DISCOCRACIA 21 -  ("ODES ANACREÔNTICAS" ) -  Dia 15/06/2018

Hendrix, o mago das seis cordas era avesso a tocar para grandes públicos. O Woodstock, no máximo da sua lotação atingiu os 400.000, numa média de 200.000 pessoas a assistir aos concertos que começaram no dia 15 de Agosto. O músico decidiu abdicar do horário que lhe haviam escolhido no cartaz, à meia-noite, e aguardar que o recinto fosse “esvaziando”.
Assim, pelas 08h00 da manhã de 18 de Agosto, de 1969, Jimi Hendrix subiu a palco para encerrar aquele que é, para muitos, o maior festival de música da história. Já “poucos” festivaleiros resistiam e, dos 400.000, restavam cerca de 40.000. Perto do final da sua setlist, Hendrix criou um dos momentos mais lendários na história da guitarra eléctrica, do rock, da música e mesmo da política.
O guitarrista interpretou o hino nacional norte-americano, o “Star Spangled Banner”, numa versão carregada de feedback, com abuso da alavanca de vibrato, distorção e sustain, para procurar evocar ataques aéreos e as explosões dos bombardeamentos de napalm, numa alusão ao conflito no Vietname.
O hino serviu de cama à neblina Púrpura, Purple Haze, e encerrou o espectáculo antes dos encores, com o enigmático instrumental Villanova Junction, memorável.
Purple Haze é uma terminação usada para descrever uma variedade específica de canábis. Esta terminação foi originalmente dada para descrever um tipo de LSD que se vendia nos anos 60 e 70 impregnado num papel seco de cor púrpura. Mais tarde esta variedade de marijuana adquiriu popularmente o mesmo nome devido à sua alta potência e grande concentração de cristais. Mas isso é outra história.
Interessante é o facto da melodia do hino americano, ser dum cluble anacreôntrico inglês do século XVIII e composta para ser cantada em tabernas. A letra de “To Anecreon in Heaven” foi para muitos, adulterada numa infeliz adaptação.
Anacreonte foi um poeta grego, do século VI a.C. e a sua poesia teve como tema o amor, a bebida e a sátira e foi denominada de erótica. Em Portugal temos em Manoel Maria Barbosa du Bocage, um dos seus mais genuínos seguidores.
Uma petição na plataforma digital “Change.Org” exigiu recentemente a troca do hino americano pelo clássico “War Pigs”, faixa do álbum “Paranoid”, de 1970 dos míticos Black Sabbath.
“O hino atual serviu a América com orgulho durante muitos anos. Mas é tempo de retirar o que é velho e escolher algo que represente a América e as suas atuais politicas” sugeriam os promotores. Enfim mais uma anedota a juntar a tantas outras.
Vem tudo isto a propósito de nacionalismos, cimeiras, guerra, paz, festas, festivais, alucinações e Escadas para o Céu. Bethel é o nome da localidade onde se realizou o Woodstock e é também o nome da cidade bíblica onde Jacob teve a célebre visão da Escada, por onde os anjos desciam e subiam ao céu.
Curioso, também o facto de em hebraico Bethel significar “Casa do Senhor” e de Woodstock depois de muitos negas, se ter realizado na quinta do judeu de origem russa, Max Yasgur, o qual apesar de ser um homem de princípios conservadores, acreditava firmemente na liberdade de expressão.
Mas voltemos à festa e aos festivais, para falar do Mimo o qual vai fazer 15 anos e já saiu há muito da cidade de Olinda no Brasil. Olinda é uma cidade colonial na costa nordeste do Brasil, perto da cidade do Recife. Fundada em 1535 pelos portugueses, foi construída em encostas íngremes e distingue-se pela arquitetura do século XVIII, com igrejas barrocas, conventos, mosteiros e casas de cores vivas. Originalmente um centro da indústria da cana-de-açúcar, é agora conhecida como uma colónia de artistas, com diversas galerias, oficinas e museus.
O Mimo, que não se fica por uma só cidade, ultrapassou no Brasil um milhão de visitantes no Rio, internacionalizou-se e chegou à cidade de portuguesa de Amarante em 2016. E o melhor de tudo pessoal... é à borla, e faz jus ao nome do Woodstock, 3 dias de Música e Feira de Artes (Woodstock Music & Art Fair ).

GOGO PENGUIN – A HUMDRUM STAR (50:42)
Lançamento: 09 Fevereiro 2018 / Label: Blue Note
O trio inglês de Manchester, composto pelo pianista Chris Illingworth, pelo baixista Nick Blacka e pelo baterista Rob Turner, editou recentemente A Humdrum Star, na mítica morada jazz, da Blue Note Records.
Classificar A Humdrum Star, não é tarefa fácil. Aterra tranquilamente nas mãos do jazz, do neo-clássico, do hip-hop, da música experimental, do rock mais ou menos post e da música electrónica – seja ele o break beat, o ambient ou o tecno, sem estar ligada a nenhuma tomada, sem computadores, processadores ou outros maquinais objectos criadores.

 

JACK DEJOHNETTE, LARRY GRENADIER, JOHN MEDESKI, JOHN SCOFIELD - HUDSON (1.11:46)
Lançamento: 09 Junho 7 / Label: Mótema
O que acontece quando quatro dos maiores instrumentistas do mundo unem seus talentos musicais? Um supergrupo de jazz chamado Hudson, com o baterista Jack DeJohnette, o baixista Larry Grenadier, o guitarrista John Scofield e o pianista John Medeski.
Neste primeiro álbum, a banda revisita clássicos dos anos 60 e aposta numa composição original, "Hudson", faixa que homenageia uma região de Nova York. Nas recreações, os músicos trazem “Lay Lady Lay”, de Bob Dylan, “Wait Until Tomorrow”, de Jimi Hendrix, “Up on Cripple Creek”, dos The Band, entre outros clássicos identificáveis logo nos primeiros acordes.

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