DISCOCRACIA 27 -  (“A MORSA E O CARPINTEIRO”) - 1ª parte - Dia 3/08/2018

 "I Am The Walrus" é para a história da música, uma das músicas mais marcantes, de toda a carreira dos The Beatles. Data de 1967 e faz parte do álbum Magical Mystery Tour, por sinal o seu maior fiasco comercial.
Quando John Lennon, criou a letra de “I Am The Walrus” (Eu Sou a Morsa), logo catalogada de análise impossível e de marcado “nonsense”, estava tão somente a desafiar o professor de inglês, da escola onde em jovem tinha estudado, o qual tinha por hábito dissecar, com os seus jovens alunos, as letras da banda de Liverpool.
Na verdade, a canção é o resultado da junção de três músicas distintas, que Lennon escreveu sob o efeito de drogas. São manifestações de inspirações tão distintas como, uma sirene da polícia, outra quando sentado num jardim e finalmente uma outra sem qualquer sentido, sentado em cima de flocos de cereais.
Quanto à personagem principal, o dito "Walrus", ou morsa, é outra história. É inspirado num poema de Lewis Carroll, o autor de "Alice no País das Maravilhas", chamado de "A Morsa e o Carpinteiro", de 1871.
Tendo em conta o imaginário surrealista fantástico de Carroll, as ideias mirabolantes e psicadélicas de Lennon adquirem um novo sentido (mesmo com as drogas...).
O poema conta que a Morsa e o Carpinteiro estavam a caminhar pela areia de uma praia num dia quente e ensolarado. a Morsa vestida como um burocrata inglês, usando fraque, monóculo e fumando um charuto; e o carpinteiro vestido com um uniforme de trabalhador com um martelo numa das mãos.
Ambos famintos encontram uma família de ostras descansando à beira do mar. Muito corteses, a Morsa e o Carpinteiro conseguem persuadir as presas a irem passear até à sua cabana para “almoçarem”.
As ostras com a melhor das intenções lá os seguem e… são comidas pelos dois. Carrol quis aqui escrever, através de um conto infantil, uma pesada crítica à religiosidade e a fragilidade humana perante os símbolos religiosos: A Morsa pode representar Buda ou até mesmo Ganesha, os deuses mais venerados pelos budistas e hindus respectivamente, e o Carpiteiro representa Jesus, ou melhor, o Cristianismo. As ostras representam a inocente humanidade.
Significa então que para Carrol, a religião atrai, para em seguida devorar os seus fiéis seguidores. O que não deixa de ser extraordinário, não tanto pela época, mas se atendermos ao facto de que estamos a falar de um reverendo anglicano.
Já Marx em 1844, muito antes deste episódio das ostras, tinha sintetizado e publicado, 0 pensamento, que estava presente na maioria dos autores e pensadores do século XVIII, “A Religião é o Ópio do Povo”.
“I Am The Walrus”, ficou para sempre ligada à história da música, não pela morsa, não pelo carpinteiro, nem pelas ostras, mas pelo músico alemão Holger Czukay.
Holger Czukay, aluno de Stockhausen e ele próprio professor, mostrava obras do seu mestre a alunos em 1968. Um deles, Michael Karoli, respondeu na mesma moeda e tocou uma gravação de “I Am The Walrus” dos Beatles numa aula. Czukay, até aí imerso no universo erudito, teve uma revelação, e juntamente com Irmin Schmidt e o tal aluno Michael Karoli, formou uma banda de rock, que se iria tornar de culto, os Can.
Holger Czukay, entretanto falecido em 2017, foi considerado um dos pioneiros do “sampling e uma das principais figuras do movimento alemão krautrock.
Continua na próxima semana.

 

BEAK> – L.A. PLAYBACK (44:58)
Lançamento: 13 Abril 2018 / Label: Temporary Residence Ltd.
A banda Beak>, formada em 2009 e actualmente composta por Geoff Barrow (dos Portishead), Billy Fuller (Robert Plant) e Will Young (Moon Gangs), que substituiu Matt Williams (MXLX, Fairhorns) em 2016, é na sua verdadeira essência, uma mistura de krautrock e portentoso pós-punk.
O grupo krautrock de Geoff Barrow Beak> B-sides e rarities, L.A. Playback faz parte do novo contrato da banda com a Temporary Residence, que também quer reeditar os 2 primeiros álbuns da banda, Beak> e >>.
L.A. Playback, é composto essencialmente, por lados B e raridades, e por muitas das músicas que não foram lançadas anteriormente em determinados países (ex: EUA).
Enquanto não nos chega o 3º Album de estúdio, temos então 11 músicas (para muitos inéditas) para disfrutar.
SUUNS – FELT (45:59)
Lançamento: 02 Março 2018 / Label: Secretly Canadian
Dois anos depois do excelente Hold/Still, um compêndio de onze canções com a chancela da Secretly Canadian que fez furor à época, o projeto Suuns, um quarteto oriundo de Montreal, no Canadá, está de regresso aos lançamentos discográficos com Felt.
Os Suuns apareceram em 2007 pela mão do vocalista e guitarrista Ben Shemie e do baixista Joe Yarmush, aos quais se juntaram, pouco depois, o baterista Liam O'Neill e o teclista Max Henry.
Felt confirma que definitivamente estamos na presença de um grupo especial e distinto no panorama indie e alternativo atual, fortemente influenciados pelo Krautrock dos mestres germânicos.

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