marcha.
Vem tudo isto a propósito do recente e muito badalado “casamento do ano”, dos Windsor, das polémicas reptilianas e Illuminati e de uns quantos escândalos, os quais na verdade só servem para entreter as massas e promover o turismo, uma das principais fontes de receita da “Firma”.
E vem tudo isto, também a propósito de “Your Queen is a Reptile”, último trabalho de “Sons of Kemet”, da descoberta das suas rainhas e dos novos sons do underground londrino.

SONS OF KEMET – YOUR QUEEN IS A REPTILE (55:26) 
Lançamento: 30 Março 2018 / Label: Impulse!
Neste álbum, o saxofonista Shabaka Hutchings, sediado em Londres e de origens caribenhas é o principal motor de arranque de um som que multiplica a agilidade do call-and-response.
A dinâmica com a tuba de Theon Cross deixa preponderante um som grave, só que de maneira paulatina, intensificado pela percussão e bateria selvagens de Eddie Hick e Tom Skinner.
Nesse sentido, os solos do sax-alto de Shabaka tornam-se o elemento norteador de uma viagem que esboça o imaginário coletivo de indivíduos que compartilham das mesmas influências. Não à toa, os heróis – ou, corrigindo, as heroínas – são todas precedidas pelo termo “My Queen is”.

VARIOUS – WE OUT HERE (54:34)
Lançamento: 09 Fevereiro 2018 / Label: Brownswood Recordings
A Brownswood Recordings, com a curadoria de Gilles Peterson, apresenta "We Out Here". Um sumário da nova cena jazzística de Londres, esta compilação reúne uma coleção de alguns dos seus talentos mais afiados. Com um conjunto de nove faixas recém-gravadas, "We Out Here" captura momentos em que as etiquetas e o enquadramento em géneros musicais importaram menos que a energia crua que atravessou as sessões. Gravado em três dias num estúdio da capital britânica, os resultados falam por si mesmo: uma autêntica janela para o futuro risonho do underground musical de Londres.
O álbum contém algumas das ideias e temas vitais que emanam deste movimento em expansão. Um reflexo de como a música influenciada pelo jazz de Londres alcançou novos espaços. Há uma infinidade de cruzamentos entre cada um destes nomes que "We Out Here" apresenta. 
Ezra Collective, Nubya Garcia, Joe Armon-Jones, Shabaka Hutchings, são alguns dos nomes aqui presentes.

DISCOCRACIA 19 -  (A insutentavel leveza do ser ) -  Dia 25/05/2018

A Insustentável leveza do ser, é antes de tudo o mais um excelente título.
A Insustentável Leveza do Ser, a obra prima do escritor Checo Milan Kundera, nada mais é do que um tratado para o alcance da plena liberdade. Não ter com que se preocupar, não ter a quem dar satisfações, não ter nada que nos prenda, em lugar algum. Vemos então que o Peso, conceito considerado negativo à priori, é mais do que necessário, é indispensável para dar sentido à vida.
A natureza humana, necessita de peso para estar consciente de sua própria existência.
A lembrança do titulo vem a propósito do Eurofestival e do Veto presidencial à lei sobre a autodeterminação da identidade de género.


LINEKER – LINEKER (37:54)
Lançamento: 08 Novembro 2016 / Label: Tratore Music
LINEKER é o terceiro álbum do cantor, bailarino e Performer Lineker.
Produzido pelo próprio, em parceria com o pianista e produtor musical Chicão,
o disco alinha com a pop experimental contemporâneo e é o primeiro trabalho
de Lineker enquanto autor.
Neste álbum a voz do cantor desdobra-se em coros, contrapontos e ostinatos
que se somam a formações instrumentais, as quais variam entre baixo, bateria,
clarinetes, clarones, guitarras, kalimba, teclados, violas e programações
eletrônicas.
Seus grandesmentores na música são mulheres: a principal delas, Elis Regina,
além de Clara Nunes, Maria Betânia, e mais recentemente a cantora e
compositora islandesa Björk, por quem, segundo o próprio, anda um pouco
"obcecado".

AS BAHIAS E A COZINHEIRA MINEIRA – BIXA (32:16)
Lançamento: 01 Setembro 2017 / Label: Pommelo
Para as Bahias e a Cozinheira Mineira, Neste seu último trabalho, Bixa, o ponto de partida foi Caetano Veloso e seu Bicho, disco de 1977.
Pelas palavras de Raquel Virgínia uma das cantoras transexuais da banda “Olhamos para a música brasileira como um baú, que a gente abre e é muito rico”.
“Em relação ao Bicho do Caetano, entendemos que nosso disco também trazia alegorias com o reino animal, que havia uma ligação entre os dois trabalhos. Não é algo saudosista, é uma digestão, uma absorção orgânica. Bixa reverencia a obra do Caetano, mas não é presa a ela”.
Em Bixa, a bandeira da diversidade é hasteada sem deixar a música para segundo plano.

JOHNNY HOOKER – CORAÇÃO (39:25)
Lançamento: 23 Julho 2017 / Label: Jdm Music
Nascido John Vicent Donovan, Johnny Hooker é descendente de irlandeses e nunca escondeu suas referencias artísticas e musicais. Do pop ao tropicalismo, sempre exibiu uma predileção por David Bowie e Caetano Veloso. Referências essas que de facto ficam ainda mais nítidas em Coração.
Levando à risca um projeto musical diverso, o cantor continua a apresentar neste trabalho, uma variada gama de ritmos. 
Um misto de crueza, drama e bom humor, é fórmula que nos acompanha durante toda a audição da obra.

DISCOCRACIA 18 -  (A Importância de se chamar Ernesto ) -  Dia 11/05/2018

A Importância de se chamar Ernesto, é uma peça do escritor/dramaturgo/poeta irlandês Oscar Wilde. Hoje considerada uma obra-prima teatral, estreou nos palcos londrinos por volta de 1895
A comédia começa pelo título, que no original é The Importance of Being Earnest.
Por “earnest” entendemos “honesto”, o que em si é um termo homófono a “Ernest”, nome próprio pelo qual se ficou a tradução, isto é, em português Ernesto, o nome do protagonista. 
Má escolha da tradução, desvirtuou a essência da coisa.
Vem tudo isto a propósito, da importância da escolha dos nomes e do seu significado.
Escolher o melhor título para um disco desempenha um papel importante na definição do álbum. Seja ele uma frase aleatória, um título de uma canção do álbum, ou um título do mesmo nome da banda (homónimo).
A propósito de álbuns homónimos, a discussão está em aberto, mas tendencialmente, estes são os melhores álbuns das bandas. A explicação talvez seja simples. Têm mais a ver com a essência da coisa. São genuínos.

LINDA MARTINI – LINDA MARTINI (45:22) 
Lançamento: 16 Fevereiro 2018 / Label: Sony Music
2018 traz-nos agora o novo álbum da banda, homónimo. Pesado, duro e arriscado, Linda Martini reflecte as melhores capacidades da banda: composição, talento musical e capacidade de arriscar. 
Apesar do crescimento a nível nacional, os Linda Martini mantém a mesma identidade, algo que pode ser testemunhado da primeira à última faixa.
Os Linda Martini estão a conseguir outra coisa: elevar os estilos musicais que sempre foram de nichos a um patamar universal, cruzando a música tipicamente portuguesa com o que de melhor se faz por esse mundo fora, criando uma nova identidade musical.

X-WIFE – X-WIFE (38:50)
Lançamento: 06 Abril 2018 / Label: Blackout Records
A banda de João Vieira, Rui Maia e Fernando Sousa lançou recentemente um álbum homónimo, o seu 5º de originais. Com 15 anos de estrada, os X-Wife continuam a surpreender com uma sonoridade electrizante e temas cuidadosamente trabalhados em estúdio.
A cultura pop está entranhada neles, continuam com a cabeça cheia de discos (os Suicide, os Roxy Music, os Kraftwerk, o Bowie, os LCD Soundsystem, entre tantos outros).

DISCOCRACIA 17 -  (O EXPERIMENTAR ) -  Dia 27/04/2018

Edição de DISCOCRACIA é dedicado à memória de Alan Turing.
Ao Punk é normalmente atribuído o conceito de subversão, mas haverá coisa mais (perigosa) no mundo, de que, “o experimentar”?
Por vezes, a música eletrónica ainda enfrenta algum preconceito quando é subestimada pela aparência “menos verdadeira” da sua génese maquinal.
Na Música Contemporânea, a combinação entre clássica e eletrónica está tão proximamente interligada que é difícil, determinar o que é o quê.


10000 RUSSOS – DISTRESS DISTRESS (39.26) 
Lançamento: 24 Novembro 2017 / Label: Fuzz Club Records
Não é nada fácil misturar psych, com industrial, post punk e algum experimentalismo e dai resultar algo atraente e agradável aos ouvidos. 
São seis os percursos que compõem esta viagem. São faixas compridas e complexa. A sua densidade acompanha atmosferas negras, pesadas e distorcidas. A voz de fundo surge em contrabalanço com a intensidade que o corpo sente ao saborear cada ritmo e acorde.
Estes 10000 Russos são vertigem eléctrica, ruído xamânico conjurando o espírito dos Neu! e dos Spacemen 3.

CITIZEN:KANE & HOBO – LO-FI EXPEDITIONS (42:36)
Lançamento: 29 Maio 2017 / Label: Fungo.pt
A Obra une dois produtores, Marco Guerra, como Citizen:kane e Zé Diogo Mateus, como Hobo. Os 2 gravitam em volta do trabalho persistente e meritório da promotora e editora Fungo.
Esta colaboração resulta numa música alienígena, fascinante e mais indicada para a contemplação extática (e estática) do que para as pistas de dança.

 

DISCOCRACIA 16 -  (Era uma vez um país) -  Dia 20/04/2018

No dia 25 de Abril de 1974 Portugal terminava definitivamente com meio século de opressão, medo e atraso.No dia anterior a rádio foi a “senha” para o arranque simultâneo dos militares que decidiram acabar de uma vez por todas com uma ditadura que definhava o País. 

A "senha", constituída pela canção Grândola, Vila Morena, de José Afonso, foi para o ar no programa Limite da Rádio Renascença, à meia-noite e vinte, antecedida da leitura da sua primeira quadra.
Era o arranque sincronizado e irreversível das forças do MFA (Movimento das Forças Armadas).
O Rádio Clube Português é ocupado por militares e transformado no posto de comando do «Movimento das Forças Armadas» - por este motivo a emissora fica conhecida como a “Emissora da Liberdade”.
Portugal foi, nessa altura, um verdadeiro laboratório de análises sociais e políticas. 
Lugar de fascínio para uns, mas também de fortes receios para outros, atendendo à nossa especial posição geopolítica e geo-estratégica, fomos, naqueles breves, mas intensos e exaltantes meses, notícia de primeira página um pouco por todo o mundo, mas sobretudo na Europa, nessa velha Europa que, no dizer de Eduardo Lourenço, "queríamos revolucionar e que, diga-se de passagem, julgou que ia revolucionar-se connosco”.

Utopia ou não! Talvez um dia!..

SÉRGIO GODINHO – NAÇÃO VALENTE (33.30) 
Lançamento: 26 Janeiro 2018 / Label: Universal Music Portugal
Nação Valente, o novo álbum de Sérgio Godinho, para o qual foram convidados músicos como David Fonseca, Márcia e José Mário Branco, assina em Nação Valente, todas as letras, excepto Delicado, um original de Márcia, mas apenas duas músicas, sendo as restantes escritas por Hélder Gonçalves, David Fonseca, José Mário Branco, Nuno Rafael, Filipe Raposo e Pedro da Silva Martins. 
Esta diversidade será mérito de Sérgio, que se apropria das canções de forma a torná-las suas, no som e na forma, mesmo a de Márcia, mas também de Nuno Rafael, que garante com excelentes resultados a produção e a direcção musical do disco. 
Ouvir Nação Valente torna-se, por isso, viciante: cada tema, ainda que nos soe como novidade, parece pertencer há muito a um lote de canções eleitas. Poucos discos o conseguem.

DEAD COMBO – ODEON HOTEL (47:23)
Lançamento: 13 Abril 2018 / Label: Sony Music
Uma das características que salta a à vista neste trabalho, é o recurso à bateria como instrumento principal, o que faz de Odeon Hotel "um álbum muito mais rock", como o caracteriza Tó Trips. 
Outra das novidades, é a inclusão de um vocalista, nada mais nada menos do que o cantor americano Mark Lanegan, convidado para interpretar o tema I Know, I Alone, feito a partir de um poema, com o mesmo nome, da autoria de Fernando Pessoa.
Para o músico, o facto de os Dead Combo, serem apenas uma banda de dois elementos "acaba por tornar o trabalho mais limitado", mas também "torna mais fácil essa abertura para a mudança". A grande dificuldade da continuidade, afinal, passa mesmo por inovar em algo que já se faz há muitos anos. 
"Todas as bandas passam por isto, e é saudável, especialmente em projetos como o nosso, que criam uma identidade muito própria, poder vir alguém de fora para nos alargar horizontes. Ter uma identidade é importante, mas com o tempo isso também acaba por funcionar como um muro que não nos deixa ir mais além", defende Tó Trips.

PAUS – MADEIRA (32:17)
Lançamento: 06 Abril 2018 / Label: Sony Music
Hélio Morais, Makoto Yagyu, Fábio Jevelim e Quim Albergaria são os PAUS. Um baixo, teclados e uma bateria siamesa.
Madeira, a ideia de uma ilha que flutua e não tem sítio certo na geografia, uma ilha esquecida por um continente e de tão feliz por estar esquecida que se encontra na interceção das Américas, África e Europa, pareceu-lhes naturalmente um retrato preciso do som que estavam a ouvir. 
Um mapa com fronteiras apagadas, uma ilha que se deixa levar e gosta de quem quer e está sempre à espera do barco é a forma como os PAUS olham para a Madeira e para si próprios, enquanto plataforma criativa.

DISCOCRACIA 15 -  (Noite de espanto) -  Dia 13/04/2018

Espanto, susto ou assombro?
Espanto! Enquanto susto, pavor, temor…medo
O medo que nos fascina.
Dizem ser uma Emoção Universal. 
Assim que o Ser Humano nasce, o Medo vem agarrado à sua mente, pronto a entrar em ação a qualquer momento. 
Só precisa de um pretexto, de um pequeno pretexto…Sem qualquer manual de instrução ou interpretação o Ser Humano toma contacto com esta emoção e sem saber o que lhe está a acontecer tenta balancear a mesma, procurando a sua zona de conforto ou pensando em algo mais prazeroso. 
O Medo é tão válido e essencial como qualquer outra emoção. 
O Medo é capaz de nos levar ás profundezas da nossa mente, mas também de nos levar ao encontro do nosso Eu criativo. Sem o Medo a vida não teria o mesmo valor, o mesmo sabor…
Por isso tenham Medo…

O espanto enquanto assombro, pasmo, fascínio…admiração 
Na origem do pensamento está o espanto.
Segundo Sócrates É absolutamente de um filósofo esse sentimento: espantar-se. A filosofia não tem outra origem…

Na teoria da banalidade do mal, a filosofa alemã Hannah Arendt baseada no julgamento de Adolf Eichmann, o carrasco nazi, concluiu, que a trivialização da violência corresponde ao vazio de pensamento.
Para Arendt, o mal de nosso tempo, está naqueles que não se espantam com mais nada.

Espanto, enquanto assombro ou susto? Tanto faz é fascínio!
Espantem-se. Sempre!

MOONSPELL – 1755 (51.12) 
Lançamento: 03 Novembro 2017 / Label: Napalm Records
A cumprir com a tradição de surpreender os fãs, os Moonspell lançaram um álbum que nos enche o coração e estremece a alma, 1755, obra lançada a 03 de Novembro de 2017, faz ecoar no espaço nacional, todas as vozes que não foram ouvidas no trágico terramoto de 1 de Novembro de 1755.
A Banda nacional, composta por, Fernando Ribeiro, Ricardo Amorim, Pedro Paixão e Aires Pereira, dispensa apresentações em território Lusitano.
1755, conta o relato do terramoto de Lisboa de uma forma nunca antes pensada. Se achamos que a versão ensinada nos livros de história tinha impacto, este albúm vem revolucionar o nosso pensamento. Lê-se na critica especializada.

BIZARRA LOCOMOTIVA – ALBUM NEGRO (58:21)
Lançamento: 13 Outubro 2017 / Label: Rastilho Records
A Rastilho Records reeditou em 2017 o já considerado clássico "Álbum Negro" de 2009, dos Bizarra Locomotiva. 
Angustiante, este “Álbum Negro” simboliza a eterna e sombria claustrofobia dos Bizarra Locomotiva; uma negritude arrepiante que percorre de um estranho prazer as 14 faixas do disco. Quase sempre de uma densidade furiosa, “Álbum Negro” acentua a posição de charneira dos Bizarra Locomotiva no panorama da electrónica industrial nacional. O ódio e a dor estão de volta, com uns Bizarra Locomotiva iguais a si mesmos. Pujantes. Lia-se na critica especializada em 2009.

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DISCOCRACIA 14 -  (HOJE, NÃO HÁ MISSA, NÃO HÁ HOMILIA) -  Dia 30/03/2018

Sabia, que Na Igreja Católica, a missa pode ser celebrada todos os dias, excepto na Sexta-feira Santa.
A DISCOCRACIA embora não comungando, respeita e consagra a Sexta Feira da Paixão, a duas excelentes e recente obras musicais, que estão a marcar música contemporânea.
Estas duas obras foram apresentadas na integra e sem comentários.

LAURIE ANDERSON & KRONOS QUARTET – LANDFALL (1:09:34)
Lançamento: 16 Fevereiro 2018 / Label: Nonesuch
Laurie Anderson e os Kronos Quartet apresentam-nos uma obra essencialmente instrumental, densamente povoada de ambientes electroacústicos.
Enquanto, os Kronos Quartet elevam a sua arte orquestral a níveis épicos, Laurie Anderson está por detrás do restante e aqui o restante é o quase tudo: Voz, Violino, Keyboards, Samplers, Percussões e Programação.
É bem provável, que Lou Reed, tal como no seu documentário de Heart of a Dog esteja aqui a ser evocado. Faz sentido.

W. A. MOZART: REQUIEM EM RÉ MENOR, K626 (45:55)
Lançamento: 27 Outubro 2017 / Label: Harmonia Mundi
Sophie Karthauser, Marie-Claude Chappuis, Maximilian Schmitt e Johannes Weisser (vozes solistas)
Freiburger Barockorchester, RIAS Kammerchor, René Jacobs, direcção
(45:55)
Lançamento: 27 Outubro 2017 / Label: Harmonia Mundi
Este álbum recentemente lançado, oferece uma nova leitura de uma das mais célebres obras que o genial compositor austríaco não chegou a concluir.
O trabalho que Sussmayr empreendeu ao terminar a partitura de Mozart foi agora refeita pelo jovem arranjador Pierre-Henri Dutron.
O resultado final foi uma orquestração mais ligeira e actual, aqui com a assinatura interpretativa do contratenor e maestro Flamengo, René Jacobs.

DISCOCRACIA 13 -  (NÃO DESISTE, NEGRA, NÃO DESISTE!) -  Dia 23/03/2018

Mariella Franco, assassinada "por ser preta, mulher, lésbica, favelada" e "ousar ocupar o lugar das elites" é agora "a bandeira" da luta pelos direitos humanos. A emissão de Discocracia é dedicada a esta mulher, as balas não podem calar a democracia, é preciso dar voz a quem não a tem. E porque é preciso gritar bem alto: 
"Não desiste, negra, não desiste!"

PRETA RARA – AUDÁCIA (34:51)
Lançamento: 21 Setembro 2015 / Label: OQProduções
Preta Rara vem de Santos. Preta Rara vem do rap. Preta Rara é mulher, e mulher negra. Com o dom da palavra e da poesia do “repente-do-rap”, Preta-Rara, no alto de seus 30 anos, ingressa na carreira solo, trazendo consigo a acidez que mergulha nas entranhas que escondem nossas mais puras mazelas – e preconceitos.
Audácia é um nome muito propício ao disco. Depois de 7 anos no grupo feminino Tarja Preta, Joyce Fernandes, a Preta-Rara, seguiu o valioso incentivo de Criolo, que a instruiu a seguir carreira a solo. Produzido por Iuri Stocco, do estúdio CoisaSimples, Audácia contém oito músicas e dois poemas. Nele, Preta Rara apresenta relatos bem sinceros sobre ser mulher e negra em um país onde, apesar de predominantemente negro e feminino, ela é ensinada a viver à margem do mundo, quase como um corpo estranho.

ELZA SOARES – O FIM DO MUNDO (42:40)
Lançamento: 23 Junho 2017 / Label: Mais Um Discos
O Fim do Mundo (Remixes) é um presente da muito acarinhada Elza Soares, a grande diva do jazz brasileiro.
Foi preciso chegar aos 80 anos de idade para ser ouvida pelo mundo.
Esta é a expressão de uma pessoa oprimida pela violência doméstica e não só.
A música do álbum original, foi remisturada por 14 artistas, entre eles DJ Marfox e Nídia Minaj, da Príncipe Discos.
No meio dos diferentes recriadores d’A Mulher do Fim do Mundo encontramos também outros nomes conhecidos como o do francês Gilles Peterson e o brasileiro Kiko Dinucci, guitarrista da Elza Soares, que lançou este ano a longa duração Cortes Curtos. Para descoberta sobram Omulu, Laraaji e Marginal Men, também eles protagonistas de excelentes remisturas.

MC CAROL – BANDIDA (26:16)
Lançamento: 28 Outubro 2016 / Label: Heavy Baile
MC Carol, nome artístico de Carolina de Oliveira Lourenço tornou-se conhecida por juntar, à sua música, poesia com temáticas sociais feministas e canções de duplo sentido onde o sexo é abordado de forma explícita.
Bandida é o nome do seu 1º trabalho.
“Eu conheci o inferno, conheci a invisibilidade, conheci pessoas que se aproveitam do seu sofrimento para te pisar mais um pouquinho, conheci pessoas que te oferecem drogas para usar e vender. Eu optei a bebida.”
Assim é Carol, Nua e Crua.

DISCOCRACIA 12 -  (DUM DIVERSAS) -  Dia 16/03/2018

"Amável Donzela", "Boa Intenção", "Brinquedo dos Meninos", "Caridade", "Feliz Destino", "Feliz Dias a Pobrezinhos", "Graciosa Vingativa", "Regeneradora", são alguns dos nomes dos barcos de negreiros portugueses. Mas será que para além deste nomes de mau gosto, "terão contribuído os portugueses, decisivamente para o surgimento da música negra?" A esta pequena provocação, o Mano Jorge respondeu ao longo da edição 12 de DISCOCRACIA. No final, talvez se conclua, que "os seres humanos não vivem sem esperança, mas também não vivem sem arte".

YOUNG FATHERS – COCOA SUGAR (36:48)
Lançamento: 09 Março 2018 / Label: Ninja Tune
Cocoa Sugar é o 3º album dos escoceses Young Fathers.
Vencedores do Mercury Prize, prémio que consagra o melhor álbum do Reino Unido e Irlanda, em 2014 com Dead, as suas raízes estão ligadas ao Hip-Hop e lembram os momentos aúreos do Trip-Hop, embora os Young Fathers possuam uma estética própria, um Soul mais industrial e electrizante, com incursões na electrónica experimental.
Cocoa Sugar está fora dos cânones estruturais da música actual e é um hino à liberdade criativa.

THUNDERCAT – DRUNK (51:24)
Lançamento: 24 Fevereiro 2017 / Label: Brainfeeder
1 – Lava Lamp
Drunk é o terceiro álbum do baixista, produtor e compositor californiano, Stephen Bruner, mais conhecido por Thundercat.
O álbum tem 23 faixas de curta duração e conta com as participações de nomes consagrados, como Kendrick Lamar, Pharrell Williams, Wiz Khalifa, Michael McDonald e Kenny Loggins.
A produção é de Thundercat em parceria com Flying Lotus
Thundercat, trouxe para Drunk, todas as complexidades do jazz e do soul, numa música carregada de humanidade.
Estamos perante um disco virtuoso.

DISCOCRACIA 11 -  (TEODORO VAMOS AO SONORO) -  Dia 09/03/2018

O medo à mudança, nos tempos iniciais do cinema, tem expressão numa canção, cantada por Corina Freire e que fez parte do Teatro de Revista “O Mexilhão”: “ Teodoro Não Vás ao Sonoro”. Nesta edição de DISCOCRACIA, Mano Jorge partiu da ideia, que afinal o cinema nunca foi totalmente mudo.

THE HELIOCENTRICS – THE SUNSHINE MAKERS (46:02) 

Lançamento: 30 Junho 2017 / Label: Soundway
The Sunshine Makers é um documentário sobre os químicos Tim Scully e Nick Sand.
Scully e Sand não são nomes conhecidos do grande público, mas o produto que eles criaram há pouco mais de 50 anos é um dos mais famosos da famosa contracultura: o Orange Sunshine, o ácido lisérgico mais conhecido dos anos 1960.
Para compor a banda sonora do documentário, The Sunshine makers, foi convidado o Colectivo britanico, The Heliocentrics.
Os seus acordes psicodélicos, misturando funk, jazz e acid-rock, não podiam estar mais em sintonia com a temática do filme, a história do LSD no seio da “Contracultura” americana dos anos 60.

PREVENGE (ORIGINAL SOUNTRACK) – MUSIC BY TOYDRUM (46:14)
Lançamento: 24 Fevereiro 2017 / Label: Because Music
Alice Lowe é a protagonista, argumentista e estreia-se como realizadora em Prevenge, um filme sanguinário sobre uma mãe que obedece aos desejos macabros e psicóticos do feto que carrega no ventre.
Toydrum, dupla de música eletrónica, foi formada em 2011 pelos membros da banda Unkle, Pablo Clements e James Griffith.
A dupla editou, Distant Focus Vol 1 em 2014 e Evangelist em 2015.
Para a paisagem sónica de Prevenge, a dupla Toydrum traz uma qualidade apropriadamente desconcertante à ação, conseguindo ilustrar musicalmente o estado psíquico da anti-heroína do filme.

DISCOCRACIA 10 -  (AUTOMEDICAÇÃO) -  Dia 02/03/2018

MINT FIELD – PASAR DE LAS LUCES (1.04:13)
Lançamento: 23 Fevereiro 2018 / Label: Innovative Leisure
Estrela Sanchez e Amor Amezcua têm vinte e um anos e são oriundas de Tijuana, no México. Saltaram o muro e gravaram o seu álbum de estreia, Pasar De Las Luces, do outro lado da fronteira, em Detroit, no Michigan, para a editora Innovative Leisure.
O Album foi produzido por Christopher Koltay, produtor independente e membro do grupo de rock experimental Akron/Family.
As treze faixas deste álbum, Pasar De Las Luces, abrangem sons facilmente conectados com o universo psicadélico, post-rock, shoegaze e krautrock e evidenciam um talento musical, que se aprende com os antigos mestres, embora não se refugie no passado.
Os sintetizadores de Amezcua e os vocais de Sanchez criam a banda sonora perfeita para mergulharmos, limpar a cabeça de preocupações terrenas e flutuarmos através do universo interminável das emoções humanas.

THE LIMIÑANAS – SHADOW PEOPLE (39:10)
Lançamento: 19 Janeiro 2018 / Label: Because Music
The Limiñanas são uma banda Francesa de Perpignan, composta pelo multi-instrumentista Lionel e por Marie Limiñana na bateria e vocais. Conheceram-se aos 17 anos, apaixonaram-se e não mais se separaram. A sua cumplicidade alargou-se à música.
Em Shadow People, no seu quinto álbum de originais, os The Limiñanas, continuam a utilizar as fórmulas que já tomam como suas desde 2010, ano em gravaram o seu homónimo e 1º álbum de originais.
Poderia ser um argumento contra a sua qualidade, mas há todo um universo a explorar dentro do grande género onde se inserem, o Rock Psicadélico com tonalidades de hipster francês.

DISCOCRACIA 09 -  (PÓS SATURAÇÃO) -  Dia 23/02/2018

DO MAKE SAY THINK – STUBBORN PERSISTENT ILLUSINS (1.00:47)

Lançamento: 19 Maio 2017 / Label: Constellation

Ao fim de 8 anos de ausência os canadianos “Do Make Say Think” estão de regresso com um excelente álbum instrumental, “Stubborn Persistent Illusions”.

Nele podemos encontrar toda a dramaticidade cinematográfica do amor e do ódio, da violência e da paz, sempre presentes ao logo da Obra, bem assim como os elementos musicais essenciais do Post-Rock, baseados no Rock Alternativo e Jazz. A música dos “Do Make Say Think” aqui sentida, transmite a sensação de que, algo de grandioso está por acontecer.

Não é por acaso que a capa do álbum nos faz lembrar as descobertas no “Novo Mundo”.

SLOWDIVE – SLOWDIVE (45:56)

Lançamento: 05 Maio 2017 / Label: Dead Oceans

Os Ingleses “Slowdive”, banda de culto dos anos 90, estão de regresso após 22 anos de inactividade discográfica e de uma longa espera para todos nós. Com eles estão de volta os profundos mergulhos na melancolia, que aconchegam sem entristecer.

Os Slowdive estão de volta. Resta-nos disfrutar do momento. Basta penetrar no seu intenso e denso universo, pleno catalisador de emoções.

DISCOCRACIA 08 -  (IDADE MAIOR) -  Dia 26/01/2018

Idade Maior 1 Thurston Moore Rock n roll Consciousness

THURSTON MOOREROCK N ROLL CONSCIOUSNESS (42:56)

Lançamento: 28 Abril 2017 / Label: Caroline

THURSTON MOORE – ROCK N ROLL CONSCIOUSNESS (42:56)
Lançamento: 28 Abril 2017 / Label: Caroline

É quase impossível, falar de Thurston Moore sem falar nos Sonic Youth, um dos grupos mais influentes do rock das últimas décadas.
Neste trabalho de 2017, 2 dos elementos essenciais, da construção musical de Thurston, a guitarra e voz, rementem-nos para os “Sonic”, mas a estrutura e dimensão das composições, são abordadas de um modo diferente, e as letras são marcadamente de teor intimista.
O modo de iniciar, e acabar as músicas, também soa aqui de um modo diferente. Ficamos a saber como inicia a viagem, não sabemos, quando, e como vai terminar.

Idade Maior 2 Afghan Whigs In Spades

AFGHAN WHIGS – IN SPADES (36:20)
Lançamento: 05 Maio 2017 / Label: Sub Pop

É impossível falar dos “Afghan Whigs” sem falar do seu líder Greg Dulli, um dos mais eloquentes “frontment” do rock, devido ao seu provocante comportamento em palco e não só!..
Dulli, descreve este último trabalho de 2017 “In Spades” como «assustador» e como a vida e a memória podem num ápice colidir.
Nunca a música dos “Afghan Whigs” serviu tão bem o lado “noir” de Dulli, como neste “In Spades”.

Idade Maior 3 Mark Lanegan Band Gargoyle

MARK LANEGAN – GARGOYLE (41:12)
Lançamento: 28 Abril 2017 / Label: Heavenly, PIAS
Mark Lanegan vai-se aprimorando com a idade. Este “Gargoyle” tem a força e a serenidade interpretativa, para que se possa ir associando o seu nome, a ícones como Nick Cave ou Tom Waits.
Mark revelou recentemente, que embora escreva melhor do que há 15 anos atrás, prefere trabalhar as suas canções em colaboração com outros músicos. “Quando vejo as coisas sob a perspectiva de outras pessoas é bem mais excitante para mim, do que deixar-me estar a trabalhar sozinho”.
E ainda bem, porque neste álbum, fazem parte nomes como Josh Homme dos “QotSA” e Greg Dulli dos “Afghan Whigs”.

DISCOCRACIA  07 -  (SONS DA FRENTE) -  Transmitido a 19/01/2018

Som da Frente 1 Shame Songs of Praise

Songs of Praise é o álbum de estreia dos britânicos Shame.
Se Londres foi o berço do punk europeu, o distrito de Brixton foi e continua a ser o seu centro espiritual.
Os Shame pertencem a esse apelidado Bairro do Povo em Londres e são uma prova de que a música analógica, feita com base no velho som das guitarras não está morta.
Songs Of Praise é simultaneamente uma estreia impetuosa e ousada, de uma banda, que pode ter algo de novo a dizer, no mundo musical.

 Som da Frente 2 Jeff Rosenstock Post

JEFF ROSENSTOCK – POST (40:06)
Lançamento: 02 Janeiro 2018 / Label: Polyvinyl Record Company

Post, é o mais recente trabalho de Jeff Rosenstock, músico e compositor norte americano de Long Island.
Power Pop na sua essência musical, o álbum é um manifesto politico introspectivo.
As letras incendiadas e os ritmos revoltos, assumem uma atitude política proeminente evocando em silencio, não só a personagem americana mais incontornável do último ano, mas também a multidão queo elegeu.
Post funciona como catarse para Rosenstock. Tentar perceber o que pensa, o que faz e porque o faz, quem se cruza connosco anonimamente e depois como viver o dia a dia em sociedade, é um desafio permanente.

Som da Frente 3 Veenho Veeenho

VEENHO – VEEENHO (16:33)
Lançamento: 05 Novembro 2017 / Label: Xita Records

Os Veenho com 2 e’s são, António Eça, Martim Brito, Xixo e Pedro Valera.
Este 2º EP Veeenho com 3 e’s, foi produzido por Gonçalo Formiga e gravado para a editora independente Xita Records.
Os Veenho são a prova viva de que o rock alternativo com som de garagem, não morreu em Portugal. A estética e a atitude punk andam por aqui, em Lisboa.

 

DISCOCRACIA 6 -  (A ESTÉTICA DA FALHA) -  Transmitido em 12/01/2018

ARCA – ARCA (43:10)
Lançamento: 07 Abril 2017 / Label: XL Recordings

O músico e produtor venezuelano, Alexandro Ghersi (vulgo Arca), tem sido o principal impulsionador das aventuras mais experimentalista de Kanye West, Kelela ou Bjork.
Neste seu terceiro álbum, aventura-se (e ainda bem) na vocalização.
Este é um álbum feito de oposições, confrontos e extremamente rico em substância criativa.
O seu conteúdo, cria um temático e intenso “suspense” sonoro.
A sua audição é um desafio aos sentidos.

BJÖRK – UTOPIA (1.11:38)
Lançamento: 24 Novembro 2017 / Label: One Little Indian

Dois anos depois de um álbum “Vulnicura”, que simbolizava o cepticismo, a islandesa renasce com a preciosa ajuda de Arca.
Neste novo álbum ouvem-se flautas, pássaros, coros celestiais e ruído industrial, as fotos mostram Björk em avatar híbrido mulher-homem-planta-animal-cerâmica-kitsch-brinquedo-fetichista (já lhe chamaram avant drag). Utopia faz parte de um processo de transformação, ou transmutação, em que Björk quer celebrar a vida e a natureza, o amor e sexo, dar vida a uma fantasia telúrico-tecnológica com fundamentos políticos.

DISCOCRACIA 5 - (FILOSOFIA CÓSMICA) - Transmitido em 05/01/2018

THE COMET IS COMING – CHANNEL THE SPIRITS; SPECIAL EDITION (1:10:55)
Lançamento: 23 Agosto 2017 / Label: Leaf

Esta edição especial de Channel the Spirits, reúne o Album de 2016, Channel the Spirits, o EP de 2015 Prophecy e 3 faixas nunca antes editadas, as Ancient Tapes.
Aqui, o jazz, enquanto indomável força de exploração sónica, ao incorporar elementos de Funk, Electrónica, Rock Psicadélico e Afrobeat, encontra nestes géneros musicais, as suas possibilidades de expansão.
Channel the siprits é considerado pela imprensa especializada, um álbum revolucionário e pela editora Leaf, um “Documento Profético”.

Filosofia Csmica 2 Hieroglyphic Being Sarathy Korwar Shabaka Hutchings A.R.E. Project 2017

HIEROGLYPHIC BEING, SHARATY KORVAR & SHABAKA HUTCHINGS – A.R.E. PROJECT (25:12)
Lançamento: 05 Agosto 2017 / Label: Technicolour

Provavelmente um dos músicos mais prolíficos e inspiradores do Reino Unido, Shabaka Hutchings emprestou o seu toque de saxofone a uma série de projectos de jazz cósmico/psicadélico.
A.R.E. Project, é uma colaboração improvisada e única entre Hutchings, Hieroglyphic Being e Sarathy Korwar.
Este EP foi gravado, durante uma performance ao vivo de duas horas, a bordo de um navio, ancorado no Tamisa.
As notas do saxo cósmico, fundem-se com a música folclórica indonésia e com a musica eletrónica da era espacial, daqui resultando, um som verdadeiramente único.

DISCOCRACIA 4 (AS BESTAS NÃO SONHAM) - Transmitido em 29/12/2017

THE NATIONAL – SLEEP WELL BEAST (57:40)
Lançamento: 08 setembro 2017 / Label: 4AD

Sleep Well Beast é o sétimo álbum de originais dos The National.
É o trabalho mais maduro e experimental da carreira da banda norte americana.
As canções mesmo falando de amor, acabam por ter teor político.
Os National não “conseguem separar a política das emoções” porque segundo os próprios, a primeira afecta a segunda e as letras deste trabalho, refletem a instabilidade que se vive na era Trump. A banda apoiou Barack Obama e Hillary Clinton na corrida à presidência dos EUA, não está satisfeita com o atual Presidente e o descontentamento moldou este disco.
O desconforto confortável está de volta

LCD SOUNDSYSTEM – AMERICAN DREAM (1.08:55)
Lançamento: 01 setembro 2017 / Label: DFA

American Dream, marca o regresso aos discos dos LCD Soundsystem, após 7 anos de pausa premeditada.
O álbum, sempre bem compassado e sublimemente produzido, é profundamente marcado por uma atmosfera negra que, de resto, remete para ambientes contíguos àqueles que Bowie introduziu no seu último Blackstar.
Não é, aliás, por acaso que a faixa que encerra o disco - Black Screen - é, na verdade, uma homenagem ao cantor britânico, como também não será inocente o facto de haver uma colagem óbvia de Call the Police ao universo de Bowie.
American Dream abre as portas a um admirável mundo novo de canções surpreendentes.

 

DISCOCRACIA 3 (SUBVERSÕES) - Transmitido em 22/12/2017

 

ALGIERS – THE UNDERSIDE OF POWER (44:24)

Lançamento: 23 junho 2017 / Label: Matador

Os Algiers aconselham a desconfiar do poder, mas com esperança.
O nome da Banda é uma homenagem a um local histórico, chave da luta anticolonial, simbolizando um espaço idealista onde, a violência, o racismo, a religião, a resistência e a esperança se misturam.
Os Algiers combinam elementos pós-punk e no wave com blues e gospel, com passagens pela música industrial.
The underside of Power de 2017, é um álbum fascinante, com forte mensagem política.

ALAN VEGA - IT (52:16)
Lançamento: 14 Julho 2017 / Label: Fader Label

IT é a herança que Alan Vega nos delega.
Em IT, Album Póstumo de 2017, o ex-Suicide que nos deixou em 2016 com 78 anos, aborda como sempre, o pesadelo americano na sua verdadeira essência.
IT é o testemunho musical do Proto-punk, que influenciou mais do que vendeu.
Vega deixa-nos com uma crónica do medo, da violência e do terror do quotidiano.
Inquietante.

 

DISCOCRACIA 2 (PEREGRINAÇÕES) - Transmitido em 15/12/2017

 ANTOLOGIA DE MÚSICA ATÍPICA PORTUGUESA (42:58)

VOLUME 1, O trabalho. 

Lançamento: 27 Janeiro 2017 / Label: Discrepant

O espírito de Michael Giacometti anda por aqui, cruzado com os olhares contemporâneos, vindos do jazz, do noise e da electrónica.
Gonçalo F. Cardoso, Negra Branca, Live Low, Calhau!, Peter Forest, EITR, Luar Domatrix, Gonzo, Tiago Morais Morgado, Filipe Felizardo, colaboraram neste projecto, editado em 2017.
O mote é a desconstrução musical do trabalho

LIVE LOW- TOADA (39:00)

Lançamento: 17 Outubro 2016 / Label: Lovers & Lollypops

“TOADA” é o longa duração de estreia em 2017 do projecto portuense “LIVE LOW”. 
Os Live Low que também colaboraram na Antologia Atípica, procuram o que resta da música tradicional, à luz da electrónica exploratória. Têm como ponto de partida, não só as recolhas da tradição musical portuguesa feitas por Giacometti, mas também a herança musical daqueles que a trabalharam condignamente como Fausto ou José Afonso.

JOÃO HASSELBERG & PEDRO BRANCO – “FROM ORDER TO CHAOS” (26:10)

Lançamento: 17 Outubro 2016 / Label: Clean Feed

E depois de “Toada” dos “Live Low”, viramos as agulhas para a próxima peregrinação:
o contrabaixista João Hasselberg e o guitarrista Pedro Branco.
“From Order to Chaos” é um pequeno grande álbum de 2017, com pouco mais de 26 minutos e foi gravado no Auditório Municipal do Seixal. Recheado de excelentes músicos, exemplo do agora muito badalado, pianista e compositor de jazz, Luís Figueiredo, criador dos arranjos de “Amar Pelos Dois”, “From Order to Chaos” deambula entre o Jazz e o Pop/Rock, criando uma atmosfera sensorial apelativa.

DISCOCRACIA 1 (SONS DO SAHEL) - Transmitido em 8/12/2017

GIRMA BÈYÈNÈ, AKALÉ WUBÉ – MISTAKES ON PURPOSE (1.06:33)
Lançamento: 13 Janeiro 2017 / Label: Heavenly Sweetness

O cantor e pianista Girma Bèyènè, regressa ao mundo da música ao lado do quinteto Akalé Wubé, com o álbum “Mistakes on purpose”.
O álbum integra a famosa coleção “Ethiopiques”, da era de Ouro da música etíope moderna.
Girma compositor de Adis Abeba, surgiu na década de 1960 e foi um dos mais criativos e activos da sua geração. O álbum imortaliza a sua reaparição, após 25 anos de afastamento dos palcos.

TINARIWEN – ELWAN (46:07)
Lançamento: 10 Fevereiro 2017 / Label: ANTI

Os Tinariwen são hoje um dos mais conhecidos grupos da World Music.
Em Elwan elevam a fasquia, colaborando com Kurt Vile, Mark Lannegan, entre outros instrumentistas para criar um dos mais belos álbuns de Tishoumaren, o estilo musical que mistura blues com folk da África Ocidental.
Elwan é um álbum poderoso, fala sobre os valores de ascendência, unidade e companheirismo, impulsionados pelos sons cíclicos da guitarra.

 

 

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