DISCOCRACIA 31 -  (“QUERIDO MÊS DE AGOSTO”) - Dia 24/08/2018

“GIRLS INVENTED PUNK ROCK”

“As mulheres são anarquistas e revolucionárias naturais, porque elas sempre foram cidadãs de segunda classe e tiveram que fazer o seu próprio caminho” - Kim Gordon.


Kim Gordon, conhecida pela tal da t-shirt “Girls Invented Punk Rock, Not England” foi a baixista, guitarrista e vocalista dos extintos, Sonic Youth.
O corpo da mulher sempre foi um campo de batalha. Num mundo estruturado pelos homens, reinventaram a revolta, os direitos humanos e a revolução. Uma mulher com um microfone ou um instrumento na mão é um acto político. Especialmente se olharmos a misoginia presente na indústria da música por gerações. 
Mesmo com o machismo dentro da música, o punk aliado a outros gêneros de protesto, rompem padrões, fomentam o empoderamento social e potencializam a conscientização civil sobre os direitos sociais. Esta consciência possibilita a aquisição da emancipação individual e também da consciência coletiva, necessária para a superação da dependência social e dominação política.
Patti Smith demonstrou que punk e poesia podem combinar muito bem e serem importantes símbolos de protesto. À frente da banda, The Patti Smith Group, compõe músicas com poesia cheia de pensamentos feministas. Em 2010, lançou o livro “Apenas Miúdos”, onde conta o seu percurso na arte e na música antes da fama e descreve toda a ebulição cultural de Nova York nas décadas de 60 e 70.
Patti ficou conhecida como "poetisa do punk", trouxe um lado feminista e intelectual à música punk, tornou-se uma das mulheres mais influentes do rock e de alguns movimentos seus associados. 
O minuto 53 da última final do campeonato do mundo na Rússia, ficou marcado por uma invasão pacífica de campo, reivindicado pelas Pussy Riot. "Libertem todos os presos políticos, não prendam pessoas por causa de gostos, parem as detenções ilegais durante as manifestações, permitam competições políticas no país, não fabriquem acusações criminais e não mantenham pessoas presas sem motivos” 
A ação mais conhecida das Pussy Riot remonta a fevereiro de 2012 quando, numa catedral de Moscovo, cantaram uma oração punk contra Vladimir Putin. Na altura três membros do grupo, foram condenados devido a "vandalismo motivado pelo ódio religioso"

A banda russa na verdade é muito mais que uma banda, têm a sua ideologia assente num movimento internacional, as Riot grrrl (ou riot girl), criado nos anos 90 nos Estados Unidos, com o principal intuito de informar as mulheres de seus direitos e incentivá-las a reivindicá-los. Uma das principais formas de expressão, além dos protestos, foi o recurso à cultura punk. 
O conceito de rock só para machos e das guitarras como símbolo fálico, foi entretanto desaparecendo. A pouco e pouco, há cada vez mais mulheres a tocar ou liderar bandas ou projectos a solo.
Conseguirão salvar o rock?

COURTNEY BARNETT – TELL ME HOW YOU REALLY FEEL (37:18)
Lançamento: 18 Maio 2018 / Label: Mom + Pop
Courtney Barnett, já considerada por muitos como uma das mais dotadas compositoras da sua geração.
Entre o indie-punk e a balada século XXI, Tell Me How You Really Feel é um segundo álbum de quem sabe bem qual é o seu caminho. São 10 canções movidas a sarcasmo e muita psicologia associada.
Álbum repleto de alusões ao desentendimento e ao lado menos radiante do amor, Tell Me How You Really Feel terá como importante propósito mostrar que a vida pode tornar-se num caminho sinuoso, mas que percorrer essa estrada não tem de ser algo vivido em permanente inquietude e depressão, desde que os fantasmas sejam exorcizados no momento certo.

SNAIL MAIL – LUSH (38:16)
Lançamento: 01 Junho 2018 / Label: Matador
Snail Mail é um projeto de indie pop vintage liderado pela americana Lindsey Jordan e acaba de se estrear nos lançamentos discográficos com Lush. São 10 canções editadas pela Matador Records, que nos oferecem de uma forma impressiva uma viagem no tempo, até aquele rock de cariz eminentemente lo fi, que agitou multidões e fez escola no final do século passado.
Para gravar Lush, Lindsey pegou na sua voz e na guitarra, mas também contou com a preciosa contribuição de Ray Brown na bateria e Alex Bass no baixo.
Emocionalmente inteligente, com uma evidente força interior, musicalmente clarividente e, curiosamente, cheio de pistas acerca de quais poderão ser as próximas coordenadas sonoras de quem se dedicar à exploração do espetro sonoro já descrito, Lush é um registo com uma linguagem muito própria, eminentemente urbana e que espalha as agruras de uma jovem de dezoito anos que, com uma fender numa mão e um microfone na outra, parece ser a única pessoa sensata e racional no mundo que a rodeia.
MITSKI – BE THE COWBOY (32:28)
Lançamento: 17 Agosto 2018 / Label: Dead Oceans
Para além de ter criado um corpo musical muito mais composto e harmonioso que nos seus anteriores trabalhos em Be the Cowboy, Mitski conseguiu condensar em faixas curtas e intensas quase todas as suas melhores ideias e pensamentos sobre a vida em geral. Funciona como um impressionante manual de como reagir com humor às pedras do caminho.
Se anteriormente parecia que Mitski apenas andava a destilar desordenadamente o seu talento, dando dezenas e dezenas de concertos em que cantava literalmente para ninguém “Be the Cowboy” é o momento em que a cantora coloca a sua bandeira no planeta terra e declara ser este o seu domínio.
O seu novo álbum de originais é a representação meio cínica meio sofrida de uma felicidade idealizada para outras pessoas, construído em cima de histórias que podem acontecer a qualquer um, mas que na voz simultaneamente forte e frágil de Mitski podia com franqueza ser uma das suas desventuras enquanto vivia por esse mundo fora, subtraída e deslocada de uma vida social normal, sem amigos ou relacionamentos duradouros.
“Não quero ficar conhecida como a pessoa a quem se recorre para ouvir uma guitarra com distorção. Quero ser mais complexa e humana do que isso”, dizia Mitski numa entrevista.

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